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Avaliação da ambivalência em psicoterapia
Camilla Gonçalves Brito Santos
Universidade Federal de Juiz de Fora
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Crie um tópicoO estudo dos fatores que impedem a mudança comportamental fornece indicadores importantes para o aumento da eficácia psicoterapêutica. A ambivalência, definida como a oscilação do paciente entre uma atitude a favor e outra contra a mudança, é um processo esperado no processo de mudança. Contudo, quando não ultrapassada, gera intensificação dos problemas, resultando em insucesso e/ou abandono terapêutico. É expressada de formas diferentes pelos pacientes, dificultando sua identificação pelos terapeutas, podendo resultar em uma intervenção inadequada. Nas terapias diretivas como a Terapia Cognitivo-Comportamental, ao perceber a ambivalência do paciente, é possível que o terapeuta a coloque em evidência. Dessa forma, é possível que ao ouvir do terapeuta os pontos positivos em relação à mudança, o cliente assuma a posição oposta. Isso pode sustentar o fenômeno e gerar resistência. Portanto, torna-se necessário o desenvolvimento de instrumentos que possibilitem sua identificação. O presente estudo teve como objetivo adaptar e avaliar as propriedades psicométricas do Questionário de Ambivalência em Psicoterapia (QAP) para a população clínica brasileira. A primeira parte do QAP contém um item que posiciona o paciente em relação à mudança, em uma escala Likert de 11 pontos. A segunda possui nove itens respondidos em uma escala Likert de cinco pontos. Tem como público alvo pacientes maiores de 18 anos, em psicoterapia. Em seu processo de adaptação foi realizada a adaptação cultural, síntese, retrotradução, revisão e piloto. Os dados foram coletados em clínicas-escolas de psicologia e consultórios particulares. Foi aplicado um questionário de dados sociodemográficos, QAP, URICA, e OQ-45.2. Participaram do estudo 173 pessoas, sendo 74% mulheres, com idades entre 18 e 75 anos. Na Análise Fatorial Confirmatória, o modelo que apresentou valores mais adequados de ajuste aos dados empíricos é composto por dois fatores de primeira ordem - Desmoralização e Alternância - e um fator de segunda ordem – Ambivalência. Na análise de consistência interna o valor do alfa de Cronbach do QAP foi 0,86, do fator Desmoralização 0,82 e do fator Alternância 0,74. A correlação entre o QAP e o URICA foi fraca. O QAP e o OQ-45.2 apresentaram correlação positiva moderada. Os dados encontrados foram semelhantes entre as três versões do QAP, a saber, portuguesa e espanhola. Assim, a versão brasileira do QAP demonstrou ser um instrumento adequado, com níveis de confiabilidade, estrutura e consistência interna satisfatórios, de aplicação rápida e fácil, possibilitando sua utilização na prática da psicologia clínica e nas pesquisas.
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