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Introdução: Em termos epidemiológicos, a obesidade tem sido considerada no cenário nacional como a principal manifestação de impacto sobre as condições de saúde e nutrição, resultante de uma intricada rede de processos relativos a transformações sociais, demográficas e de modo de vida sofridos na sociedade brasileira nas últimas décadas. A partir dos efeitos dessa transição nutricional, várias iniciativas em políticas públicas, no que se refere a apresentação de novas recomendações sobre alimentação, bem como a organização do cuidado nutricional no sistema de saúde passam a ser reestruturadas e construídas como referencial para os modelos de prática nesta área e em suas relações intersetoriais. Mais recentemente, autores tem reconhecido que o ambiente tem considerável influência como fator modificável da gênese, do curso e do desfecho da obesidade, surgindo o conceito de “ambiente obesogênico”. Nesta perspectiva, estudos referentes ao microambiente alimentar urbano têm buscado discutir as desigualdades em saúde na perspectiva dos diferenciais de acesso à alimentação saudável e padrões de consumo alimentar, segundo local de residência, especialmente no cenário das grandes cidades. Diante desse cenário considera-se a relevância da produção de conhecimento na área de nutrição em saúde coletiva sobre a influência ambiental na determinação de agravos nutricionais em populações vulneráveis. Objetivos: A partir do panorama apresentado, os principais questionamentos que problematizam o interesse deste estudo dizem respeito à investigação de como um ambiente urbano pode se relacionar à promoção ou proteção de alterações do estado nutricional e quais características são subjetivamente experimentadas sobre a questão alimentar, nas dimensões do acesso e consumo, bem como sua relação com o desfecho nutricional individual, em segmento da população adulta residente em diferentes regiões de Curitiba-PR. Metodologia: Estudo de caráter transversal, de abordagem quantitativa, realizado em uma das regionais administrativas da Secretaria Municipal de Abastecimento de Curitiba, a do Boa Vista. Através de entrevistas e aplicação de instrumentos de pesquisa pautados no Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), e instrumentos de escalas de imagem corporal e de satisfação corporal, além de mensuração de dados antropométricos. Resultados: A população de estudo foi composta por segmentos de adultos a partir de 18 anos de idade, usuários ativos nos Programas Armazém da Família. Dos participantes, 37% possuem escolaridade acima do ensino médio completo, 16% possui vínculos empregatícios formais e 14% está desempregado. No que se refere aos locais onde consomem suas refeições, o lar foi o ambiente mais citado: 82% referenciou consumir o café da manhã em seus lares, sendo também o almoço consumido em casa por 82% dos participantes e 64% tomam café da tarde em seus domicílios, e 51% jantam neste mesmo ambiente. Dos participantes, 31% apresentou sobrepeso e 24% obesidade. Sobre os locais onde acessam alimentos, 55% declaram adquirir seus alimentos preferencialmente em supermercados, onde a maior parte das escolhas é de produtos processados ou ultraprocessados, e o fazem (em 40% dos casos) uma vez por semana. Relataram ainda, 33% dos participantes, que é o supermercado o estabelecimento de acesso que fica mais próximo de suas residências. Apenas 24% adquire frutas e verduras em mercearias e frutarias, e 15% apenas adquirem frutas e verduras quando os mesmos estão em oferta. Ainda, 33% dos participantes alega comprar frutas e verduras em mercearias que ficam próximas a suas casas. A menor distância entre suas residências e o local de aquisição de alimentos é de 200 metros e a maior, citada pelos participantes, de 3 km. Conclusão: O consumo de alimentos in natura está diretamente relacionado à disponibilidade e a facilidade de acesso dos mesmos. Por mais que boa parte dos participantes desta pesquisa alegarem consumo de frutas e verduras, a maior parte relatou preferir os alimentos ultraprocessados disponibilizados pelos supermercados, bem como preferência por estes estabelecimentos para sua aquisição. Para muitos, a distância de seus locais de moradia e trabalho aos locais de venda de produtos in natura é condição de redução para seus consumos.
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