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Resumo

As lesões autoprovocadas apesar de raras na infância, são altamente consideráveis em razão de sua magnitude. Embora existam sub registros desses eventos, sua ocorrência vem apresentando aumento nas últimas décadas, especialmente na população de adolescentes. A transição da infância para adolescência representa um período crítico para a vulnerabilidade do comportamento autoprovocado, sendo um preditor para o suicídio. O objetivo deste estudo é analisar as notificações por lesões autoprovocadas entre crianças de 5 a 9 anos e adolescentes de 10 a 19 anos no Recife-PE, visando conhecer sua magnitude e distribuição entre 2019 a 2023, a partir dos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Foram identificados 1.210 registros de crianças e adolescentes (CA) recifenses vítimas desse agravo, 0,7% em crianças de 5 a 9 anos, 33,4% em adolescentes de 10 a 14 anos e 65,9% em adolescentes de 15 a 19 anos. A incidência maior foi nas meninas, com 80,7% dos casos, e destas 2,7% estavam grávidas. A raça-cor negra foi a mais acometida, com 72,2%, fato este notável não apenas pela forte miscigenação que ocorre na região, mas também pela inegável relação histórica da violência e do racismo. Dentre os casos registrados, foram observadas 43,3% reincidências. Ademais, CA que possuíam transtorno/deficiência foram aferidas em 19,5%. A residência foi o local de ocorrência mais notificado, com 78,1%, e os meios de agressões mais utilizados foram o envenenamento 65,8% e o objeto pérfuro-cortante 21,8%. Assim, os dados demonstram a necessidade da oferta de assistência psicoterapêutica voltada para essa população.

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Eixo Temático
  • Epidemiologia dos acidentes e violências