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introdução/objetivos: A disponibilidade de alimentos relaciona-se diretamente com o ambiente alimentar no qual o indivíduo está inserido. O sistema alimentar é complexo, conta com a participação de diversos atores e suas mãos de obra, conta com participação social e engloba todos os processos dos alimentos, desde o momento do plantio até o consumo. O atual contexto do sistema alimentar demonstra: meios de produção industrializados, mecanizados, ultraprocessados e desvalorizados. Essas intervenções geraram mudanças e prejuízos no ambiente alimentar. As falhas existentes ao longo dos sistemas alimentares como nas etapas de produção e distribuição acabam gerando situações de insegurança alimentar e nutricional para a população. É possível que em ambientes alimentares, zonas de deserto alimentares sejam instaladas. Essas zonas são classificadas assim por possuírem características como: uma produção local reduzida de alimentos saudáveis (in natura e minimamente processados) e falhas na etapa de distribuição de alimentos. Mesmo com a existência de produção de alimentos saudáveis, estes não chegam nas zonas de desertos alimentares, dificultando o acesso a esses grupos de alimentos. Outras dificuldades existentes, advêm de questões econômicas, como renda insuficiente ou a falta dela para a aquisição de alimentos e dificuldade de mobilidade urbana ou rural até o local de comércio. Outra zona de insegurança alimentar facilmente identificadas,em grandes e pequenas cidades, são os pântanos alimentares, que se caracterizam por um área geográfica onde há grande disponibilidade de alimentos ultraprocessados. Nesses pântanos alimentares pode haver presença de alimentos in natura ou minimamente processados, mas há predomínio de ultraprocessados. Sendo assim, pântanos alimentares podem ser zonas criadas em resposta aos desertos alimentares. As mudanças nesses sistemas afetam hábitos alimentares da população no geral. Estudos demonstram que houve uma mudança de comportamento da população brasileira quanto ao consumo de refeições fora de casa, onde já são relatados a média de até duas refeições fora de casa por pessoa, incluindo lanches entre as principais refeições. Diante dessas informações, a oferta de alimentos prontos para consumo passa a ser um fator fundamental tratando de saúde pública. O objetivo do trabalho é: Associar os comércio de alimentos e o surgimento de Pântanos Alimentares. Método:O presente trabalho é uma compilação de resultados encontrados na pesquisa Ambiente e Saúde- Uma abordagem multidisciplinar. A população estudada possui idade igual ou superior a 18 anos, podendo ser residente de áreas rurais ou urbanas da Região dos Pireneus em Goiás, que é composta por sete municípios: Abadiânia, Alexânia, Padre Bernardo, Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis, Corumbá de Goiás, Mimoso de Goiás. Os resultados foram resgatados do capítulo: Ambiente alimentar e nutricional na Região dos Pireneus. Esses resultados são frutos de coletas de dados através da aplicação do instrumento NEMS-R (Inquérito de Avaliação de Ambiente Nutricional para Restaurantes - Nutrition Environment Measures Survey for Restaurants), com objetivo de analisar estabelecimentos onde o alimento é comercializado para consumo imediato, como por exemplo: bares, restaurantes, lanchonetes. E o segundo instrumento é o NEMS-S (Inquérito de Avaliação de Ambiente Nutricional para Comércios de Alimentos - Nutrition Environment Measures Survey for Stores), que é aplicado em estabelecimentos onde o alimento é comercializado em sua forma mais primária, com finalidade em preparos domésticos, como supermercados, mercearias, hipermercados, sacolões, dentre outros. A partir desses instrumentos foi possível classificar a distribuição de estabelecimentos saudáveis, não saudáveis e mistos dos setores censitários dos municípios integrantes da Região dos Pirineus. Estabelecimentos classificados como saudáveis ofereciam