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Apresentação/Introdução O trabalho reúne alguns resultados de pesquisa multicêntrica socioantropológica coordenada pela FSP/USP, com apoio financeiro do CNPq, intitulada: “Juventude, sexualidade e reprodução: um estudo sobre mudanças e permanências nas trajetórias sexuais e reprodutivas de jovens brasileiros no cenário de relações sociais mediadas pelas redes sociais”. A investigação faz uma profunda imersão em questões atinentes à sexualidade, aos direitos reprodutivos e à sociabilidade juvenil, buscando compreender como se dão as formas de aproximação afetivo-sexual entre adolescentes e jovens no atual contexto de relações mediadas pelas redes sociais e como elas se associam a momentos de vulnerabilidade destes sujeitos em relação à ocorrência de uma gravidez imprevista. Objetivos Apresentar alguns resultados referentes às práticas contraceptivas destes adolescentes e jovens, contemplando os desafios impostos pelos marcadores sociais da diferença – pertencimento de classe, raça/etnia, gênero, regiões do país, contextos metropolitanos ou interioranos/ribeirinhos, apoio familiar ou de pares – para o enfrentamento do planejamento reprodutivo seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou via serviços de atenção médica privados. Metodologia Pesquisa multicêntrica socioantropológica, de abordagem qualitativa, realizada em 2021-2022, em diferentes regiões do país (AM, BA, SP, RJ, MG, RS), em cidades da capital e do interior, que possuem marcas socioculturais distintas e acesso diferencial às tecnologias digitais, serviços de saúde e educação. O material empírico congrega entrevistas individuais em profundidade com 200 jovens (em ambiente remoto ou presencial), a maioria deles cisgêneros, com idade entre 16 e 24 anos, de ambos os sexos, com experiências prévias de gravidez ou não, compondo um conjunto social e culturalmente diversificado, em termos étnico-raciais, de filiação de classe social, com práticas sexuais fluidas, que se conjugam e se complementam no repertório de experimentações sexuais possíveis com distintos parceiro/as (homo, hetero e bissexuais). A análise dos dados foi realizada a partir do software NVivo, tendo sido selecionado para este trabalho os aspectos atinentes às experiências contraceptivas destes adolescentes e jovens. A pesquisa foi submetida e aprovada nos respectivos Comitês de Ética em Pesquisa das universidades públicas participantes (USP; UFRJ; UFMG; UFBA; UFRGS). Resultados e discussão O perfil geral dos/as participantes do estudo nos ajudará a situar os respectivos contextos social, racial, regional e de pertencimento territorial dos jovens abordados, iluminando os contrastes encontrados em suas experiências contraceptivas. Elegendo a esfera das decisões e negociações entre pares para a efetivação da contracepção, com apoio ou não de profissionais de saúde e de serviços públicos, analisam-se os desdobramentos da utilização de métodos hormonais em corpos jovens, que sofrem com os muitos efeitos colaterais, sem muitas opções de métodos alternativos seguros e com menor impacto nos organismos femininos. Há uma expressiva alternância entre métodos naturais (coito interrompido, tabelinha), de barreira (preservativo masculino) e hormonais (injetáveis, pílulas, contracepção de emergência), na tentativa de se encontrar aquele método que mais se adeque ao momento vivido pelo casal/mulher, com menor impacto na saúde e corpo das mulheres. Essas sucessivas trocas e interrupções do método em uso, em razão de mal-estares, ganho de peso, dores de cabeça, perda de libido, etc. terminam abrindo espaço para momentos de vulnerabilidade e desproteção, advindo uma gravidez imprevista. Esse rol de experimentações e usos mal sucedidos dos métodos naturais e/ou hormonais conduz as jovens a desejarem precocemente uma solução “definitiva” ou menos provisória para a gestão reprodutiva. Assim, com a interdição do aborto e acesso restrito ao misoprostol (o qual circula em redes clandestinas de tráfico de medicamentos e outras substâncias), a ligadura de trompas ou o dispositivo intrauterino (DIU) – de cobre ou hormonal, nem sempre acessível no SUS – terminam sendo as opções preferenciais, sempre adiadas, em razão dos muitos trâmites burocráticos, das exigências institucionais que mediam tais procedimentos, da discordância e desrespeito por parte de profissionais de saúde à autonomia das jovens para decidirem o que desejam como método contraceptivo que melhor lhes satisfaça e gere segurança para desfrutarem da sexualidade sem medos, traumas ou intercorrências de saúde. Conclusões/Considerações finais Acreditamos que tais elementos possam fornecer pistas analíticas e evidências científicas para a retomada do debate público no Brasil da necessária reformulação de políticas de saúde e de educação voltadas a esse segmento geracional, contemplando suas necessidades e seus modos peculiares de sociabilidade em redes digitais. Contextualização Esse trabalho surge do programa de extensão TransVERgente e das ações de pesquisa realizadas no Programa de Pós-Graduação PRISMAL da UPE. O TransVERgente conta com uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, e surgiu em 2018 com o intuito de promover ações de cuidado em saúde e orientação jurídica ao povo camponês vulnerabilizado pelas obras da transposição do rio São Francisco na zona rural de Sertânia/PE. Muitas ações extensionistas foram registradas em produção científica, bem como através de cordel e poesia matuta, com o intuito de ampliar o acesso à informação diante de uma linguagem que faz parte do cotidiano dessas pessoas. Essa é uma tecnologia social e uma atitude decolonial na prática da comunicação em saúde, numa preocupação em transpor as linguagens técnico-científicas da academia. A complexidade das demandas que emergem do território solicita uma abertura para encontrar modos de dialogar com os saberes do povo camponês e suas ruralidades, sem sobrepor o saber científico ao território. Descrição Nas comunidades de Sítio Cipó e Cooperativa Hortifruti-Granjeiro, propusemos a realização da devolutiva do que foi desvelado na pesquisa “Em nome do ‘progresso‘: o desenvolvimentismo constrói rios de concreto”. Foram realizadas rodas de conversação em cada uma das comunidades.
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