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Apresentação/Introdução Este trabalho se dedica a aplicar técnicas de ciências de dados e análise de dados para detectar os padrões das narrativas da desinformação vacinal abrigadas e propagadas em 248 canais e grupos no Telegram. O objetivo deste estudo é identificar os padrões de desinformação na rede social Telegram a partir do mapeamento de narrativas de desinformação vacinal. O projeto de pesquisa o qual desenvolve este estudo intitula-se OBSERVA ICEPI, com foco no monitoramento da saúde nas redes sociais. Objetivos O estudo descreve o modus operandi dos cinco padrões mais frequentes na fabricação da desinformação vacinal Metodologia O mapeamento e a análise das mensagens que produzem desinformação nos Telegram baseiam-se na junção de técnicas de ciência de dados com análise de redes sociais. E está dividido nas seguintes fases: (1) Delimitação da Amostra dos canais do Telegram, (2) Extração de dados tecno-linguísticos, (3) Mineração de Dados e (4) Visualização e Interpretação de Dados. O corpus iniciou-se com a extração de 1.842.211 mensagens textuais postadas nesses canais de 01 de junho de 2022 a 31 janeiro de 2023. Como as postagens tratavam de temas variados, foram filtradas apenas aquelas contendo o termo ‘vacin’. Assim, o corpus final desse estudo abarcou 79.131 mensagens sobre temáticas ligadas à vacinação, que foram processadas usando técnica de clusterização de análise textual, o que revelou as classes de palavras mais agrupadas, sendo visualizadas na forma de Rede de Narrativas. Resultados e discussão O estudo descreve o modus operandi dos cinco padrões mais frequentes na fabricação da desinformação vacinal, a saber: a protetiva (propagando medidas de proteção contra ‘vacinas experimentais’); a imunológica (moldando histórias clínicas que demonstrariam a redução da imunidade em função de vacinas); a da falsa utilidade (difundindo instruções jurídicas e argumentativas para pais não vacinarem seus filhos); a medicalizante (a geração de relatos médicos para dar legitimidade a fatos falsos ou sem acurácia); e, por último, a conspiracionista (que espalha teorias conspiracionistas baseadas na ideia de que corporações globais buscam subjugar os povos com políticas eugenistas). Conclusões/Considerações finais O estudo apontou as principais estratégias que os canais ultraconservadores do Telegram elaboram para persuadir suas audiências. Além das narrativas sobre a vacina, esses grupos são intensamente influenciados pela polarização política brasileira. O esforço desses grupos se concentra em desacreditar a população sobre a vacina contra a covid. Contra outras doenças o número de menções textuais não teve tanta relevância. Isso demonstra um cenário que pode ser utilizado de modo estratégico por profissionais e gestores de saúde, ao centrar suas campanhas de comunicação em vacinas que não estejam contaminadas pela polarização da sociedade. A investigação identificou cinco padrões de desinformação vacinal no Telegram: proteção do outro; risco genético das vacinas; preocupação com as crianças; médicos contra as vacinas; e conspiração contra a ordem global. Para cada categoria dessas, há estratégias narrativas e palavras-pistas específicas que ficaram evidentes nas mensagens analisadas. Chamou-nos a atenção a necessidade de formulação de ações de comunicação em saúde que utilizem mais o reportar de casos clínicos nos argumentos de defesa da vacinação. O discurso antivacina utiliza do exemplo de histórias pessoais para criar tática de veridicção de suas teses. Usar da mesma tática com usuários do sistema de saúde parece ser mais eficaz para persuadir as pessoas a se vacinarem do que a difusão de argumentos numéricos e puramente científicos. E, por fim, há forte importância de narrativas que utilizam do discurso médico e do médico como peso para persuadir os seguidores do grupo do Telegram. Isso também é revelador da necessidade de desenvolver ações em que especialistas se comuniquem cotidianamente com a população para disputar a guerra de narrativas em torno da aderência aos esquemas vacinais. Apresentação/Introdução A Organização Panamericana de Saúde (OPAS), durante a 29ª Conferência, em 2017, reconhecendo a importância de promover uma abordagem intercultural no âmbito dos sistemas de saúde para o enfrentamento das iniquidades vivenciadas pelos povos indígenas, aprovou uma política específica sobre Etnia e Saúde. Com o intuito de garantir que as diretrizes da Política pactuada seriam transformadas em ações, a OPAS lançou a Estratégia e o Plano de Ação em Etnia e Saúde 2019-2025 com medidas para garantir uma adequada abordagem intercultural do cuidado nos serviços de saúde, sobretudo na atenção primária. Entre as linhas prioritárias da Estratégia estão a produção de evidências e o reconhecimento do conhecimento ancestral e medicina tradicional. No Brasil, a proposta de um enfoque diferenciado no sistema de saúde para tratar, de maneira adequada e particular, a saúde dos povos indígenas tem sido discutida desde o final da década de 1980. A preocupação em organizar o sistema de saúde de forma a respeitar os direitos culturais e de cidadania dos povos originários consta em diversos relatórios das conferências de saúde e está enfatizada na justificativa de criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS). Para isso, o projeto que deu origem à Lei Arouca destacava a necessidade de formar profissionais com o intuito de prestarem uma assistência adequada, contemplando os costumes e práticas tradicionais, atenta às diferentes cosmovisões e ao “bem viver” indígena, e com ampla participação do controle social. Cerca de 30 anos após a sua implantação, estudos antropológicos sobre a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) apontam para algumas contradições no conceito de atenção diferenciada que orienta o SASI-SUS e para uma certa hegemonia do modelo biomédico na operacionalização de práticas de cuidado nos territórios indígenas. Diante do exposto, o Painel Saberes Indígenas foi concebido com o intuito de contribuir para formação de profissionais de saúde que atuam no Subsistema, visando a oferta de práticas de cuidado que contemplem os costumes e práticas tradicionais, as diferentes cosmovisões sobre o bem viver indígena, e com ampla participação do controle social. Objetivos Sistematizar o conhecimento disponível sobre concepções e práticas de cuidado desenvolvidas em territórios indígenas na Bahia, com o intuito de subsidiar a elaboração de protocolos e percursos educativos interculturais, local e etnicamente referenciados.
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