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APRESENTAÇÃO A experiência fez parte do Projeto “Entre a terra e o mar: o pescado como forma de promoção da educação alimentar e nutricional da população de Matinhos/PR”, Processo 407537/2012-0, Chamada CNPq/MDS-SESAN N º 027/2012. O projeto contemplava o desenvolvimento de tecnologias sociais em Educação Alimentar e Nutricional (EAN) voltadas à promoção da alimentação adequada e saudável, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem potencial de transformação social e teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de ações promotoras de saúde que promovam a educação alimentar e nutricional da população de Matinhos; valorizando e respeitando-se a diversidade cultural e práticas que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis, com vistas a promoção da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e da garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada. O espaço da escola permite interações e mudanças em termos de comportamento, possibilitando um local para a adoção e manutenção de estilos de vida, assim como é um espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações de melhoria das condições de saúde e do estado nutricional das crianças, sendo um setor estratégico para a concretização de iniciativas de promoção da saúde. O Curso de Extensão teve como objetivo nortear as ações de Educação Alimentar e Nutricional a serem desenvolvidas em sala de aula pelos educadores/professores dos Centros de Educação Infantil do Município de Matinhos/PR, ao longo do ano letivo e promover esclarecimentos sobre conceitos relacionados à alimentação e nutrição. A educação alimentar e nutricional deve compreender o indivíduo como parte da realidade social com manifestações culturais e simbólicas, fruto de sua história e visão de mundo e, deve-se desconstruir modelos e reconstruí-los a partir da discussão, criando desejo de mudança através de estratégias que valorizem a cultura, respeitando as necessidades, mas que também sejam capazes de modificar crenças, valores e práticas envolvendo a alimentação (SANTOS, 2012). DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA A construção da uma proposta educativa problematizadora, baseada em metodologias ativas, seguiu os passos metodológicos propostos por Charles Maguerez, conhecido como Arco de Maguerez (BORDENAVE; PEREIRA, 2004) que englobaram: 1.OBSERVAÇÃO DA REALIDADE: este é o momento inicial do planejamento das ações e é necessário para o reconhecimento da cultura e práticas alimentares das comunidades. Neste momento também será elencado as atividades educativas já realizadas pelos professores, bem como a avaliação do estado alimentar e nutricional dos escolares envolvidos na proposta; 2.PONTOS CHAVES: após a realização do diagnóstico inicial serão levantadas questões relevantes que gerem a necessidade de proposições de ações que estimulem a prática alimentar saudável. A identificação do público alvo é fundamental para a construção do plano de ação (próximo passo), bem como quais são os pontos chaves a serem trabalhados; 3.CONSTRUÇÃO DO PLANO DE AÇÃO: nesta fase ocorre a apropriação e ampliação do referencial conceitual, com discussão e elaboração de cronograma de atividades a serem desenvolvidas com os escolares. Aqui se define os objetivos da ação proposta bem como a seleção dos conteúdos adequados e a metodologia a ser trabalhada baseada nos pressupostos crítico-reflexivos; 4.ANÁLISE DE VIABILIDADE: nesta fase será executado um projeto piloto, avaliando a viabilidade das propostas educativas apresentadas e procedendo as adequações, quando necessário; 5.APLICAÇÃO À REALIDADE: envolve a aplicação à realidade, possibilitando a adoção de hábitos alimentares saudáveis com avaliações frequentes do desenvolvimento das ações. A capacitação ocorreu de no 2º semestre de 2015, no Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná em Matinhos/PR e foram abordadas as temáticas de: 1 - Segurança Alimentar e Nutricional, Direito Humano à Alimentação Adequada e Soberania Alimentar: Definição; como são assegurados; histórico; 2 -Insegurança alimentar: Definição; a realidade brasileira. 3 -Transição Nutricional: O paradoxo desnutrição x obesidade; histórico; dados numéricos nacionais e locais, de acordo com as pesquisas recentes; 4 - Fatores relacionados ao aumento da incidência dos casos de obesidade em crianças: Fatores culturais; influência da mídia; facilidade de acesso aos alimentos industrializados e praticidade; falta de informação adequada; sedentarismo; 5 - Alimentação Saudável: Definição; princípios; importância; fatores sociais e culturais envolvidos; macro e micronutrientes; 6 - Programa Nacional de Alimentação Escolar: Definição; objetivo; ações; responsabilidades; elaboração de cardápios; 7 - Educação Alimentar e Nutricional (EAN): Definição; instrumentos de EAN; ações possíveis a serem realizadas no dia-a-dia; atividades em sala de aula, o papel da escola e dos responsáveis pelos alunos neste contexto; 8 - Dez Passos para a Promoção da Alimentação Saudável nas escolas: Definição; objetivo; o conjunto de estratégias; 9 - Mitos e Verdades: Levantamento e esclarecimento de dúvidas sobre alimentação e nutrição. RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram da capacitação 37 educadores/professores, os quais elaboraram seis projetos com a temática de alimentação saudável e horta