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Resumo

CONTEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO DOS 5 “S” AMANDA DIVINA MATIAS1; CAROLINE PEREIRA CORREA2; LORRUAMA VASCONCELOS ARAÚJO3; MARIANA CARVALHO OLIVEIRA4; JOSIANNY ALVES BOÊNO5. Palavras-chave: gestão da qualidade, controle de qualidade, interdisciplinaridade 1 Introdução Os 5 “S” é um assunto relacionado com a disciplina de controle de qualidade, oferecida nos cursos técnico em alimentos integrado ao ensino médio e também no curso superior em tecnologia de alimentos do Instituto Federal Goiano Campus Morrinhos. Os 5 “S” é uma filosofia originada no Japão, considerada como uma técnica ou uma ferramenta no Reino Unido e nos Estados Unidos (Osada,1991; Hirano, 1995). Grande parte da literatura ocidental ainda reconhece como os 5 “S” sendo o "housekeeping" (Ahmed & Hassan, 2003; Becker, 2001; Chin & Pun, 2002; Eckhardt, 2001). Também é considerado um sistema para reduzir o desperdício e otimizar a produtividade e a qualidade através da manutenção de trabalho ordenado e utilizando sinais visuais para alcançar resultados operacionais mais consistentes (Bayo-Moriones et al., 2010). A prática dos 5 “S” visa incorporar os cinco conceitos para um ambiente de qualidade total (Osada, 1991). Esses conceitos são: utilização (Seiri), organização (Seiton), limpeza (Seiso), padronização (Seiketsu) e disciplina no local de trabalho (Shitsuke), na configuração básica já existente, e é tipicamente o primeiro método implementado pelas empresas (Bayo-Moriones et al., 2010). Não basta a um profissional da área técnica ter um bom conhecimento de seu trabalho se não souber colocá-lo em prática. Para muitos educadores e escolas, mudar a prática pedagógica é um obstáculo a enfrentar, pois sair do habitual provoca certa insegurança. Apesar de conceitos como contextualização, temas transversais e interdisciplinaridade estarem presentes na vida de cada professor, torná-los parte do contexto de sala de aula ainda é um desafio que tem que ser discutido tanto na formação geral quanto na área técnica. O tratamento contextualizado do conhecimento é o recurso que a escola tem para retirar o aluno da condição de espectador passivo (BRASIL, 1998). A contextualização visa dar significado ao que se pretende ensinar para o aluno, auxilia na problematização dos saberes a ensinar, fazendo com que o aluno sinta a necessidade de adquirir um conhecimento que ainda não tem (RICARDO, 2003). Contextualização curricular é fundamental para motivar nossos alunos. Se, como educadores, conseguirmos levar para a sala de aula situações que permitam ao educando estabelecer relações com sua vida e, consequentemente, identificar-se com os conteúdos, conseguiremos maior interação com a turma. A escola deve contribuir para a formação do aluno vendo-o como pessoa, crítico e reflexivo frente à realidade em que vive. Portanto, as várias estratégias de ensino devem permitir a significação da aprendizagem, e a contextualização mostra-se como uma boa possibilidade de dinamizar o ensino, envolvendo mais os alunos com um conhecimento científico relacionado ao seu cotidiano (Boêno et al., 2014). Outra ferramenta possível de ser utilizada em sala de aula é a aplicação de seminários. A exposição oral representa um instrumento de transmissão de diversos conteúdos e, “sobretudo para aquele que o prepara, o apresenta, a exposição fornece um instrumento para aprender conteúdos diversificados, mas estruturados graças ao enquadramento viabilizado pelo gênero textual” (DOLZ et al, 2004). Conforme atestam os PCNEM, à escola não cabe a tarefa de garantir o amplo uso da linguagem fora de seus limites; porém, é de sua responsabilidade oferecer instrumentos aos alunos que lhes permitam “competir em situação de igualdade com aqueles que julgam ter o domínio social da língua” (PCNEM, 2000). Sabendo disso, teve-se como objetivo neste trabalho considerar os interesses da vida profissional dos alunos para além das práticas habituais, estimulando os estudantes a trabalhar em equipe, discutir e aplicar os 5 “S” em diferentes ambientes do cotidiano e avaliar os resultados dessa aplicação por meio de fotografias. Além disso objetivou-se também a exposição oral desses resultados, por meio de seminários, afim de estimular os estudantes a falarem em público, ajudando no aprimoramento profissional. 