alimentos in natura, minimamente processados ou preparações com boa qualidade nutricional. Estabelecimentos mistos comercializavam tanto alimentos in natura, quanto ultraprocessados. E estabelecimentos considerados não-saudáveis comercializavam produtos ultraprocessados e refeições com baixa qualidade nutricional. Sendo assim, dos restaurantes por quilo, a la carte e self service foram considerados saudáveis, lanchonetes, bar, sorveteria, quiosque, fast food, confeitaria foram considerados não saudáveis e os bares com refeições foram considerados mistos. Em relação a classificação dos comércios pelo NEMS-S, açougue, peixaria, verdurão, lojas de produtos naturais foram considerados saudáveis. Como não saudáveis foram considerados: lanchonetes, loja de conveniências, lojas de doces, sorveterias e vendedores ambulantes. E por fim, supermercados, mercados/mercearias e padarias/confeitarias foram considerados mistos, visto que comercializavam in natura e ultraprocessados. Resultados/discussão: Os dados a seguir são referentes a estabelecimentos que comercializam alimentos prontos para consumo (273), onde o instrumento NEMS-R foi aplicado. Os dados levantados na Região dos Pireneus em relação à especialidade dos estabelecimentos mostram majoritariamente presença de bares (26,3%) nos municípios. Cocalzinho de Goiás e Padre Bernardo ultrapassam o valor médio dos municípios com respectivamente 33,3% e 30,4% de bares do total de comércio de alimentos. Sendo nesses municípios a porcentagem maior ainda quando agregado bares que oferecem refeições ( 61,1 % em Cocalzinho e 43,4% em Padre Bernardo). A especificidade tipo Lanchonete, foi o segundo mais encontrado na Região. No município de Pirenópolis, a categoria à la carte apresentou percentil de 25% do total de estabelecimento devido ao grande movimento de turistas do município. Ao analisar os municípios em relação a classificação dos estabelecimentos foi encontrado: 18% saudáveis, 25% mistos e 57% não saudáveis. Quando avaliado os municípios separadamente, os valores chegaram ao percentual de 75% de estabelecimentos não saudáveis, como no caso de Corumbá de Goiás. Ao analisar os dados é possível observar a inadequação no que diz respeito à oferta de refeições prontas para consumo nesta região. A alta porcentagem de estabelecimentos não saudáveis impacta na qualidade de vida da população, visto que grande porção que consome essas refeições aumentou consideravelmente. Os municípios de Pirenópolis e Abadiânia apresentam elevada quantidade de estabelecimentos saudáveis, em relação aos outros municípios, sendo 43 unidades (31,9%) e 10 unidades (14,5%) respectivamente. Ainda assim, foi possível identificar maior porcentagem de estabelecimentos não saudáveis contrapondo estabelecimentos classificados como saudáveis na Região no geral. A oferta diária protéica, de origem animal, aponta que ovos, pescados e suínos costumam ser preparados no método de cocção imersos em óleo. A proteína bovina apresentou igualdade nos resultados de imersão em óleo e não imersão. As aves foram as únicas que apresentaram percentual acima de 50% quanto aos métodos de cocção diferentes de frito. Entretanto quando analisados os municípios separadamente e os tipos proteicos ofertados, nota-se que nenhum município apresentou percentual maior que 48% de alimentos proteicos não fritos. Os municípios de Cocalzinho de Goiás e Abadiânia foram os mais discrepantes quanto a comercialização de porções de alimentos fritos das preparações protéicas em restaurantes e lanchonetes, com 79,07% e 67,02% respectivamente. Bares e lanchonetes, em sua maioria, comercializam alimentos ultraprocessados como: balas, salgadinhos, embutidos, bebidas açucaradas, bebidas alcoólicas, dentre outros. Ao analisar o ambiente alimentar dessa região, dando ênfase aos restaurantes, pôde-se notar que esses estabelecimentos não favorecem escolhas alimentares adequadas. E isso pode potencializar o consumo ultraprocessados e preparações fritas, aumentando