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Apresentação/Introdução Os atos suicidas vêm se revelando ao mundo com uma tendência de aumento. Isolamento social, ansiedade, estresse crônico e dificuldades econômicas aumentariam a vulnerabilidade dos sujeitos, podendo induzir populações, e especialmente masculina, a atos suicidas. O município de Diadema, em 2020, escolhido como campo de estudos, mostra um cenário , com aumento no número de suicídios para aquele ano, apontando para uma hipótese de que para além das taxas que vêm sendo constatadas, poderiam haver aspectos associados a processos subjetivos destacando-se a necessidade de pensar o campo da interação entre demografia, saúde mental, gênero e masculinidades, pouco considerados nos estudos de uma maneira geral. Adicionalmente, o próprio tema da qualidade dos registros de mortes durante uma epidemia podem ser considerados como um tema de altíssima relevância. Objetivos 1. Contribuir com a compreensão de questões de saúde coletiva: o suicidio imerso no contexto de emergencia sanitaria., 2. Ampliar e renovar estratégias de investigação, aprimorando articulações locais, promovendo aprendizagens, especialmente no campo dos determinantes sociais de saúde, seu impacto sobre a saúde mental e o favorecimento de intercambios interregionais Metodologia Pesquisa qualitativa , foi realizada no municipio de Diadema, Foram definidos como objetos de investigação as 30 mortes por suicidio ocorridas no municipio de Diadema durante o ano de 2020, ano inicial pandemia do COVID19. A cada morte identificada buscou-se pessoas que poderiam ser entrevistadas para recompor o processo de morte de cada um dos casos . As entrevistas foram realizadas a partir de um roteiro previamente definido, A equipe de pesquisadoras, profissionais do SUS e conhecedoras da cidade de Diadema, fez o trabalho presencialmente ou on line e todas as entrevistas foram gravadas e transcritas, e os dados introduzidos em programa especificamente estabelecido para tanto, MAXQDA. Usou-se roteiro previamente preparado, e foram gravadas, transcritas e analisadas com apoio de programa digital específico, incorporando teoricamente as vertentes teóricas relacionadas ao campo das subjetividades, gênero e masculinidades. Resultados e discussão Os dados evidenciam que no registro de 30 mortes, apenas 4 mortes foram de mulheres, correspondendo ao perfil sempre encontrado nas estatísticas, ou seja um conjunto muito maior de óbitos de homens do que de mulheres, o que também coloca questões de gênero e de cuidado. De uma maneira geral o projeto mostra a dificuldade de formulação de muitas comunidades familiares e até institucionais de se obter "consenso "sobre o fato ocorrido "suicidio", havendo muitas versões e contraversões em torno de alguns casos; revela os impactos que as comunidades sofrem a partir da realização de um suicidio, nao apenas no ambito familiar, mas da comunidade, local e também e talvez especialmente entre os próprios profissionais de saúde; evidencia possíveis processos de solidão no momento da realização do ato; assim como dificuldades de acesso e de atuação da familia e do próprio serviço de saúde, revelando frustração e impotencia diante dos fatos. Muito embora a situaçao de isolamento gerada pela pandemia do COVID19, parece ter tido algum tipo de impacto sobre alguns dos casos, os dados parecem indicar que as dificuldades psíquicas estariam instaladas de maneira anterior ao processo COVID19. Serão apresentados dados gerais do grupo estudado e 4 estudos de casos, de um adolescente do sexo masculino, , de uma mulher jovem puérpera, de um adulto do sexo masculino com relaçoes homoafetivas e de um adulto do sexo masculino com relações heteroafetivas Conclusões/Considerações finais É muito complexo o processo de buscar dar vida a quem executa a autoviolência de maneia fatal A tendencia social de manter os dados de pesquisa em torno apenas dos números e dos fatos obtidos, parece querer indicar uma necessidade de negação ou de esquecimento da morte em varios níveis, desde a família, comunidade e até das próprias equipes e serviço de saúde Ainda que o processo revele as limitações de processos de contenção do ato suicida, torna-se muito difícil ultrapassar os processos de culpa individual, familiar e até mesmo institucional. As emergencias sanitarias podem dificultar ainda mais o acesso e a presença de equipes de saúde dificultando a execuçao da mesma rotina e intensidade de cuidados Apresentação/Introdução O fenômeno do suicídio é um grave problema de saúde pública mundial. De acordo com o último relatório temático da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2019), mais de 700.000 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Entre 2010 e 2016, a taxa global de ocorrências diminuiu em todas as regiões do mundo, com exceção das Américas, que seguiu em curva ascendente (OMS, 2019). Como as vulnerabilidades, a interseccionalidade e os condicionantes sociais da saúde podem influenciar os modos de viver, morrer e matar-se? O ato suicida corresponde a um ato de autonomia? Que conceito de autonomia está em jogo nesse debate? O suicídio manifesta-se como resistência, um ato descolonizador ou pertencente à performance subjetiva neoliberal? Pode ser o sujeito negligenciado, conduzido ou induzido à morte? Os sujeitos podem ser suicidados pela sociedade? Como garantir e efetivar políticas públicas de cuidado, prevenção e posvenção do suicídio? Levando em consideração o contexto colonial-neoliberal brasileiro e o estatuto do sujeito sofrente, esse trabalho analisa os estatutos que balizam a disputa discursiva em torno do suicídio, desde uma crítica à interpretação individualizante e medializante à leitura do suicídio como um ato relacional. Objetivos Objetivou-se produzir uma análise bioético-política e interseccional acerca do fenômeno do suicídio no Brasil.
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