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Apresentação/Introdução As interfaces entre gênero, comunicação e saúde são muitas e se expandem a cada dia. Não apenas pela expressão de múltiplas identidades de gênero, mas também por novos olhares sobre velhas questões, sendo uma delas a própria maternidade, que não se esgota nas abordagens já trabalhadas até aqui. Através do que Zanello (2018) nomeou de ‘dispositivo materno’, sumariamente definido como “naturalização da capacidade de cuidar (em geral) nas mulheres, decorrente justamente dessa mescla (razoavelmente recente, com o advento do capitalismo) entre a procriação e a maternagem” (p. 149), as mulheres experimentam uma sobrecarga física e mental com as atividades do cuidado que ainda não se encontra plenamente investigada e, muito menos, sanada socialmente. Esta pesquisa aborda as relações entre a condição materna e a saúde mental, compreendendo os desafios do cuidado materno no contexto contemporâneo. Pensar a saúde mental materna não deve se resumir ao período da gestação e puerpério, afinal o cuidado se prolonga por toda a vida. E também não pode ser pensada em relação a uma suposta mulher universal, uma vez que as mulheres não se encontram todas em uma mesma situação, diferindo de acordo com seus pertencimentos sociais (idade, gênero, raça, classe), diferenças que “se convertem em desigualdades, que, por sua vez, se transformam em sofrimento, adoecimento e mortes” (BRANDÃO E ALZUGUIR, 2022, p. 69). Nesse sentido, ancora-se numa perspectiva interseccional, buscando “capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação” (CRENSHAW, 2002, p. 177). Objetivos Refletir sobre o fenômeno da saúde mental materna a partir do diálogo com a literatura científica existente no Brasil, aprofundando os conhecimentos sobre a construção social da maternidade e as implicações dos discursos sobre maternidades contemporâneas na saúde mental de mães de filhos/as/es de todas as idades. Metodologia O trabalho dialoga com a produção científica existente acerca da temática das maternidades em sua relação com a saúde mental das mulheres. Por meio de revisão da literatura científica brasileira que relaciona maternidade e saúde mental, busca identificar os principais temas e categorias abordados, debatendo os achados à luz do arcabouço teórico dos estudos de gênero e interseccionalidade. Resultados e discussão Em busca bibliográfica preliminar, realizada no Scielo em 22/03/2023, utilizando os descritores (maternidade) AND (saúde mental), foram encontrados 24 resultados. Destes, após triagem por leitura de títulos e resumos, foram excluídos os que não estabeleciam relação entre o ser mãe e o adoecimento psíquico e os que não retratavam a realidade brasileira, restando 4 artigos, que foram lidos em sua integralidade. Todos os artigos do escopo situam-se no campo da psicologia, sendo um deles na interface psicologia/enfermagem. Embora produzidos no âmbito disciplinar da psicologia, eles problematizam o cuidado segmentado, enfatizando a indissociabilidade entre saúde física e mental na direção da integralidade. Os temas abordados foram: sofrimento psíquico na gestação e primeiros anos de vida do bebê; impactos da transição para a maternidade durante a graduação universitária; fenômeno da maternidade para mulheres portadoras de transtornos mentais; e experiências de parentalidade como fatores geradores de sofrimento mental em mulheres. Mesmo olhando as relações entre saúde mental e maternidade de diferentes perspectivas e em diferentes momentos da relação mãe/filho/a/e, os artigos abordam os sofrimentos psíquicos que acompanham a experiência da maternidade ou como a experiência da maternidade atua em mulheres com sofrimento psíquico preexistente, buscando uma melhor compreensão dos desafios específicos que a condição de mãe, neste contexto sócio-histórico, impõe às mulheres. Conclusões/Considerações finais Tendo em vista que os desafios e ambivalências com relação à maternidade são inconfessáveis e pouco acolhidos pelos discursos e serviços em saúde, o que “leva muitas mulheres ao sofrimento, ao fazê-las sentirem-se como antinaturais’” (ZANELLO, 2018, P. 171), faz-se imprescindível problematizar os impactos, na saúde mental materna, dos discursos e práticas que assumem relevância na modelagem social do feminino. Referências bibliográficas BRANDÃO, Elaine Reis; ALZUGUIR, Fernanda de Carvalho Vecchi. Gênero e saúde: uma articulação necessária. Coleção Temas em Saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2022. CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, ano 10, p. 171-188, 2002. ZANELLO, Valeska. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Appris, 2018. Apresentação/Introdução O rompimento da barragem do Fundão, no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, Minas Gerais, foi considerado um dos maiores crimes socioambientais da história recente do Brasil (SERRA, 2018). Foram cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos minerários que transformaram a pequena comunidade em um mar de lama (TEIXEIRA, 2018). Dentre as diversas consequências da tragédia, nos atemos aos impactos psíquicos causados pela perda do território e pelo trauma vivenciado na luta pela própria vida durante o rompimento e na diária ao longo dos últimos sete anos. As diversas reuniões, assédio da mídia e também de representantes da Fundação Renova, os preconceitos cometidos por parte da população da cidade de Mariana, além da constante luta pelo território e pela memória da tragédia, são alguns dos pontos que promovem o mal estar psíquico da comunidade atingida que até hoje não possuem o reassentamento de suas casas, principal reivindicação dos atingidos de Bento Rodrigues, primeiro povoado atingido pelo crime. Pretende-se com essa pesquisa, contribuir com a narrativa das comunidades atingidas evidenciando os falsos discursos presentes na mídia, pela Fundação Renova e sua gestão. Aproveitamos o espaço também para agradecer à Universidade Federal de Ouro Preto e também ao apoio apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES). Objetivos O objetivo geral, é elencar as consequências na saúde mental da comunidade atingida pela barragem do Fundão após sete anos da tragédia. Como objetivos específicos; investigar como as medidas de reparação realizadas pela Fundação Renova afetam a saúde mental dos atingidos, examinar os discursos presentes no jornal "A Sirene", principal veículo de comunicação das comunidades atingidas, e no site da Fundação Renova, identificando os discursos presentes.
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