2 Metodologia Foi proposto aos estudantes do 4° período do Curso Superior em Tecnologia de Alimentos, do Instituto Federal Goiano, Campus Morrinhos, da disciplina de Controle de Qualidade, que se organizassem em grupos, definissem um local para a aplicação do programa 5 “S”, definissem as estratégias para a aplicação do programa e em seguida mostrassem o antes e o depois da implantação dos 5 “S” por meio de fotografias ou filmagem. Ao final do semestre letivo, houve a apresentação dos trabalhos desenvolvidos em forma de seminários e entrega dos trabalhos manuscritos, que foram avaliados pela professora e pelos próprios estudantes. Os melhores trabalhos seriam submetidos a um evento científico para a divulgação dos resultados. 3 Desenvolvimento O primeiro passo utilizado pelos grupos foram decidir em equipe onde seria a aplicação da metodologia 5 “S”. Um dos melhores trabalhos apresentados optou por melhorar o funcionamento de uma distribuidora de gás e água, localizada na cidade de Cromínia-GO, com a implantação do 5S, no departamento técnico do mesmo. Segundo eles, seria uma forma de aplicar a teoria à prática profissional mais próxima do curso que eles cursavam e mais próximo ao cotidiano deles, por aproveitar o ambiente profissional de uma das estudantes. Escolhido o local, registaram por meio de fotografias e vídeos, a situação inicial do objeto de estudo e seguiram para a aplicação do primeiro S, o Seiri, ou seja, na eliminação de itens desnecessários do local. Separou-se objetos, documentos e dados em necessários ou não. Documentos muito antigos, cabos de internet que não funcionavam, telefones estragados, boletos já pagos foram descartados em locais apropriados. Em seguida, concentrou-se no Seiton, criaram métodos eficientes de armazenamento, de modo que facilitassem a utilização. Os itens necessários para realização das atividades foram arrumados de modo que tivesse acesso rápido e fácil. Primeiramente foi feita a padronização e ordenação dos materiais, no armário, as caixas onde ficavam documentos tais como: notas fiscais, materiais promocionais e outros foram devidamente etiquetados, possibilitando um acesso rápido às informações. Os objetos foram classificados segundo sua utilidade e frequência de uso, aqueles que eram usados frequentemente foram colocados ao alcance das mãos para uso imediato. A limpeza do local (Seiso), foi o próximo passo. A limpeza diária é necessária para manter as melhorias. Foi feito a limpeza do departamento, estabelecendo um local apropriado para a jogada de todo e qualquer lixo. Também foram estabelecidas normas para limpeza, sua frequência e responsável, além de ser estabelecido o dia da limpeza. Uma vez que os três primeiros 5 “S” foram implementadas, o próximo pilar foi a padronização (Seiketsu), a melhor prática na área de trabalho. A disciplina no local de trabalho (Shitsuke), se dá tornando o hábito de manter adequadamente correto os procedimentos, é muitas vezes o mais difícil “S” para implementar e alcançar. Alterar comportamentos enraizados pode ser difícil, e é muitas vezes a tendência para regressar ao Status quo da zona de conforto da "maneira antiga" de fazer as coisas (Bayo-Moriones et al., 2010). Para isso, foi preconizada a manutenção da segurança no ambiente, bem como as condições de higiene, asseio e bem-estar dos colaboradores. No Senso de