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Apresentação/Introdução A Residência Multiprofissional em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (RMPICS) da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo pretende uma formação em saúde a partir das bases filosóficas e conceituais das racionalidades médicas, de maneira a contribuir para a integralidade e humanização do cuidado. É uma residência que se auto caracteriza como contra-hegemônica e está em constante transformação. Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado que analisou o projeto formativo dessa Residência, com foco na contribuição da formação para atuação no SUS. Nesse sentido, apresentamos a concepção de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) que norteia a RMPICS, à medida que ela efetivamente tem possibilitado a ampliação de espaços e cenários para intervenção e emancipação na saúde pública brasileira. Objetivos Apresentar o conceito de PICS da Residência e os efeitos, ou as decorrências desse enfoque teórico-conceitual nas mudanças da formação e, especialmente, nas práticas de saúde no SUS. Metodologia A pesquisa de mestrado trabalhou com a sistematização de experiências de Oscar Jara Holliday. A pesquisadora acompanhou entre os meses de março e agosto de 2022 as reuniões dos “Cenários de Prática” da Residência que ocorreram mensalmente e eram constituídas por coordenadores, preceptores e representantes discentes. As reuniões foram transformadas em documentos e deixadas à disposição em um drive para qualquer contribuição do coletivo, tanto em relação aos conteúdos das reuniões como outras problematizações que pudessem surgir a partir desta exposição organizada. Os documentos foram analisados e ordenados a partir de temas. Um dos temas, objeto-recorte deste trabalho, é justamente a concepção de PICS na Residência. Toda a dinâmica foi desenvolvida coletivamente visando a reconstrução do processo vivido e a compreensão da lógica que subsidiou esse processo e as relações pedagógicas do projeto formativo. A análise do processo - ampliado e dinâmico - permitiu rever as nossas próprias práticas de saúde considerando a realidade e repensar as práticas pedagógicas, pontuando limites e potencialidades do pensar-fazer com foco na formação em saúde com vistas a transformar o cuidado e a formação no SUS. Resultados e discussão A sistematização de conhecimentos produzidos no cotidiano dos serviços exige da formação no SUS uma reconfiguração dos processos de pesquisa e produção de conhecimento, de maneira que a complexidade da pluralidade das vidas e territórios esteja presente no cuidado à saúde e consequentemente na investigação. As PICS, como outras cosmopercepções de mundo, incitam a repensar a produção de conhecimentos e verdades e transformar os processos de cuidado. No projeto formativo da RMPICS, as PICS defendem o cuidado compartilhado, um cuidado que escuta os desejos e as vontades individuais e coletivas e integra a pessoa, sua família, as redes de cuidado e apoio, a comunidade, o território, de maneira a construir junto as formas de agir em saúde. Assim, o programa propõe em seu projeto pedagógico a reorganização dos processos de cuidado no SUS, na qual as PICS são os pilares para a formação em defesa de um SUS mais horizontal e coletivo. As práticas que são legitimadas pela PNPIC são de um universo “branco” ou “amarelo branqueado” letrado, que já foram apropriadas pelas profissões da saúde. Entretanto, o projeto da RMPICS, mesmo trabalhando com essas práticas, compreende as PICS como formas alternativas de pensar-fazer o cuidado e, para não reproduzi-las com base na “bio-lógica”, procura resgatar a sua essência, de forma a nos mover com a natureza, para um cuidado coletivo e compartilhado. Desse modo, na Residência, as PICS procuram diálogo com as Epistemologias do Sul. Como corpos no Sul, procuramos transcender a norma colonizadora e trazer para o debate da produção do conhecimento e da verdade de autoras da Améfrica Ladina e a amefricanidade, nos permitindo voltar para o vivido na América, de maneira a reconhecer influências culturais de diversos povos e legitimar os dispositivos criados nas tensões e lutas contra a dominação colonial e racial. Assim, para uma formação para o SUS e legitimação da linguagem de outras epistemologias, precisamos reavaliar as práticas de cuidado e formação, de maneira que as nossas ações reflitam aquilo que defendemos como política. Conclusões/Considerações finais Ao sistematizarmos as experiências pedagógicas da RMPICS, pudemos pensar a realidade na qual nos encontramos imersos. Isso nos possibilita contrapor a cultura de dominação, procurando perceber o nosso fazer em saúde e interrogar nossas formas de estar e agir relativos às PICS. Ao construirmos espaços nos quais podemos transformar de forma reflexiva, crítica e propositiva o trabalho em saúde, produzimos auto-interrogações e análises das nossas práticas. Dando visibilidade a processos, de maneira a não reproduzirmos formas de opressões no cuidado em saúde, nos posicionando ética, política e esteticamente em defesa de um SUS decolonial e emancipador. Apresentação/Introdução Os lugares da interseccionalidade, enquanto importante temática aos tempos atuais faz emergir questão frente às demandas de diálogo com diversos campos, sendo um deles o campo psicanalítico e suas instituições. É importante considerar que a formação psicanalítica, desde os primórdios da história do movimento, é atravessada por questões de cunho político e institucional que, por muitas vezes, se reproduziram em tons de dominação e poder transmutados nos ditames de suas instituições (Katz, 1977). Entre esses casos, em que o exercício da “força” e do “poder” institucional se efetivaram, no que tange aos que não deviam circular no meio psicanalítico, recordo o de Ferenczi. O psicanalista, um dos principais discípulos de Freud, ao denunciar e criticar as práticas de doutrinação pedagógica teve seu lugar de diálogo interrompido na cena psicanalítica de sua época (BIRMAN, 1996). Da mesma forma, os homossexuais, atravessados pela homofobia institucional, não encontravam espaço para a livre circulação e trabalho (BULAMAH, 2020), assim como as mulheres. No Brasil, em especial, as mulheres negras vivenciaram entraves no campo psicanalítico para inaugurarem e preservarem os seus lugares na psicanálise brasileira, ao exemplo de Virgínea Bicudo (LIMA, 2021) e Neusa Santos (SOUZA, 2021). Contudo, nesse debate, em que o reconhecimento seria o avesso do desmentido, se torna fundamental às exigências políticas contemporâneas de desterritorializar estes lugares, como nos casos das minorias raciais, dos conflitos culturais, das questões de gênero (Gondar, 2012). É necessário voltar os olhares para o interior das instituições psicanalíticas e observar quais são e como funcionam os seus movimentos de poder, e que possibilidades mobilizam e/ou inviabilizam aos grupos das diversidades e pluralidades no campo da psicanálise. Pois, qual se torna o valor da psicanálise sem que haja uma profunda viabilidade social, enquanto forças do campo político e histórico em nosso tempo? Objetivos O presente trabalho de pesquisa tem como objetivos escutar e analisar, com alguns psicanalistas, quais os efeitos produzidos pelas instituições de psicanálise em suas formações, e como estas instituições e seus pares dialogam com as forças do campo social e político das interseccionalidades.
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