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Objetivo: O critério utilizado atualmente para avaliação nutricional de populações classifica crianças em eutrofia, magreza, déficit estatural e sobrepeso, ignorando quadros que ocorrem de forma concomitantes como magreza + déficit estatural e déficit estatural + sobrepeso, condições estas que elevam o risco de mortalidade e doenças crônicas, respectivamente. Este trabalho apresenta um novo critério de classificação (NCC) que discrimina as seis possíveis condições antropométricas. Métodos: Utilizaram-se dados de dois inquéritos realizados em 1992 (n=1229) e 2015 (n=987), com amostras de crianças (<-2; z≥-2) e peso-para-altura (z<-2; -2 a +2; z>+2). Resultados: As prevalências (%) de desfechos antropométricos encontradas em 1992 e 2015 foram, respectivamente: eutrofia (71,0/80,2), déficit estatural (20,8/2,7), sobrepeso (4,8/14,4); magreza (0,8/2,1), baixa estatura e magreza concomitantes (0,5/0,0) e baixa estatura com sobrepeso (2,0/0,5). No total, 472 indivíduos apresentaram baixa estatura-para-idade, o que, pela classificação usual, seriam classificados como portadores de desnutrição crônica. No entanto, 39 (8,3%) deles também apresentavam sobrepeso, sugerindo obesidade e, portanto, ausência de desnutrição vigente; enquanto sete (1,5%) apresentavam a condição mais grave: déficit estatural + magreza, situação associada com elevado risco de mortalidade. Conclusão: O NCC identificou condições negligenciadas em inquéritos tradicionais. Essas condições são relevantes nos contextos de dupla carga da má nutrição e sua adequada identificação permite abordagens preventivas e terapêuticas específicas, além de orientar políticas públicas de saúde melhor direcionadas.
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