Autodisciplina, caracterizado pela educação e compromisso dos colaboradores, se refere à manutenção de todos os outros sensos já implantados e a busca constante por melhorias, que inicialmente já foram implantadas. Sendo assim, foi aplicado um pequeno treinamento em relação às práticas do 5S, enfatizando a importância do mesmo para o local de trabalho. Este senso possibilitou colaboradores mais motivados. Após a aplicação dos 5 “S” no local escolhido, foram registrados por meio de fotografias e vídeos o resultado de todo o trabalho. A diferença nas fotografias do antes e depois da aplicação da metodologia dos 5 “S” foi notável, nos dois casos. Além disso houve uma apresentação de trabalho manuscrito e apresentação em classe, onde os alunos destacaram as vantagens da utilização dos 5 “S” em diferentes locais de aplicação. 4 Considerações Finais Foi possível concluir que o ensino dos 5 “S” por meio de aplicação prática, mostrou ser atrativa aos alunos, pois motivou-os aos estudos e despertou o interesse no desenvolvimento de uma aplicação prática fora da sala de aula. Acredita-se que isso possa ter ocorrido porque foram considerados os interesses da vida profissional dos alunos no desenvolvimento das aulas, saindo do habitual, em que cada disciplina era ministrada de forma isolada e restrita ao livro didático. Além disso, o debate das recentes tendências do mercado de alimentos relacionadas ao controle de qualidade e a aplicação dos 5 “S”, durante o seminário realizado pelos alunos, foi bastante produtivo e despertou o interesse dos estudantes. A implantação do 5S foi fácil e simples e trouxe benefícios imediatos, porém seu sucesso depende principalmente do envolvimento de todos os colaboradores da empresa. No início, observou-se grande resistência em relação a mudanças de hábitos, mas a empresa correspondeu de forma positiva à implantação do programa, no qual pode refletir futuramente nos outros departamentos. 5 Referências AHMED, S.; HASSAN, M. Survey and case investigations on application of quality management tools and techniques in SMIs”, International Journal of Quality & Reliability Management, v. 20, n. 7, p. 795-826, 2003. BAYO-MORIONES, A.; BELLO-PINTADO, A.; CERIO, J. M-D. 5S use in manufacturing plants: contextual factors and impact on operating performance, International Journal of Quality & Reliability Management, v. 27, n. 2, p. 217-230, 2010. BECKER, J.E. Implementing 5S to promote safety and housekeeping, Professional Safety, v. 46, n. 8, p. 29-31, 2001. BOÊNO, J.A.; OLIVEIRA, J.F.A.C.; RIBEIRO, E.A.; COSTA, P.M. A embalagem como estratégia de diferenciação dos produtos. Eja em Debate, Florianópolis, v. 3, n. 5, p.197-204, dez. 2014. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998. CHIN, K.S.; PUN, K.F. A proposed framework for implementing TQM in Chinese organizations, International Journal of Quality & Reliability Management, v. 19, n. 2/3, p. 272. 2002. DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B.; DE PIETRO, J-F. A exposição oral. In: ROJO, R.; CORDEIRO, G.S. (org. e trad) Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2004, p. 41-70. ECKHARDT, B. The 5-S housekeeping program aids production, Concrete Products, v. 104, n. 11, p. 56, 2001. HIRANO, H. 5 Pillars of the Visual Workplace, Productivity Press, Portland, OR. 1995. OSADA, T. The 5S: Five Keys to a Total Quality Environment, Asian Productivity Organisation, Tokyo. 1991. ____. Parâmetros Curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: MEC/SEMT, 2000. RICARDO, E.C. Implementação dos PCN em sala de aula: dificuldades e possibilidades. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 8-11, 2003.

Instituições
  • 1 Instituto Federal Goiano
Eixo Temático
  • Tema 2 - Produção Sustentável e Processamento de Alimentos
Palavras-chave
Gestão da qualidade
Controle de qualidade
Interdisciplinaridade