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Apresentação/Introdução Pessoas que tiveram Covid-19 podem apresentar comprometimento duradouro no estado de saúde física, cognitiva, mental e social, podendo interferir diretamente no seu dia a dia, tanto nas atividades básicas de vida diária (higiene e alimentação) como nas instrumentais (por exemplo falar ao telefone, fazer compras, pagar contas, preparar alimentação) e apresentar sarcopenia. A gravidade de Covid-19, hospitalização e a permanência na UTI, pode estar relacionada a piores desfechos funcional, incapacidade e limitação nas tarefas diárias, necessitando, muitas vezes, de reabilitação e outros cuidados à saúde. Sendo assim, conhecer a continuidade assistencial e o acesso à fisioterapia para tais condições é essencial. Objetivos Estimar a prevalência de comprometimentos a longo prazo de atividades básicas e instrumentais de vida diária e de sarcopenia em casos notificados de Covid-19 leve e grave no município de São Paulo (SP) e de indicação de continuidade para cuidado e para fisioterapia, bem como associá-los com os fatores socioeconômicos. Metodologia Estudo transversal, em andamento, tem coleta em questionário eletrônico no software RedCap Brasil. A amostra foi aleatória 1.226 casos notificados para Covid-19 grave (613) e leve (613) do município de São Paulo entre os períodos de março de 2020 a janeiro de 2022 com partilha proporcional às cinco regiões de saúde de São Paulo. Foram questionados: renda mensal familiar; escolaridade; raça auto referida; orientação para necessidade de continuidade de assistência; necessidade de fisioterapia em decorrência da Covid-19; avaliação das atividades básicas e instrumentais de vida diária após dois anos do acometimento da Covid-19, com o questionário Katz e Lawton, e sarcopenia pelo SARC-F. As prevalências por ponto e intervalo de confiança de 95% foram calculadas para os comprometimentos funcionais, bem como associá-los com a gravidade de Covid-19 pelo x2 quadrado. Modelos de regressão logística foram construídos para associar a relação da continuidade de assistência e acesso à fisioterapia com a dependência funcional básica e instrumental e de sarcopenia, dados socioeconômicos e demográficos, ajustado pela severidade da doença. As análises foram realizadas no Stata 14 e considerou significativo p≤0,05. Resultados e discussão Até o momento foram avaliadas 234 pessoas, com média de idade igual 52,0 e 38,1 anos para Covid-19 grave e leve, respectivamente. Eram brancos (53,6%), com ensino superior completo (38,0%) e com renda familiar entre 2.000 a 5.000 reais (38,3%). 172 pessoas tiveram Covid-19 grave (73,5%) e 62 pessoas com Covid-19 leve (26,5%). Quase 40% (37,3%-IC95%: 0,3-0,4) teve comprometimento funcional moderado e grave para atividades básicas de vida diária, 74,9% (IC95%: 0,6-0,8) para pelo menos uma de sete atividades instrumentais de vida diária e 14,7% (IC95%: 0,1-0,2) com sarcopenia após dois anos de Covid-19. A gravidade da Covid-19 esteve relacionada com o prejuízo das atividades básicas (p=0,001), mas não com as instrumentais de vida diária (p=0,051) e nem com a sarcopenia (p=0,490). Quase metade (69 pessoas, 46,3%) receberam orientação verbal ou escrita para ter continuidade assistencial após Covid-19 e orientação para acesso à fisioterapia. Após a fase aguda de Covid-19, 26 pessoas (39,3%) tiveram assistência em hospital, 19 (27,5%) em unidade básica de saúde, 19 (27,5%) com médicos, 3 (4,9%) no pronto socorro e 2 (2,9%) por outros profissionais de saúde. O comprometimento moderado e grave das atividades básicas de vida diária influenciaram para recebimento de orientação de continuidade do cuidado (OR: 2,98; IC95%: 1,1 - 8,1), porém não para acesso à fisioterapia (p=0,074), independente da gravidade de Covid-19 leve ou grave, raça/cor, renda e nível de escolaridade. O comprometimento funcional para atividades instrumentais de vida diária (p=0,535) e sarcopenia (p=0,805) não tiveram associação com continuidade assistencial e nem para acesso à fisioterapia (p=0,671). Conclusões/Considerações finais Após dois anos de Covid-19, ainda há comprometimento funcional de pessoas que tiveram as formas grave e leve, e a assistência longitudinal foi para as pessoas com implicação nas atividades básicas de vida diária. A redução de desempenho para as atividades instrumentais e a sarcopenia não foram critérios para continuidade do cuidado e acesso à fisioterapia, independente da severidade da doença, da diferença racial, nível de renda e escolaridade. Para tanto, um problema sanitário da ordem da Covid-19 requer ações integralizadas da rede de atenção em resposta à necessidade de saúde para recuperação dos efeitos da pandemia. Contextualização A intensificação do encarceramento de mulheres no Brasil tem chamado atenção para diversos problemas que se relacionam às desigualdades de gênero e à necessidade de reduzir as diferentes formas de violência que se multiplicam na prisão e implicam sérios prejuízos à saúde desta população. É neste contexto que se torna relevante a discussão acerca da efetivação dos direitos reprodutivos das mulheres privadas de liberdade e, em especial, dos aspectos relativos à sua saúde sexual e reprodutiva (DIUANA et. al., 2016). Ainda, a gravidez e o nascimento durante o encarceramento constituem importantes diferenciais que fazem incidir sobre elas limitações e restrições adicionais, em especial no que se refere a seus direitos reprodutivos. Quanto ao exercício da sexualidade, dimensão integrante dos direitos reprodutivos, a Resolução nº 04, 29/06/2011, do CNPCP, considera a visita íntima de homens e mulheres presas com seus parceiros, independente de orientação sexual, como um direito constitucionalmente assegurado, recomendando às administrações penitenciárias estaduais que o assegurem. Hoje, no sistema prisional do MRJ, as mulheres não gozam do direito de receber visita íntima, a menos que seu parceiro também esteja custodiado em unidades prisionais. Assim, torna-se importante que a equipe de saúde que atua em unidades femininas, esteja atenta às necessidades de saúde das mulheres privadas de liberdade, incluindo as orientações quanto à sua saúde sexual e reprodutiva e à oferta de métodos que permitam a prevenção de doenças e da gravidez não desejada. Descrição Com taxa de aprisionamento de 27,55/ 100 mil habitantes, o MRJ possui, atualmente, 1524 mulheres em situação de cárcere, distribuídas em quatro unidades prisionais, sendo uma unidade materno infantil. Em 2020, a SMS Rio implementou equipes de Atenção Primária Prisional (eAPP) nas unidades femininas do MRJ. As eAPP atuam na lógica da atenção primária, com isso a atenção em saúde sexual e reprodutiva deve ser uma das áreas de atuação prioritárias observando-se como princípio o respeito aos direitos sexuais e reprodutivos. A SMS Rio realizou uma capacitação em planejamento sexual e reprodutivo com ênfase em inserção de DIU para as profissionais médicas que atuam nas equipes de Atenção Primária Prisional da SMS Rio nas unidades prisionais femininas, e ocorreu em duas etapas: teórica e prática. Durante os atendimentos realizados na unidade, a eAPP identificou mulheres que demonstraram interesse em realizar o planejamento reprodutivo usando métodos contraceptivos não definitivos e de longa duração.
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