a densidade calórica das preparações e diminuindo a qualidade nutricional. Pelo fato desses estabelecimento serem comumente encontrados nessa região, o desequilíbrio preparações protéicas e a alta disponibilidade de ultraprocessados nos restaurantes, afetam diretamente nas escolhas alimentares dos comensais e impacta negativamente na saúde. Analisando Região dos Pireneus quanto ao tipo de comércio, foi encontrado com maior frequência: mercados/supermercados, barraca de feira livre e mercearia/empório. Ao analisar a distribuição de comércios saudáveis, não saudáveis e misto observa-se comércios mistos como maioria (47,4%) e não saudáveis como minoria (8,1%). Entretanto a disponibilidade de frutas e hortaliças nesses comércios são muito baixas. Os números apontam que somente 20,4% dos estabelecimentos investigados (n= 211) oferecem algum tipo de fruta e 25,6% algum tipo de hortaliça. Dos comércios de alimentos analisados em Corumbá de Goiás, não foi identificado oferta de frutas e hortaliças. Contudo, neste município apenas um setor censitário foi investigado e foi relatado por 23,5% dos indivíduos entrevistados, deste setor, que há oferta desses alimentos em locais próximos. Padre Bernardo foi o município que apresentou maior porcentagem quanto a oferta de frutas e hortaliças, ambas com 40%. Seguido por Abadiânia com 27,3% de disponibilidade de frutas e 31,8% de hortaliças. Mesmo assim ainda são porcentagens muito abaixo do esperado. A forte presença de estabelecimentos não saudáveis detectados levam a identificação de zonas de pântanos alimentares. No caso dos restaurantes, a porcentagem de estabelecimentos não saudáveis prevalece. Já no caso dos comércios de alimentos, os estabelecimentos mistos ocupam o primeiro lugar de maior porcentagem. Entretanto nos dois casos é possível apontar a alta disponibilidade de alimentos ultraprocessados através desses tipos de comércios e restaurantes. Os pântanos alimentares constroem barreiras para ambientes alimentares saudáveis. Os pântanos são vistos como zonas oportunas para forte inserção das indústrias de alimentos, a fim de controlar a comercialização de alimentos e lucro do mercado. Ademais a disponibilidade alimentar influencia os hábitos alimentares dos indivíduos. Em relação ao apelo pela alimentação saudável, os dados mostram que essa prática quase não é encontrada nos municípios. Em Corumbá de Goiás e Padre Bernardo não foi encontrado nenhuma referência ao tema nos estabelecimentos. Já em Abadiânia (9,5%), Alexânia (5,8%) e Pirenópolis (11,9%) foi encontrado baixíssimo apelo pela alimentação saudável. Assim como baixo apelo por opções de alimentos Light ou Diet. Esse fato contribui com a não aderência e a falta de incentivo à população quanto a alimentação saudável, contrapondo ao forte apelo publicitário dos alimentos ultraprocessados. Conclusão/considerações finais: A presença de restaurantes e comércios classificados como não saudáveis prevaleceu na Região dos Pireneus. Sendo assim, é possível afirmar que, nesses setores censitários, o aumento de chance do aparecimento de zonas de desertos alimentares. Além disso, devido a alta disponibilidade encontrada de ultraprocessados nos restaurantes e comércios, a presença de zonas de pântanos alimentares tornam-se comum à região. A pesquisa na área de ambientes alimentares, em pequenas e grandes cidades, fomenta metodologias e aplicabilidade nas ações de políticas públicas e chama atenção para a importância da relação homem e ambiente. Referências bibliográficas: BATISTA E FILHO M, RISSIN A. A transição nutricional no Brasil: tendências regionais e temporais. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2003. MONTEIRO, C.A.; LEVY, R.B.; CLARO, R.M.; CASTRO, I.R.R.; CANNON, G. A new classification of foods based on the extent and purpose of their processing. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.26, n. 11, p. 2039-2049, nov. 2010. GREEN, S. H.; GLANZ, K. 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