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Apresentação/Introdução O projeto "Construindo Comunidades saudáveis em favelas urbanas brasileiras" iniciado em 2021 tem como objetivo realizar uma pesquisa interdisciplinar e participativa em saúde e meio ambiente junto aos moradores de três comunidades (Marechal Rondon, Alto do Cabrito e Pau da Lima) em Salvador, envolvendo pesquisadores de diversas áreas, como ecologia, epidemiologia e ciências sociais. A pesquisa enfrenta desafios relacionados à interdisciplinaridade, participação e cooperação com a comunidade, considerando estruturas institucionais, diferenças epistemológicas, linguísticas e práticas. Objetivos O projeto se propõe integrar uma abordagem participativa baseada na comunidade para projetar, implementar e avaliar intervenções, combinando conhecimento e ação para mudança social e melhoria da saúde na comunidade. Por esse motivo, nesta comunicação, compartilhamos reflexões realizadas sobre os desafios da efetivação da interdisciplinaridade e da participação nesta pesquisa. Metodologia A pesquisa interdisciplinar e participativa propõe como uma de suas iniciativas a conformação de grupos comunitários nas três comunidades compostos por pesquisadores, moradores (jovens e adultos) e líderes comunitários que desejassem participar. As reflexões geradas nesse processo serão apresentadas a partir das sínteses de relatórios e do compartilhamento de experiências, decorrentes das atividades de engajamento comunitário, socialização dos resultados das pesquisas anteriores e proposição de intervenções em saúde. Resultados e discussão Apostar na perspectiva emancipatória da participação comunitária, adotando, muitas vezes a contracorrente das práticas tradicionais de pesquisa, se inspirando no pensamento da educação popular e da decolonialidade, traz várias questões contraditórias. Esse processo torna-se ainda mais complexo ao considerarmos que a universidade não está dissociada da sociedade, que reproduz as relações de poder e opressão (capitalismo, patriarcalismo e racismo). A primeira questão envolve os desafios da “parceria” entre pesquisadores e comunidades. Uma das mais importantes decisões é se pesquisa visa vai escrever “sobre” uma comunidade ou se vai ser desenvolvida “com” os parceiros comunitários para facilitar o princípio da paridade de participação e valorização equânime dos conhecimentos em prol da co-criação. A participação não depende apenas da vontade da equipe de pesquisa, precisa considerar a própria lógica comunitária que, em alguns casos, pode se desenvolver em uma lógica hierarquizada, mais diretiva ou mais participativa e autônoma, podendo a pesquisa aceitar e reforçar os padrões comunitários ou trazer reflexões sobre essas relações. Outra dimensão percebida foi a desigualdade de gênero. As pessoas mais engajadas na participação comunitária são mulheres, entretanto, a gestão e poder de decisão segue sendo exercido majoritariamente por homens. Tal contradição, desvela a reprodução de uma dinâmica social patriarcal que notamos também na pesquisa. Destituídas da paridade de participação em relação aos homens, contraditoriamente, tem sido elas as que mais se engajam no desenvolvimento das atividades. Por último, os diferentes “tempos” da universidade/pesquisa (que impõe prazos, produtivismo e resultados imediatos) e da comunidade (que exige cuidado na construção de vínculos e respeito às dinâmicas locais). Qual tempo é o mais valioso? Conclusões/Considerações finais As reflexões discutidas acima estão diretamente relacionadas com a interdisciplinaridade e participação. As diferentes visões entre os pesquisadores e membros das comunidades permitiram o diálogo acerca do fazer conjunto. Para quem busca refletir sobre a construção de comunidades saudáveis não basta definir tarefas necessárias para cada um cumprir isoladamente, é essencial afinar-se a lógica de ‘coaprendizagem’, com potencial para gerar frutos que persistam ao findar do tempo da pesquisa, capazes de mobilizar transformação tanto na esfera acadêmica quanto comunitária. Apresentação/Introdução A homofobia e a transfobia social conferem como fatores de risco para o bem-estar das pessoas que se identificam como lésbica, gay, bissexual ou transgênero (LGBT). Enquanto L, G, B e T são geralmente ligados como um acrônimo que sugere homogeneidade, cada letra representa uma ampla gama de pessoas de diferentes raças, classes, idades, status socioeconômico e identidades.O que os une como minorias sexuais e de gênero são experiências comuns de estigma e discriminação e, especificamente no que diz respeito à saúde, uma história de patologização e discriminação (MULLER, 2017). Como resultado, as pessoas que se identificam como LGBT+ enfrentam desafios no acesso a serviços de saúde. As reiteradas violações de seus direitos e a exclusão social geram sofrimento, adoecimento e morte prematura. Apesar de apresentarem piores condições de saúde do que a população geral, o acesso e a utilização dos serviços assistenciais são marcados por dificuldades e barreiras (GONZALES et al., 2016). Deste modo é necessário que profissionais de saúde estejam atentos às barreiras de acesso aos serviços de saúde, impostas pela violação de direitos, na perspectiva de fornecer um ambiente acolhedor e inclusivo. Objetivos Conhecer os principais problemas enfrentados pela população LGBT+ ao procurar os serviços de saúde
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