PERCEPÇÕES MATERNAS SOBRE OS CUIDADOS PATERNOS DE CRIANÇAS COM SCZV

Vol. 2, 2023 - 181764
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução A crise imposta pelo Zika parece cronificar a divisão sociossexual do trabalho a partir da produção da SCZV, provocando ainda mais desigualdades entre homens e mulheres ao destacar o protagonismo de mulheres nos cuidados com as crianças. Esta produção é um subproduto de uma pesquisa interessada nos cotidianos de trabalhos produtivo e doméstico de mães de crianças com SCZV e se debruça sobre a percepção materna sobre os cuidados paternos. Objetivos Conhecer as percepções maternas acerca do cuidado paterno de crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV) a partir das suas interações intersubjetivas cotidianas com estes e compreender como, a partir destas, elas contribuem para manter, transgredir ou reproduzir a dinâmica da divisão sexual do trabalho. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base fenomenológica, desenvolvida a partir de entrevistas semiestruturadas e em profundidade com 15 (quinze) mulheres usuárias de uma importante ONG baiana sobre a temática de cuidado de crianças com deficiências, escolhidas a partir de critérios de participação específicos. Resultados e discussão Três categorias de análise foram construídas, agrupando as percepções, sendo a) o cuidado paterno do tipo “profissional”, mulheres qualificam os pais como realizadores de ações pontuais, distantes afetivamente e com menor sobrecarga; b) o cuidado de “retaguarda”: os pais estão realizando funções que às vezes não estão ligadas diretamente a criança (comprar remédios, pagar escola, dirigir). Quando realizam ações diretas, fazem após os cuidados maternos; c) Para elas, há uma “natural” incapacidade masculina para as demandas emocionais do cuidado, sendo fracos para aguentá-las, embora sejam “fortes” para suportarem tarefas que exijam força física (empurrar a cadeira de rodas). Conclusões/Considerações finais As percepções e ações femininas contribuem para a pujância da figura materna nas vidas infantis, a partir da visão “natural” acerca da atuação dos pais nos cuidados infantis. Há admiração das ações paternas de cuidado que se dão a partir de novas parentalidades contemporâneas, embora elas desejam uma participação mais ativa destes. Faz-se necessário estudos com famílias diferentes das tradicionais, com a finalidade de observar como opera “gênero” na divisão dos cuidados de crianças com deficiências. Apresentação/Introdução O suporte de pares é um conceito que se baseia na ideia de que indivíduos que vivenciaram experiências semelhantes podem oferecer apoio, compreensão e orientação uns aos outros. Com crescimento expressivo no campo da saúde mental, esse tipo de iniciativa é marcado pela conexão, empatia, suporte e encorajamento mútuo dos indivíduos. A perspectiva central desse tipo de abordagem é que através do compartilhamento de experiências pessoais, os participantes do suporte de pares possam encontrar conforto, validar seus sentimentos e obter uma perspectiva diferente sobre suas situações. Considerando seu potencial reabilitatório, uma proposta de implementação dessa estratégia na Rede de Atenção Psicossocial de Campinas-SP vem tomando corpo nos últimos anos. Trata-se de uma iniciativa em fase de pré-implementação, onde aspectos como a aceitabilidade dessa proposta estão sendo avaliados. A aceitabilidade está relacionada à forma como a intervenção é vista em termos de relevância, coerência e compatibilidade com os valores, crenças e necessidades das pessoas envolvidas. Avaliar a aceitabilidade permite identificar possíveis resistências, preocupações ou ajustes necessários na intervenção para garantir que ela seja bem recebida e considerada valiosa. Objetivos O objetivo desse estudo foi identificar as percepções de profissionais e usuários de Centros de Atenção Psicossocial sobre a implementação do suporte de pares enquanto estratégia reabilitatória na Rede de Atenção Psicossocial de Campinas-SP.

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Eixo Temático
  • CT 14 - Gênero, cuidado e emergências sanitárias