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Contextualização Com pouco mais de uma década decorrida da implementação da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), acompanhamos os avanços e as dificuldades no enfrentamento à violência estrutural que afeta as pessoas LGBTIA+. Do acolhimento ao encaminhamento nos diferentes níveis de atenção à saúde, notamos o despreparo das equipes para compreenderem noções básicas que permitam o respeito às diferentes identidades sexuais e de gênero, deparamo-nos com práticas discursivas que alertam sobre espaços de poder, de disputas simbólicas que apontam a ação de dispositivos que mantém a cis-heteronormatividade em detrimento da diversidade. Descrição O presente trabalho constitui um relato de experiência do projeto de extensão “Educando para a diversidade sexual e de gênero: diálogos com profissionais da Rede de Atendimento à Mulher em Queimadas-PB”, prática vinculada ao departamento de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba-UEPB. O projeto tem sido desenvolvido em parceria com a Gerência de Articulação e Política para as Mulheres (GAPM) do município de Queimadas-PB e se apresenta como um desdobramento do trabalho intersetorial que vem sendo desenvolvido pela Rede de Atendimento à Mulher (REAM) do mesmo município. As práticas de extensão foram desenvolvidas por discentes do curso de psicologia, sob orientação do professor responsável pelo projeto e contaram com o apoio e a participação efetiva de coordenadoras da GAPM. O público-alvo das atividades foi constituído por profissionais dos serviços que integram a REAM do município de Queimadas. Foram desenvolvidas metodologias ativas que envolviam a realização de rodas de conversa, palestras, dinâmicas de grupo e estudos de casos que tinham como foco a troca de experiências e de conhecimentos acerca do atendimento às demandas da população LGBTIA+. Foi produzido um folheto com orientações acerca da diversidade sexual e de gênero para ser distribuído durante às práticas desenvolvidas. As/os extensionistas partilhavam de conhecimentos sobre a temática da diversidade sexual e de gênero, debatiam sobre as implicações da temática na prática cotidiana das/os profissionais e buscavam tecer novas construções a partir das demandas evidenciadas. Período de Realização Início em novembro de 2022 e término em junho de 2023. Objetivos O objetivo geral da extensão foi desenvolver estratégias educativas sobre diversidade sexual e de gênero e aplicá-las com profissionais que compõem a Rede de Atendimento à Mulher (REAM) do município de Queimadas-PB. Resultados Os encontros desenvolvidos possibilitaram trocas significativas entre os grupos de participantes. Observamos inicialmente que as/os participantes apresentavam dificuldades para compreender noções básicas sobre diversidade sexual e de gênero. Confusões no tratamento adequado ao gênero de travestis e transexuais, desconhecimento acerca das diferentes orientações sexuais, incompreensões acerca do uso do nome social e de como utilizá-lo no preenchimento dos prontuários e dos demais documentos nos serviços foram dificuldades repetidas constantemente. Foi notório encontrar representações sociais ancoradas na cis-heteronormatividade que imprimiam resistências, julgamentos e generalizações repercutidas no contato direto com as demandas da diversidade sexual e de gênero. Tais dificuldades resultavam em entraves quanto ao desenvolvimento do atendimento à população LGBTIA+. Aprendizados A realização das práticas extensionistas possibilitaram, através das interações propostas, a aproximação com o cotidiano dos serviços de saúde, em particular, com as experiências das/os participantes que debateram representações e práticas advindas do contato com o fenômeno da diversidade sexual e de gênero. Encaramos em nossa extensão que a diversidade sexual e de gênero compreendem objetos de representação social uma vez que desencadeiam produções de conhecimento pelo senso comum e orientam as comunicações e as práticas compartilhadas nos grupos acessados. Neste sentido, os encontros proporcionaram a apreensão dessas representações sociais como também permitiram que as mesmas representações fossem debatidas com novas possibilidades de produção de sentidos e de significados com o intuito de estimular novas práticas. Análise Crítica Os trabalhos desenvolvidos ilustraram um panorama social em que a cis-heteronormatividade orienta o campo de ação de profissionais que ainda desconhecem em boa medida a política de saúde integral da população LGBTIA+. Apesar de o conjunto das representações apontar uma generalização das identidades e assinalar estereótipos e preconceitos, encontramos um espaço potente de novas elaborações em que as resistências, dúvidas e incompreensões foram reconhecidas mediante as práticas socioeducativas desenvolvidas e que funcionaram como meios de problematização acerca de uma realidade invisibilizada e pouco explorada.
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