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Objetivos: Avaliar a variação no consumo de alimentos ricos em gorduras sólidas e açúcares de adição (SoFAS) na dieta dos brasileiros ao longo de 10 anos. Métodos: Foram analisados dados de indivíduos ≥10 anos de idade examinados nos Inquéritos Nacionais de Alimentação de 2008-2009 (n=32.749) e 2017-2018 (n=44.744). O consumo alimentar foi avaliado por registro alimentar (2008-2009) e recordatório de 24 horas (2017-2018). Alimentos com >13% da energia provenientes de gordura saturada ou açúcar de adição ou >1,3% fornecidos por gordura trans foram considerados com excesso de SoFAS. Foi estimada a contribuição (%) desses alimentos para ingestão de energia e respectivos intervalos de confiança de 95%. Resultados: Entre 2008-2009 e 2017-2018, a contribuição média de alimentos SoFAS para a ingestão diária de energia para a população em geral variou de 43,5 a 46,6%. A maior contribuição dos SoFAS foi verificada para adolescentes (2008: 47,1%; 2018: 49,5%), seguida dos adultos (2008: 42,6%; 2018: 46,2%) e idosos (2008: 41,5%; 2018: 45,0%). Os maiores incrementos foram observados para adultos e idosos, com variações de 3,6 e 3,5 pontos percentuais. Conclusões: A ingestão de gorduras sólidas e açúcar de adição era elevada em todos os grupos etários. Nos 10 anos que separam os dois inquéritos nacionais de alimentação, a qualidade da dieta dos brasileiros se deteriorou, dado o incremento da ingestão de alimentos com conteúdo excessivo de SoFAS. A metade das calorias da dieta dos adolescentes são provenientes desses componentes, sendo esse grupo prioritário para ações de promoção da alimentação saudável.
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