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Apresentação/Introdução O presente estudo consiste em um projeto de pesquisa do mestrado acadêmico vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná, o qual pretende analisar por meio de uma investigação teórico-bibliográfica a determinação/etiologia da audição de vozes. Para tanto, será utilizado do campo da Saúde Coletiva articulado ao paradigma de Atenção Psicossocial, a Teoria da Determinação Social do Processo saúde-doença como fundamentos teórico-metodológicos para análise e fundamentação teórica dos dados obtidos. A experiência de ouvir vozes não é algo recente. Há muito tempo, na história, são relatados casos de pessoas que passam por essa experiência. Como aponta Couto e Kantorski (2018), existem exemplos que datam de vários milênios e muitas vezes foram associados à espiritualidade, criatividade e insight filosófico, graças ao fato de ter acontecido com pessoas altamente reconhecidas pela sociedade (WOODS, 2013 apud COUTO; KANTORSKI, 2018). Em vista do ganho de maior relevância do tema e de um crescimento do número de pesquisas realizadas, sabe-se que apesar das pessoas que possuem diagnóstico de esquizofrenia ouvirem vozes, boa parte dos ouvidores não possui o transtorno, sendo considerados muitas vezes indivíduos saudáveis que não utilizam serviços de saúde mental (RITSHER ET AL., 2004 apud COUTO, KANTORSKI, 2018). A partir dessas investigações tornou-se necessário desenvolver alternativas para lidar com este fenômeno. De modo que fosse possível dar conta de todos os sentimentos negativos relacionados a essa experiência, como a angústia, o estresse, a desvalia e a incapacidade. É com esse intuito que tanto ouvidores de vozes como os profissionais de diferentes áreas da saúde vêm trabalhando no Movimento de Ouvidores de Vozes, na intenção de construir referenciais para apresentar que a audição de vozes não seja necessariamente vista como sintoma biomédico, mas passe a ser compreendida como uma experiência humana (COUTO, KANTORSKI, 2018). Objetivos Assim, a pesquisa tem como objetivo geral elucidar os processos pelos quais se configura a determinação social da saúde mental de ouvidores de vozes através da identificação de aspectos no campo da particularidade e da história de vida, que acabam levando a uma maior produção de adoecimento psíquico. Este estudo consiste em uma revisão de literatura, com base nos descritores alucinações, etiologia, ouvidores de vozes. Nota-se a necessidade de pesquisas que elucidem quais são, e como manejar as determinações mais gerais da realidade social da classe trabalhadora brasileira (com recortes de gênero, faixa etária/geração, cor/etnia, inserção profissional) que atuam na produção dos processos de saúde-doença. Metodologia A etapa na qual o estudo se encontra consiste na realização de um levantamento e identificação de fontes para composição de acervo de publicações. Assim, foi realizada uma revisão de literatura utilizando os descritores “alucinações/etiologia” e “ouvidores de vozes” e seus correlatos em português, inglês, espanhol, aplicados em quatro bases de dados: Portal de pesquisa BVS, Embase, Scopus e Pubmed. Após a leitura de títulos, obteve-se o total de 400 artigos que abordaram o tema relacionado às determinações ou etiologia do fenômeno de audição de vozes. A leitura dos resumos está sendo realizada. O presente projeto de pesquisa foi aprovado pelo CEP/SD/UFPR, no entanto ainda está em tramitação no Comitê de Ética em Pesquisa da SMS de Curitiba. Resultados e discussão Os resultados poderão contribuir com a produção de conhecimento para o aprimoramento das políticas de saúde mental, com vias à proteção e promoção da saúde mental e do desenvolvimento humano integral. Mediante maior compreensão da determinação social da saúde-doença mental entende-se que o estudo pode contribuir também para mudanças nas atuações multiprofissionais, por exemplo no fortalecimento das práticas de cuidado na rede de atenção psicossocial e intersetorial. Conclusões/Considerações finais Na sociedade capitalista há um conjunto de condições postas que incitam situações de insegurança e desamparo, além dos significados sociais estigmatizantes sobre a loucura, o que possibilita formular a hipótese da relação disto com a vivência das vozes como ameaçadoras, controladoras, intrusivas, punitivas. Nota-se que experiências de grupos de ajuda mútua possibilitam a construção de espaços mais coletivos, com ampliação da rede de apoio, construção de espaços de pertencimento e escuta das vozes. Este trabalho visa contribuir com o campo de pesquisa em saúde coletiva, em defesa de um projeto antimanicomial nas políticas e práticas em saúde mental e coletiva. Contextualização O ano de 2023 marca a realização da 17a Conferência Nacional de Saúde, das etapas estaduais e municipais, além das conferências livres temáticas, com destaque para o debate acerca do fortalecimento da equidade no SUS. Neste contexto, a Frente Nacional pela Saúde de Migrantes (FENAMI) realizou a I Conferência Nacional Livre de Saúde das Populações Migrantes, que contou com o apoio de diversas entidades e de equipes do setor público, dentre os quais o Serviço de Articulação Interfederativa e Participativa SEINP-RJ/SEMS/SAA/ Ministério da Saúde. Descrição A conferência teve formato híbrido, com coordenações locais articuladas à coordenação nacional, e contou com polos presenciais, pensados para possibilitar maior participação de migrantes e refugiados no processo da conferência, dadas suas frequentes limitações de conectividade por conta da vulnerabilidade social. No estado do Rio de Janeiro os polos presenciais nos municípios do Rio de Janeiro e de Maricá foram articulados com a finalidade de promover o protagonismo de migrantes e refugiados para a conferência nacional livre temática, e apoiá-los para a organização social em relação a suas demandas de saúde nos espaços de participação social previstos pelo SUS. No Rio de Janeiro foi idealizado um dos polos no morro do banco, favela onde residem muitos venezuelanos e onde ocorreria, pela manhã, uma atividade de formação com lideranças de várias nacionalidades. O local também foi escolhido pelo apoio de entidades locais - ONG Ação Floresta, Aldeias Infantis - e por contar com uma forte liderança comunitária, a venezuelana Yelitza Lafont, que articula e acompanha o acesso de migrantes e refugiados às políticas públicas. Em Maricá, a Secretaria Municipal de Saúde acolheu a ideia do polo presencial e empenhou esforços na articulação com a universidade e o Conselho Municipal de Saúde. O espaço escolhido foi a Casa dos Conselhos, ligada à Secretaria Municipal de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher. O haitiano Garry Ulysse trabalha na secretaria, é liderança local que representa 9 diferentes nacionalidades e já tinha articulado outros eventos no mesmo espaço. Os polos no estado do Rio de Janeiro contaram também com o apoio de operadores das três esferas de gestão. Neste processo foi essencial a mobilização de lideranças comunitárias migrantes e da rede intersetorial que promove atendimento a estas populações. A potência dos polos presenciais teve também como fator diferencial no estado do Rio de Janeiro o funcionamento do Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção a Refugiados e Migrantes (CEIPARM) e Comitê Técnico Estadual de Saúde Integral da População Imigrante e Refugiada (CTESIPIR).
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