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Resumo

Vários avanços foram feitos em relação às intervenções biomédicas para enfrentar a epidemia de HIV/AIDS. Contudo, as promessas do fim da AIDS ainda estão distantes da nossa realidade. Desvantagens socioeconômicas são o maior obstáculo aos avanços biomédicos, distribuindo de forma desigual os riscos de contrair o HIV e desenvolver AIDS. Nosso objetivo foi verificar o peso dos Determinantes Sociais da Saúde (DSS) na incidência de AIDS. Desenvolvemos uma extensão do pacote Epimodel R incluindo cinco DSS relacionados ao HIV/AIDS - como educação, renda, sexo, raça e idade - nas interações comportamentais e nas transições da doença em uma população de 1.172.721 indivíduos distribuídos em dez capitais brasileiras. Nosso modelo simula a metade mais pobre de cada município, representada pela amostra do Cadastro Único de 2012. Calibramos nossos resultados para a incidência de AIDS em cada cidade entre 2012 e 2019. Comparamos com um cenário alternativo onde os DSS não tem efeito na progressão da doença. O cenário Alternativo mostra que para cada cem casos de AIDS, 37 (intervalo de incerteza: 32, 44) estão relacionados aos efeitos dos DSS. O número de casos evitáveis de AIDS é maior para indivíduos de menor renda (44% - ii: 33%, 64%), de raça/cor parda ou negra (38% - ii: 32%, 48%), ou escolaridade inferior (39% - ii: 33%, 46%). Em menor escala, este efeito também é percebido em indivíduos menos vulnerabilizados. Os resultados desta simulação ressaltam, uma vez mais, a relevância dos DSS para o enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS no Brasil.

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Eixo Temático
  • Epidemiologia social e determinantes sociais em saúde