CLASSES SOCIAIS E INIQUIDADES EM SAÚDE: IMPLICAÇÕES NO ACESSO E NA PRODUÇÃO DO CUIDADO

Vol.2 - 2024 - 198948
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Resumo

Contextualização: As desigualdades sociais constituem objeto de reflexão e de estudo identificado nas produções científicas de distintas áreas do conhecimento. A temática tem sido de relevância para o delineamento de políticas públicas e sociais visando promover melhores condições de vida dos indivíduos e dos grupos historicamente postos em lugar de desvantagem. Ora postos em condições desproporcionais para com os demais segmentos populacionais ou ora invisibilizados, a realidade das desigualdades sociais ultrapassa a ideia do "não visto" e sua manifestação ocupa o cotidiano da sociedade seja através da pobreza, da violência, do racismo, do sexismo e de diversas outras formas de opressão. Ao pensarmos as condições de desigualdades sociais para o campo da saúde, Barata (2009) refere registros do assunto mais intensamente a partir do século XIX, período do capitalismo em sua fase industrial. Nesse momento, evidenciaram-se as péssimas condições de vida e de subsistência da classe trabalhadora, impactando diretamente no campo econômico. Para a área da saúde, as iniquidades sociais possuem sentido numa dimensão política relacionada à repartição da riqueza socialmente produzida (Barata, 2001). Mas, para além do quesito riqueza, outros fatores/determinantes (Buss; Pellegrini Filho, 2007) são relevantes para compreender os pontos de desigualdade os quais os indivíduos ocupam na sociabilidade.. Descrição da Experiência: O presente trabalho resulta da elaboração e apresentação de seminário na disciplina Estado, Políticas e Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde, integrante da matriz curricular do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, da Universidade Estadual do Ceará. A atividade constituiu um dos aspectos de avaliação da referida disciplina. Com efeito, foi organizada por uma dupla de pós-graduandos, que estruturaram reflexões e debates sobre a temática das desigualdades sociais e suas repercussões no acesso e produção do cuidado em saúde. Para tanto, foi realizado levantamento de literatura para subsidiar os eixos discursivos da reflexão teórica, na qual se adotou abordagem qualitativa, com discussão narrativa-conceitual, considerando-se as categorias de análise do campo da Saúde Coletiva demarcadas como classe social, raça e gênero, como marcadores sociais da diferença.. Objetivo e período de Realização: Refletir sobre as iniquidades sociais e sua repercussão no acesso e no cuidado em saúde, tomando como eixos estruturantes os conceitos de classe social, gênero e raça. Período de realização: fevereiro a abril de 2024.. Resultados: O seminário apresentado envolveu os discentes da disciplina, possibilitando a reflexão crítica sobre as categorias às análises de Saúde Coletiva, com destaque para acesso à saúde, desigualdades sociais, raça/cor e gênero, estabelecendo as inter-relações e demarcando as repercussões nos segmentos populacionais. Com efeito, o modo de produção influencia a organização social, determinando o lugar onde indivíduos ocupam na malha social. Por isso, o conceito de classe social compreende a desigualdade econômica e a exploração do trabalho que influenciam o adoecimento e a produção de saúde. O conceito de gênero questiona o determinismo biológico e a naturalização dos comportamentos. Assim, o sexo vincula-se ao biológico e o gênero à cultura. Esse assunto é fator de iniquidade quando influencia no acesso de homens e mulheres à saúde. O racismo expõe aos grupos étnicos o espaço da invisibilidade e não reconhecimento das demandas específicas, seja pela negação ou o silenciamento do acesso nos serviços de saúde. Desse modo, isolados ou associados, os elementos citados podem obstaculizar o acesso à saúde. Assim, se fazem necessárias ações coletivas em prol de reverter um cenário de desigualdades.. Aprendizado e Análise Crítica: O assunto das iniquidades em saúde e as implicações no acesso aos serviços de saúde é um tema que tem ganhado relevância na agenda pública e reivindicado pela participação popular, especificamente os grupos envolvidos. Mesmo com determinados avanços com políticas de atendimento específico, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda presencia no cotidiano práticas excludentes, violentas e silenciadoras, seja pela gestão e/ou profissionais. Urge a necessidade de compreender as particularidades dos diversos segmentos que compõem a população brasileira e que esses, que buscam as Unidades de Saúde, possam ser atendidos, respeitados e acolhidos em suas especificidades de classe, de gênero, racial, sexual ou sejam quais forem.. Referências: BARATA, R. B. Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2009. Disponível em . Acesso em: 01 jun. 2024. BARATA, R. B. Iniquidade e saúde: a determinação social do processo saúde-doença. Revista USP, São Paulo, Brasil, n. 51, p. 138–145, 2001. Disponível em: . Acesso em: 1 jun. 2024. BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n. 1, p. 77–93, jan. 2007. Disponível em . Acesso em: 01 jun. 2024. BRAVO, M. I. S. Saúde e Serviço Social no capitalismo: fundamentos sócio-históricos. 1 ed. São Paulo: Cortez, 2013..

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Eixo Temático
  • Eixo 02 - Populações vulnerabilizadas e invisibilizadas: reparação e saúde como direito de cidadania