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Apresentação/Introdução As práticas integrativas e complementares têm se mostrado promissoras na redefinição das práticas de cuidado em saúde, especialmente no pré-natal, parto e puerpério. Essas abordagens estão alinhadas com as políticas públicas brasileiras e a prática avançada em enfermagem, buscando proporcionar cuidados de qualidade e atender às necessidades complexas das pacientes. Elas desempenham um papel fundamental na promoção de um cuidado abrangente e integral. Objetivos O objetivo deste estudo foi compreender a experiência de puérperas que foram acompanhadas durante o período pré-natal com a utilização de práticas integrativas e complementares no seu cuidado. Metodologia Trata-se de um trabalho derivado de dissertação de mestrado do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerias em que foi realizado um estudo qualitativo que adotou o enfoque teórico do cuidado baseado em forças de Laurie Gottlieb. O estudo contou com a participação de 13 puérperas (entre 10 e 90 dias pós-parto) que frequentaram o Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares do Hospital Sofia Feldman, localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, durante a gestação. A coleta de dados ocorreu entre outubro e dezembro de 2022, utilizando entrevistas presenciais e, devido à pandemia de COVID-19, também por meio de vídeo chamadas. Um roteiro de perguntas relacionadas ao objeto de estudo foi utilizado como a principal fonte de dados. A análise dos dados foi realizada utilizando uma abordagem temática reflexiva, com o auxílio do software MAXQDA©. O estudo seguiu os protocolos éticos estabelecidos para a pesquisa envolvendo seres humanos, sendo aprovado por comitê de ética. Resultados e discussão As participantes do estudo foram mulheres com idade entre 28 e 41 anos, média de 36, a metade se autodeclarou preta ou parda, apenas duas não possuíam formação universitária e três delas não possuíam relacionamento estável. A maioria teve gestações de baixo risco e optou por receber cuidados no Sistema Único de Saúde, mesmo sendo usuárias de planos de saúde. Elas relataram o desenvolvimento de habilidades positivas e a reinterpretação de suas experiências durante a gestação, ressaltando sentimentos como coragem, tranquilidade, segurança e confiança, que contribuíram para uma experiência de parto positiva. As práticas de Terapias Integrativas e Complementares mais mencionadas incluíram técnicas mentais, como atenção plena (mindfulness), hipnose, afirmações positivas e meditações guiadas, juntamente com técnicas de respiração. A relação entre as enfermeiras e as gestantes foi percebida como algo "diferente", substituindo a hierarquia por uma abordagem que respeita e reconhece a experiência de ambas as partes. O cuidado oferecido às mulheres durante a gravidez no Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares teve um papel fundamental no desenvolvimento de suas capacidades, que foram descobertas ao longo desse período. Esse cuidado foi centrado na mulher, incentivando o fortalecimento pessoal, o empoderamento, a promoção da saúde e o autocuidado. Essa abordagem foi construída por meio de uma relação de parceria e colaboração entre as profissionais de saúde e as mulheres. Conclusões/Considerações finais Este estudo ressalta a relevância de um cuidado humanizado, personalizado e centrado na mulher, fortalecendo sua autonomia e bem-estar durante a gravidez e o parto. A abordagem individualizada das enfermeiras, ao incorporar as práticas integrativas e complementares, permitiu reconhecer a singularidade de cada mulher e a importância de sua participação ativa nas decisões relacionadas à saúde, gestação e parto, apoiando-se no referencial do "cuidado baseado em forças". As práticas integrativas e complementares em saúde, apontam um caminho para a redefinição das práticas de cuidado em saúde, valorizando as habilidades e capacidades das gestantes, e fortalece a relação entre as enfermeiras e as mulheres ao longo do ciclo reprodutivo. Além disso, reitera a importância dessas práticas como estratégias terapêuticas adicionais, ampliando as opções de cuidados disponíveis, sob uma abordagem mais abrangente no cuidado das mulheres durante o ciclo reprodutivo, considerando sua complexidade. Contextualização Conceituado a partir de pesquisas de Tavares e Kuratani (2019) e Pinheiro (2023), o racismo é um problema social criado pelo ocidente, com a ideia de hierarquizar, trazer diferenciações e domínio de um povo em relação a outro. É importante entendermos como aprendemos sobre as questões que nos cercam, como ensinamos estes pontos para as pessoas e como as nossas vivências afetam, principalmente, as crianças. Fazendo um recorte no âmbito das questões raciais, o que se observa é a negação do racismo a partir do mito da democracia racial (DOMINGUES, 2005), invisibilizando a identidade e exercendo violência sobre o corpo da pessoa negra. Nas práticas psicológicas, nota-se o quanto os sintomas coloniais, estruturados no conceito de raça, considerando o branco superior ao negro, interferem no manejo clínico (NOBEL, 2009). Parafraseando Nogueira (2021), a psicologia tradicional de origem europeia e estadunidense não dá conta plenamente dos processos psicológicos da população, principalmente quando se trata de questões raciais. Na clínica infanto-juvenil tal olhar segue a mesma direção. Estudos apontam que as crianças negras podem sentir o impacto do racismo precocemente (DIAS et al., 2022; SANTANA et al., 2021). Assim, cabe a seguinte reflexão: “como o pensamento decolonial pode contribuir com as práticas psicológicas no atendimento infantil”? Descrição Foram realizadas sessões semanais, individuais, em consultório e com duração de 50 minutos para cada paciente. A condução dos casos seguiu a abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental (BECK, 2022). Para assegurar as exigências éticas de sigilo o estudo utilizará somente classificações impessoais de identificação (caso A e B). O Caso A trata-se de uma criança com 8 anos de idade, negra de pele clara, cuja família não se identificava como negra. Foram realizados 40 atendimentos, sendo que o recorte racial surgiu através na 15° sessão. Ao ser realizado o jogo “cara a cara”, a criança perguntou se o boneco era um “homem de cor”, mencionando que a cor do homem era parecida com a da psicóloga. No decorrer da sessão, a criança informou que ela não era daquele jeito e que ninguém da família era daquela forma. Já o Caso B refere-se a uma criança de 9 anos de idade. Foram realizadas 32 sessões. B é uma criança branca que começou a trazer confrontos com uma colega da escola que era preta retinta e com cabelo crespo. Em uma discussão com esta colega, a criança relatou que detestava a menina por que ela tinha o cabelo duro e era diferente das outras meninas da escola. Convém ressaltar que em ambos os casos foram realizadas intervenções com a família, criança e com a escola.
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