A SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E O DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL EM FORMA DE CENOPOESIA

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Oral
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Resumo

Promover a Segurança Alimentar e Nutricional é uma responsabilidade do Estado mediante a construção de políticas públicas participativas e democráticas capazes de garantir a realização do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável para todos. Historicamente, o ser humano desenvolveu uma relação com o processo alimentar, transformando-o em um ritual de produção, compartilhamento, criatividade, partilha e solidariedade entre seres humanos (culturas) e a natureza. Na sociedade moderna, frente às relações de consumo e a velocidade em que a informação é recebida e transmitida, esta relação se rompeu e a noção de onde verdadeiramente vêm os alimentos vem sendo perdida ou até desconhecida. Sendo assim, é fundamental resgatar o reconhecimento de todo o processo envolvido desde a produção até o consumo dos alimentos, frente a lógica de produção do sistema agro-alimentar vigente, para gerar consciência política e perceber a importância da participação social na defesa do cumprimento do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável no Brasil. A experiência aqui relatada trata-se de uma possibilidade lúdico - pedagógica denominada Cenopoesia, realizada no âmbito de um Curso de Formação em Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável (DHAAS), construído dentro do Projeto de Extensão e Ação Continuada (PEAC) “MultiplicaSAN - Promovendo uma cultura de direitos” do Departamento de Nutrição da Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da Universidade de Brasília (UnB). Este Curso foi planejado, realizado e avaliado por uma equipe de cinco estudantes e professoras da UnB, bem como três nutricionistas colaboradoras do Projeto, com o objetivo de problematizar a percepção da SAN e do DHAAS no contexto da promoção da cidadania para revelar o seu potencial simbólico de significados capaz de impulsionar a transformação dos sujeitos envolvidos e provocar a formação de multiplicadores no contexto da cultura de direitos na sociedade contemporânea. A base teórica e metodológica que conduziu a construção deste Curso de Formação correspondeu à Educação Popular, que se orienta a partir de pressupostos da abordagem de Paulo Freire, como a compreensão do ser social como sujeito de sua própria história, o reconhecimento do contexto social como elemento-chave, a dialogicidade como eixo estruturante das práticas pedagógicas e organizativas, a amorosidade como elemento agregador das relações sociais e a discussão a partir de temas geradores (Freire, 1967; 1970). O grupo de participantes do Curso foi composto majoritariamente por mulheres do município de Colinas do Sul, localizado no estado de Goiás, com diferentes atuações e/ou papéis na sociedade (donas de casa, cozinheiras, merendeiras, auxiliares na escola municipal, profissionais de saúde, etc). Os sete encontros aconteceram entre abril e junho de 2018, em sábados alternados, em uma escola pública de Colinas do Sul, para a realização das atividades propostas. Os temas geradores trabalhados nas atividades foram: Sistema Alimentar, Circuitos Alimentares, Exigibilidade de Direitos, Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), Políticas Públicas e, ainda, Democracia e Cidadania, totalizando 64 horas aula. Para esse relato de experiências apresentaremos uma das construções pedagógicas dos nossos encontros - a Cenopoesia, “uma maravilhosa invenção do poeta e escritor Ray Lima, que é uma "misturança" das diversas linguagens artísticas que se interfaceiam para materializar o que o autor concebe como cenopoesia” (BRASIL 2013, p.9). Escolhemos a cenopoesia como expressão porque, assim como diz Pedro José Santos Carneiro Cruz (BRASIL 2013, p.15), “foi por meio da cenopoesia que passamos a entender de modo mais aprimorado como as palavras, os cantos, os encontros, os abraços e os atos simples poderiam expressar um milhão de coisas do que é a educação popular de modo vivo, vibrante, tocante e expressivo”. A Cenopoesia chegou até a equipe do projeto no decorrer do planejamento (e constante re-planejamento) do Curso. Considerando as experiências vivenciadas, a identificação com a proposta pedagógica foi imediata, pois a partir do diálogo indicou uma forma de expressão diferenciada e capaz de produzir um material que reverbera e concretiza a riqueza dos processos e dos aprendizados construídos. Esta Cenopoesia foi construída tendo como base os registros das falas (indagações, conversas, discussões) de todas as pessoas envolvidas, isto é, tanto daquelas incríveis mulheres de Colinas do Sul quanto da equipe, durante o penúltimo encontro do Curso, que tratou sobre Políticas Públicas, SISAN e os conceitos de Cidadania e Democracia. Foi solicitada a permissão de todas as participantes do Curso para que pudéssemos levar a construção delas (e nossa) de volta para Brasília, e construir um texto poético que traduzisse a vivência ali expressada. Esta oportunidade foi destacada como forma de registro para contar aos outros (e a nós mesmas) o que vimos, ouvimos e vivemos colaborativa e amorosamente. A experiência foi emocionante e correspondeu a um belo momento de entrega e partilha. Além disso, a Cenopoesia, com uma linguagem poética, colaborou para a produção de significação subjetiva dos aprendizados e ajudou a equipe a analisar/avaliar indiretamente, por meio de uma narrativa simbólica, a qualidade do processo pedagógico construído nos temas trabalhados: democracia e cidadania, temas de fundo das práticas sociais que ancoram a compreensão da alimentação como um ato político. A poesia foi lida e entregue ao grupo na cerimônia de formatura/encerramento do curso. A poesia elaborada é apresentada, abaixo, como uma produção coletiva da turma do Curso de Extensão “MultiplicaSAN: Formação de multiplicadores de Segurança Alimentar e Nutricional” do primeiro semestre de 2018. A SAN E O DHAAS Hoje, Artigo 6 Da Constituição O Direito Humano À Alimentação A Gente Tem Direito À Comida Comida De Verdade Vantagem É Comer Verdura Cuidada Com Carinho Mas Na Plantação Cana, Soja, Milho Vocês Não Tem Noção Da Danura Mas Será Que As Pessoas Que A Gente Tem Que Recorrer Sabe Que A Gente Tem Esses Direitos? E A Dificuldade De Conseguir As Coisas Por Direitos Não É Melhor Quetar E Continuar Comendo Veneno? Nããããããoooo O Que Você Faz Então? Estudo Sobre Política Participo Do Governo Percebo Que Tenho Direitos Voto Eu Cumpro Os Meus Deveres Corro Atrás Dos Meus Direitos Voto Uno As Pessoas Fazemos Algo Pelos Nossos Direitos Voto Mostro Que A Coletividade É Importante Participo Ativamente Das Decisões Políticas Voto Penso Nas Pessoas Meu Direito É Respeitado Políticas Públicas Voto A Sabedoria Fortalece O Dever E O Direitos De Todos Na Sociedade Valorizo O Ensino Público Com Responsabilidade Social Referências Bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. De sonhação a vida é feita, com crença e luta o ser se faz: roteiros para refletir brincando: outras razões possíveis na produção de conhecimento e saúde sob a ótica da educação popular / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, Departamento de Apoio à Gestão Participativa – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967. FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.

Instituições
  • 1 Universidade de Brasília
Eixo Temático
  • Tema 1 - Direito Humano à Alimentação Adequada
Palavras-chave
direito à alimentação
educação popular
cenopoesia