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Mais de dois bilhões de hectares de áreas degradadas no mundo são oportunidades para se trabalhar a restauração com florestas plantadas e sistemas agroflorestais – SAF. A araruta (Maranta arundinacea) é uma importante planta herbácea que produz rizomas que estocam 45% de amido rico em inulina que modula a produção de anticorpos e favorece o sistema imunosupressor. A espécie perene é natural nas matas do Rio de Janeiro, rustica, demanda poucos tratos culturais. A tendência para se consumir vegetais não convencionais faz da araruta uma cultura estratégica na transição agroecológica. O objetivo desse trabalho foi comparar a produção de araruta Comum na transição agroflorestal da produção de guanandi (Calophyllum brasiliense) - espécie florestal nativa que pode regenerar solos inundáveis -, em dois modelos de SAFs (SAF Simples e SAF Biodiverso). O reflorestamento foi implantado em 2008 (3,0 x 2,0 m) e o experimento iniciado em julho/2012 em blocos ao acaso com dois tratamentos e oito repetições em parcelas de 144 m² com quatro linhas de seis árvores. Nas entrelinhas foi cultivada a araruta e o SAF Biodiverso foi acrescido guandu, bananeira, juçara e 14 espécies florestais nativas alternadas 1,0 m entre si nas entrelinhas da araruta. A avaliação da araruta em plantio direto em fileiras duplas (0,5 x 0,8 m) com rizomas-sementes de 98 g foi realizada por dois ciclos, com alta precipitação pluvial (2012-2013) e escassez hídrica (2013-2014). No segundo ciclo a parcela foi subdividida em faixas fixas para comparar a brotação espontânea de pedaços de rizomas enterrados no solo ao replantio. Aos 10 meses de idade avaliou-se a produção e o acúmulo de fitomassa fresca e seca de folhas e raízes com o Teste Mann-Whitney U (p<0,05) e os efeitos na parcela sub-dividida com o Teste de Kruskal-Wallis (p<0,05). A produção em massa fresca de araruta foi superior no SAF Simples (7,6 t ha-1 de rizomas e 15 t ha-1 resíduos). Em plantio adensado de araruta com coco Swadija et al. (2013) registraram a produção de 18,62 t ha-1 de rizomas frescos. No ciclo seguinte, o estresse hídrico e térmico na maior estiagem do Vale do Paraíba dos últimos 80 anos, limitou a produção de rizomas (2,5 t/ha de rizomas e 4 t/ha de fitomassa aérea no SAF Simples). Porém, plantas que produzem rizomas usando o amido e carboidratos armazenados são as mais adaptadas ao estresse hídrico (Bianchi et al., 2016). A araruta reduziu o crescimento vegetativo para escapar da seca, aumentar a capacidade para conduzir a água a distâncias mais curtas e enrolou as folhas para evitar à perda de água. Não houve diferenças dentro de cada SAF para a forma de propagação. Manejada como cultura de cobertura perene a araruta conserva o solo em reflorestamentos. Altieri e Nicholls (2017) ressaltam que é importante iniciar a transição agroecológica com modelos agrícolas biodiversos equilibrados e resilientes às mudanças climáticas.
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