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Objetivo: Analisar os óbitos maternos tardios no Brasil entre 2010 e 2019, investigando variáveis associadas, utilizando dados dos sistemas de informações de mortalidade e nascidos vivos. Método: Realizou-se uma pesquisa epidemiológica de séries temporais. Foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos(SINASC). Mulheres cuja causa básica de morte foi codificada como O96 da CID-10 foram incluídas. Calculou-se a Razão da Mortalidade Materna Tardia (RMMT) e realizou-se uma caracterização por variáveis socioeconômicas utilizando estatística descritiva. Resultados: Foram registrados 1.470 óbitos maternos tardios no Brasil durante o período estudado, resultando em uma RMMT de 5/100.000 nascidos vivos. As mortes foram mais frequentes em mulheres entre 25 e 29 anos (22,3%), autodeclaradas negras (59,1%), solteiras (54%) e com 8 a 11 anos de escolaridade (34,8%). A RMMT aumentou com a idade das mulheres, sendo mais alta nas faixas etárias mais avançadas. Em relação à ocupação, mais da metade das mulheres eram empregadas domésticas (51,0%), seguidas por donas de casa (21,8%).Conclusão: Há urgente necessidade de melhorar a atenção à saúde no período puerperal. Os achados deste estudo reiteram as lacunas históricas que evidenciam a injustiça social e reprodutiva que marca a vida das mulheres.
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