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Apresentação/Introdução A Interseccionalidade é considerada como um campo teórico que transpõe-se aos questionamentos relacionados aos marcadores sociais de gênero, raça, sexualidade, idade e classe social que atingem significativamente as minorias sociais. Esta envolve discussões atuais referentes às desigualdades e segregações que denotam uma supremacia histórica hierárquica para heteronormativos, brancos e abastados que apresentam, inclusive, menos impactos negativos no envelhecimento quando relacionados a outros indivíduos (DA SILVA ALVES et al., 2020). O acesso a tecnologias por pessoas idosas pode ser analisado sob a luz da interseccionalidade. No Brasil, a quantidade de idosos que acessam a internet aumentou de 24,7% em 2016 para 31,1% em 2017. Contudo, esse processo ainda não é considerado suficiente para afastar essa população da lista de "exclusão digital" (DINIZ et al., 2020). O custo da exclusão digital é elevado, pois afeta a participação integral desses indivíduos na grande maioria dos aspectos da sociedade moderna, englobando os campos econômicos, educacionais, à saúde e até mesmo o engajamento cívico. Ainda no contexto do não acesso à cultura letrada em decorrência do analfabetismo funcional, que é uma diligência histórica a ser extinguida ao longo dos anos, o analfabetismo tecnológico também dificulta o acesso a direitos por pessoas que podem apresentar a mesma idade biológica, mas diferenças alarmantes nos níveis de autonomia e independência, saúde e participação social (GUIMARÃES et al., 2019). Objetivos Caracterizar a interseccionalidade entre o uso de chamadas de vídeo para comunicação de pessoas idosas e características sociodemográficas. Metodologia Foi realizado um estudo seccional junto a 454 pessoas idosas (60 anos ou mais) residentes em área coberta pela Estratégia de Saúde da Família em um Distrito Sanitário do Recife-PE. A coleta de dados foi realizada no período de outubro de 2021 a março de 2022 por meio de entrevistas. Foram analisados dados referentes ao uso de chamadas de vídeo para comunicação com amigos ou parentes (Nunca / Pouco frequente / Muito frequente) e sua relação com variáveis sociodemográficas (faixa etária, sexo, raça/cor, renda familiar e escolaridade) por meio de estatística descritiva (frequência absoluta e relativa) e teste qui-quadrado. Resultados e discussão O uso da tecnologia de chamada de vídeo para a comunicação de pessoas idosas com amigos ou parentes apresentou-se inexistente em sua maioria (52,4%). Apenas 19,2% das pessoas idosas participantes do estudo referiram uso muito frequente desse recurso. A idade apresentou-se como fator associado ao uso de chamadas de vídeo na própria população idosa. À medida do aumento da idade, há uma redução do uso muito frequente desse recurso e o aumento do percentual de pessoas idosas que nunca usam a chamada de vídeo para se comunicar. Muitos idosos consideram a tecnologia como inalcançável e isso ocorre por haver uma visão enraizada e equivocada de que o envelhecimento torna os indivíduos incapazes e improdutivos. Todavia, apesar de haver a infoexclusão desse grupo, simultaneamente, há a percepção de que a tecnologia é um meio capaz de proporcionar uma melhor qualidade de vida para ele (BORGES et al., 2022). Não foram observados diferenciais significativos para sexo, raça/cor e renda familiar. Dentre as variáveis socioeconômicas, a escolaridade apresentou associação significativa com o uso de chamadas de vídeo. O percentual de pessoas idosas que nunca usam essa tecnologia aumenta de acordo com a diminuição da escolaridade, chegando a 76,1% entre pessoas idosas que nunca foram à escola. O reduzido grau de escolaridade da pessoa idosa atinge a habilidade de compreensão de vocábulos e frases, principalmente no que se refere ao vocabulário utilizado na internet, sobretudo nomenclaturas estrangeiras. Ainda nesse contexto, grande parte das dificuldades e relutância quanto ao uso da internet e do computador possuem associação com acontecimentos de cunho cognitivo que são obstáculos para associar o idoso com a tecnologia da informação, incluindo a dificuldade de memorizar e relembrar comandos recebidos, além da redução, perspicácia visual, hipoacusia e problemas fonoarticulatórios (LIRA et al., 2019). Conclusões/Considerações finais A população idosa apresenta pouco uso de chamadas de vídeo para se comunicar com amigos ou parentes e esse uso é reduzido com o aumento da idade. A escolaridade mostrou importante interseccionalidade com o uso dessa tecnologia entre pessoas idosas. Nesse sentido, foi evidenciado que quanto maior o nível de instrução educacional, mais comum é o acesso aos elementos tecnológicos e que as pessoas idosas com idades mais avançadas ainda precisam ser incluídas no mundo digital. Apresentação/Introdução Mudanças no consumo alimentar mostram piora na alimentação do brasileiro nos últimos anos, o que, com o retrocesso na mudança de governo em relação à Insegurança Alimentar , nos leva a refletir sobre lógicas de comunicação e dominação de discursos sobre alimentos ultraprocessados. Na perspectiva de interseccionalidades, o direito à alimentação adequada juntamente com o direito à comunicação se insere no conjunto de Direitos Humanos, inseparáveis do direito à saúde. A promoção de alimentação saudável e adequada no Sistema Único de Saúde (SUS) se fundamenta “[...] nas dimensões de incentivo, apoio e proteção da saúde e deve combinar iniciativas focadas em políticas públicas saudáveis, na criação de ambientes saudáveis, [...].” . Nesse sentido, buscamos analisar o discurso persuasivo de anúncios publicitários de alimentos. Utilizamos as três dimensões de análise de discurso crítica (ADC), inspriada na concepção dada por Norman Fairclough , seguindo quadro teórico revisado deste autor inglês, pelo trabalho de Resende e Ramalho , quais sejam: prática discursiva, prática social e texto, para entender a sedução de anúncios publicitários de biscoitos ultraprocessados infantis de baixo custo, para avaliar os descompassos entre a prática social instituída no governo sobre insegurança alimentar e a ação textual publicitária de tais produtos. Assim, o que justifica é a desnaturalização de discursos e crenças que sirvam de suporte a um modo de dominação hegemônica nos meios de comunicação. Se, por um lado, o cenário socioeconômico e político brasileiro reifica uma valorização de consumo de alimentos ultraprocessados e produção de alimentos-comodities, por outro, iniciativas de políticas públicas de alimentação, a exemplo dos guias alimentares brasileiros, reforçam uma experiência mediadora de empatia e decolonialização. Objetivos O objetivo foi analisar criticamente uma ordem de discursos de dominação gerados em anúncios publicitários de alimentos ultraprocessados (biscoitos) para população de extratos socioeconômicos mais baixos, tendo em vista o ethos desssas classes, nas mensagens e os descompassos entre a prática social instituída no governo sobre insegurança alimentar e a ação textual publicitária de tais produtos.
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