TRAJETÓRIAS JUVENIS DE MULHERES TRANS E TRAVESTIS: VULNERABILIDADES, DIREITOS E PREVENÇÃO AO HIV

Vol. 2, 2023 - 180741
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução Na última década, importantes avanços tecnológicos ocorreram no campo da prevenção do HIV no Brasil, como a implantação da profilaxia pré-exposição (PrEP), disponível no Sistema Único de Saúde. Apesar disso, a epidemia continua a crescer entre jovens e as taxas de prevalência permanecem alarmantemente altas entre mulheres trans e travestis (MTTr) no país, indicando que esses grupos não têm se beneficiado suficientemente desses avanços. Neste cenário, é importante buscar compreender de que maneiras determinantes estruturais da epidemia podem estar contribuindo para a persistência da vulnerabilidade ao HIV de jovens MTTr. Reconhecendo a transfobia e o adultocentrismo entre esses determinantes, neste estudo buscamos compreender como a violação ou proteção de direitos na juventude produzem condições de maior ou menor vulnerabilidade de jovens MTTr ao HIV. Objetivos Reconhecendo a transfobia e o adultocentrismo entre esses determinantes, neste estudo buscamos compreender como a violação ou proteção de direitos na juventude produzem condições de maior ou menor vulnerabilidade de jovens MTTr ao HIV. Metodologia Nossa análise articula as abordagens teóricas das trajetórias juvenis com o quadro teórico da vulnerabilidade e dos direitos humanos e com sensibilidade interseccional. Partindo de entrevistas em profundidade realizadas com 13 jovens MTTr no âmbito de um estudo demonstrativo de PrEP (PrEP 1519), realizamos uma análise temática que buscou compreender o desenrolar das suas trajetórias juvenis a partir de diferentes dimensões, como as relações familiares, de amizade e afetivo-sexuais, estudos, trabalho e saúde. Buscamos identificar em cada uma delas como seus direitos foram violados ou protegidos e quais foram as consequências disso, especialmente no que concerne à vulnerabilidade ao HIV. As participantes tinham entre 15 e 20 anos, residiam na cidade de São Paulo e formavam um grupo heterogêneo em termos de cor/etnia e orientação sexual. Resultados e discussão Observou-se que a transição de gênero afetou todas as dimensões das trajetórias das jovens MTTr, impactando principalmente suas relações familiares, escolares e de trabalho. Para parte das entrevistadas, conflitos ligados à identidade de gênero levaram à saída da residência familiar, o que gerou condições instáveis de moradia, dificultou a continuidade dos estudos, especialmente entre as mais jovens, e conduziu à necessidade de busca de renda, principalmente por meio de trabalhos esporádicos e pouco qualificados, além de expor as jovens à exploração sexual. A ajuda de amigas, parceiros afetivos e casas de acolhida LGBTQIA+ foram fundamentais para a subsistência nessas condições. Como contraste, o acolhimento e suporte no âmbito da família e da escola durante a transição, favoreceram a conclusão da educação básica, a possibilidade do ensino superior e o ingresso no mundo do trabalho em melhores condições. Experiências de transfobia em serviços de saúde públicos e privados foram relatadas, mas os serviços especializados em HIV foram reportados como mais respeitosos e resolutivos. No que tange à prevenção do HIV, a importância do preservativo foi reiterada pelas entrevistadas, mas dificuldades de uso foram apontadas, especialmente quando sob efeito de substâncias ou diante de chantagens de clientes que oferecem maior pagamento para sexo desprotegido, e foi precisamente nessas situações que a PrEP foi valorizada. As dificuldades do uso da profilaxia se referiram à preocupação com excesso de medicamentos e possível interação com hormônios usados para a transição, distância dos serviços onde o método está disponível e esquecimento da tomada diária. Esses resultados mostram como a transfobia produziu situações que limitaram o usufruto de direitos fundamentais por parte das jovens MTTr, como o convívio familiar e a escolaridade, criando uma sinergia de condições que favorecem a maior vulnerabilidade ao HIV, inclusive a exploração sexual das jovens. A PrEP mostra-se um método importante para a proteção deste grupo. Conclusões/Considerações finais É fundamental expandir os serviços de PrEP, de modo a torná-los mais acessíveis para jovens MTTr e adequando-os às demandas específicas deste grupo. Além disso, os programas de aids precisam atuar de maneira integrada com outros setores no enfrentamento da transfobia, visando promover e proteger a integralidade dos direitos das jovens trans. Apresentação/Introdução A saúde é direito de todo cidadão conforme a Constituição Federal 1988, além disso, enfrentar a discriminação exige uma maior consciência dos direitos sexuais como elemento essencial. Considerando essa vertente, o Serviço Social tem se debruçado em práticas de enfrentamento as opressões advindas do processo colonialidade de poder do mundo capitalista, sobre as quais é edificada a sociedade brasileira. Reforçando o princípio da universalidade e igualdade de assistência sem preconceito é necessário pensar a atuação do Serviço Social es sociais nas equipes multidisciplinares que atendem as pessoas que procuram o processo transexualizador, desejamos compreender como estes profissionais por meio de suas atuações produzem conhecimento, tendo como base o olhar das pessoas que procuram estes serviços, que tanto são invisibilizadas pelo sistema e no sistema, e tem o apagamento de suas vidas, vinculado aos processos de colonialidade de poder, gênero, saber e ser, que se encontram extremamente presente na constituição das sociedades pós-período colonial, determinando o padrão hegemônico de ver as pessoas, bem como de polos de produção de conhecimento. A partir dos estudos decoloniais pretendemos vislumbrar que uma perspectiva advinda da subalternidade, do pensamento fronteiriço possui contribuição relevante para se entender como os saberes são construídos e como algumas práticas profissionais ainda são permeadas por visões eurocêntricas sexistas, racistas, machista e heteronormativas. Objetivos Mapear produções científicas do Serviço Social quanto a sua atuação no processo transexualizador problematizando as múltiplas violações de direitos sofridas pelas pessoas transexuais na área da saúde; Realizar uma análise crítica do material levantado, tendo como referencial teórico a discussão dos estudos decoloniais, como a colonialidade de poder, saber e gênero.

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Eixo Temático
  • CT 16 - Gênero, interseccionalidades e saúde coletiva