escolar. Esses projetos foram colocados em prática no 1º semestre de 2016 nos Centros de Educação Infantil do município. Em outubro de 2016, os frutos das atividades resultaram em um Seminário de socialização em que quatro CMEIs apresentaram os resultados e mostrando que a escola é um importante espaço de promoção de ações de segurança alimentar e nutricional. O respeito aos hábitos locais de consumo e a oferta diversificada de alimentos, estimula a aceitação dos mesmos e o hábito alimentar saudável (VIANNA; TERESO, 1997). O hábito alimentar se relaciona com fatores estruturais de uma população como cultura, regionalidade, característica produtiva —urbana ou agrícola —, e neste sentido podemos dizer que é muito menos dinâmico que o consumo. Entretanto, os dois estão intimamente ligados e interferem-se mutuamente. Ao identificar qualitativamente o hábito alimentar, o qual esta relacionado com fatores estruturais de uma população como cultura, regionalidade e característica produtiva, pode-se adequar a alimentação escolar dentro dos padrões culturais em que estes estão inseridos (GALEAZZI ; VIANNA ; ZABOTTO, 1995). A alimentação reflete a riqueza e a complexidade da vida humana em sociedade, em que os hábitos e práticas alimentares de um ser humano, de sua família e de sua comunidade são um produto da história e da vida de seus antepassados, um reflexo da disponibilidade de alimentos e de água na localidade onde residem, e de sua capacidade econômica e física de ter acesso aos mesmos (VALENTE, [S.d.]). A formação dos hábitos alimentares se processa de modo gradual, sendo necessário que as mudanças de hábitos inadequados sejam alcançadas no tempo certo e que estas sejam realizadas sob orientação. Nestas orientações devem estar envolvidos os valores culturais, sociais, afetivos/emocionais e comportamentais, que precisam ser cuidadosamente integrados às propostas de mudanças (BRASIL, 2005). A alimentação saudável, considerando-a como direito humano, envolve aspectos alimentares que garantam condições biológicas, sociais e culturais dos indivíduos, de acordo com as fases do curso da vida e com base em práticas alimentares que assumam os significados socioculturais dos alimentos (CUNHA et al., 2010). A comida também está relacionada com um significado social, pois cada vez mais a criança vai explorando o alimento observa e sente as formas, as texturas, os sabores e os aromas. Aos poucos, vai se tornando mais ativa durante as refeições. Portanto, esta fase é um excelente momento para a formação de hábitos alimentares saudáveis que respeitem as características de cada criança (SILVA et al., 2010), proporcionando contato com os diversos aspectos sensoriais que a alimentação proporciona. CONSIDERAÇÕES A realização deste trabalho vem ao encontro das propostas apresentadas na II e na III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (BRASIL, 2004, 2007) e no Marco de Referência da EAN para as Políticas Públicas (BRASIL, 2012), contribuindo com a promoção da soberania alimentar e da segurança alimentar e nutricional (SSAN), estimulando a uma alimentação saudável na escola, o consumo de alimentos que fazem parte da cultura alimentar local, além de promover o desenvolvimento de hortas no ambiente escolar. REFERÊNCIAS BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Princípios e Diretrizes de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília: Consea, 2004. p. 1-81. BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: Documento Base. Brasília, 2007. p. 1-39. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. COORDENAÇÃO GERAL DA POLÍTICA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO. Guia alimentar para a população brasileira: Promovendo a alimentação saudável. Brasília, 2005. p. 1-236 BRASIL. O MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME. Marco de Referência da EAN para as Políticas Públicas. Brasília: MDS; Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2012. Disponível em: <https://ideiasnamesa.unb.br/files/marco_EAN_visualizacao.pdf> Acessado em: 23 jan. 2019. BORDENAVE, J.D.; PEREIRA, A.M. Estratégias de Ensino-aprendizagem. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. CUNHA, E. Da;; SOUSA, A. A. De e MACHADO, N. M. V. A alimentação orgânica e as ações educativas na escola : diagnóstico para a educação em saúde e nutrição. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, n. 1, p. 39-49, 2010. GALEAZZI, M.A.M.; VIANNA, R.P.T.; ZABOTTO, C.B. Aplicação das recomendações da Fundação de Assistência ao Estudante na gestão do programa de alimentação escolar — o caso de Campinas. Em Aberto, v. 15, n. 67, p. 116-123, 1995. SANTOS, L.A.S. O fazer educação alimentar e nutricional: algumas contribuições para reflexão. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 2, p.455-462, fev. 2012. SILVA, A.C.A.; TELAROLLI JÚNIOR, R.; MONTEIRO, M.I. Analisando conhecimentos e práticas de agentes educacionais e professoras relacionados à alimentação infantil. Ciência & Educação, v. 16, n. 1, p. 199-214, 2010. VALENTE, F. L. S. Segurança Alimentar e Nutricional: transformando natureza em gente. Disponível em: <https://www.pjf.mg.gov.br/conselhos/comsea/publicacoes/artigos/arquivos/... Acessado em: 31 mar. 2018. VIANNA, R.P.T.; TERESO, M.J.A. Análise do Programa de Merenda Escolar em Campinas. Revista Cadernos de Debate, v. V, p. 46-76, 1997.
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