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Resumo

O objetivo deste trabalho é descrever algumas dinâmicas alimentares e como estão associadas aos diversos níveis de IA no Brasil, que não estão diretamente incluídas na ferramenta psicométrica EBIA (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar), como organização e distribuição do orçamento familiar, seleção dos alimentos de base calórica, hábitos alimentares e tipos de preparação. Selecionamos 62.688 indivíduos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2018) em dia alimentar típico e sem dieta. O escore da IA foi definido segundo a pontuação EBIA, classificando domicílios em 4 categorias: segurança (SA), insegurança leve (IAL), moderada (IAM) e grave (IAG). Observa-se que o atraso de pagamentos é 2.7 vezes mais frequente entre famílias em IAG relativamente àquelas em SA. Entre famílias em IAG, os atrasos alcançam 74,1% em água/gás; 53,2% em bens/serviços e 35,3% em aluguel. Quando a diferença de renda real e necessária é negativa, os gastos alimentares aparecem como prioridade. Na análise de preparação de alimentos, o uso de frituras alcança 36,0% das preparações entre famílias em IAG versus 27,4% entre SA. O consumo de alimentos crus atinge 16,6% das preparações entre famílias em SA contra 8,3% entre IAG. Essas diferenças apontam a vulnerabilidade entre famílias em insegurança alimentar. O tipo de preparação alimentar usado nas refeições está diretamente associado ao nível de SA, e o enquadramento de gastos e atrasos de pagamento visam maximizar a obtenção de alimentos, em decisões ditadas pela redução do risco imediato à sobrevivência física.

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Eixo Temático
  • Epidemiologia nutricional