PERCEPÇÕES DOS POVOS INDÍGENAS MACUXI E WAPICHANA - RORAIMA SOBRE MUDANÇAS ALIMENTARES EM SUAS COMUNIDADES.

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Resumo

Este relato de experiência foi produzido pelos estudantes indígenas dos povos Macuxi e Wapichana do curso Gestão em Saúde Coletiva Indígena do Instituto Insikiran deFormação Superior Indígena – UFRR, resultado do tema contextual “Segurança Alimentar e Nutricional I”. O objetivo deste relato é apresentar experiências preliminares de um diagnóstico situacional de segurança alimentar e nutricional em três terras indígenas denominadas Mangueira e Raimundão I, ambas situadas na Etnoregião do Tabaio, município de Alto Alegre, e Truarú da Cabeceira localizada na região Murupu, munícipio de Boa Vista – Roraima. O diagnóstico envolveu 14 informantes-chave, todos indígenas, da seguinte forma: na comunidades Mangueira e Raimundão com 4 pessoas cada e no Truaru da Cabeceira 6 pessoas, dentre eles lideranças, Agentes de Saúde Indígena, Agentes de Saneamento Ambiental e moradores da comunidade. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com perguntas abertas. Os moradores das comunidades afirmaram haver mudanças na sua alimentação. Na terra indígena Mangueira, observamos a inserção de refrigerantes e galeto (frango de granja congelado) na alimentação e a percepção sobre esses alimentos foi registrada como prejudicial à saúdepor não serem “da natureza”. Com relação à produção de alimentos na comunidade, foi registrado a falta de alimentos da roça no período da seca, que dura cerca de 6 meses, interferindo na produção de animais como porcos e aves. Na terra indígena Raimundão os moradores entrevistados não tem recursos financeiros para comprar esses tipos de alimentos, pois só quem consomem são as pessoas renumeradas como agentes de saúde indígenas e saneamento (AIS, AISAN), professores e vaqueiros que trabalham em propriedades próximas a comunidade. Os benefícios sociais como Bolsa Família possibilitam a compra de alimentos básicos como leite, açúcar, bolachas e arroz e feijão, porém há entrada de refrigerantes, doces e salsicha, considerados alimentos ultraprocessados. Existem pessoas com doenças crônicas desenvolvidas em decorrência de má alimentação e com restrição à vários alimentos, mas mesmo assim comem porque os produtos industrializados são mais acessíveis economicamente dos que os alimentos saudáveis, tais como alimentos integrais e in natura. Essas mudanças de hábitos alimentares causam aumento do uso de medicamentos da medicina ocidental e o controle da doença faz com que a má alimentação continue gerando risco de agravo de doenças como a diabetes, cânceres, hipertensão, entre outras. Essas doenças já são registradas com atenção pela equipe multidisciplinar de saúde indígena. Na comunidade indígena Truarú da Cabeceira foi mencionado o modo de conservação da carne mantida pelos os mais velhos, conhecida como moquém, um tipo de defumação que com a chegada da geladeira houve uma mudança no preparo da comida e no modo em que é guardado esses alimentos. Ela ressalta a importância de manter o costume dos mais velhos por assim mantém sua cultura viva e um alimentação saudável. Conclui-se que nas comunidades indígenas há alimentos tradicionais, como a caça, pesca e os alimentos extraídos da roça são consumidos diariamente, mas a inserção de alimentos industrializados está presente nas comunidades e a há relação desses alimentos com o aparecimento de doenças, conforme a percepção dos indígenas. Também há famílias que já substituíram a produção de alimentos na roça pela compra de alimentos industrializados, devido ao poder aquisitivo oriundo dos benefícios sociais. Também as grandes secas e mudanças ambientais e climáticas que prejudicam o produção de alimentos, colaboraram para a mudança nos hábitos alimentares dessa população.

Instituições
  • 1 Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena – UFRR
Eixo Temático
  • Tema 4 - Efeitos da Insegurança Alimentar e Nutricional
Palavras-chave
mudanças alimentares
povos indígenas
saúde indígena