CORPOREIDADE DAS IYABÁS COMO PROMOTORA DO CUIDADO ANCESTRAL

Vol. 2, 2023 - 181051
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução É nas religiões de matriz africana, em especial no Candomblé, que as Iyabás são cultuadas como a natureza feminina que representa força, autonomia e resistência, e através da corporeidade, proporciona o ensinamento comunitário e ancestral afro-diaspórico. A construção e organização do conhecimento da população negra propõe uma profunda reflexão em relação ao impacto da colonialidade nas dinâmicas de cuidado e da cultura afro-brasileiras, compreendendo a complexidade da decolonialidade por meio da corporeidade como uma forma de conexão entre a ancestralidade e algo a mais que ultrapasse a modernidade. Neste sentido, este trabalho apresenta o relato de pesquisa sobre a sutileza dos movimentos corporais e as experiências vivenciadas por mulheres de candomblé na construção e manutenção da memória e dos conhecimentos ancestrais, traçando um fio condutor entre o que já foi e o que há por vir. No culto dos povos tradicionais de terreiro, o corpo é mais do que uma composição de matéria, o corpo é território onde habita a ancestralidade. O candomblé é matriarcal, de herança africana e negra, alocado em terreiros, quilombos e nas periferias, no qual as pessoas mais velhas são profundamente respeitadas e reconhecidas por serem portadoras dos conhecimentos mais profundos e complexos. Mesmo com sua condução abarcada na decolonialidade, o candomblé ocupa muitos espaços dentre os marcadores sociais da diferença, tornando-se por hora criminalizada e constantemente marginalizada. Sendo assim, é neste trabalho que se manifesta o interesse de propor como os conhecimentos ancestrais de origem africana se perpassaram, ultrapassando as repressões e criminalizações de cunho racial e religioso, e que até os dias atuais constroem o conhecimento por via não ocidental. Objetivos Objetivo Geral Compreender as expressões corporais que promovam força, resistência e protagonismo feminino nos ritos de candomblé (Ketu) por meio das danças das Iyabás. Objetivos Específicos • Observar o processo de ensino/aprendizagem dos movimentos de dança relacionados às Iyabás no espaço de memória ancestral; • Identificar as formas de expressão corporais em promoção da força, resistência e protagonismo feminino; Metodologia A fim de alcançar uma pesquisa efetiva dentro da temática em que se apresenta, a pesquisadora optou por utilizar da metodologia de etnografia, com as seguintes propostas metodológicas: 1. Observação participante no terreiro já frequentado, o Ilê Maroketu Asé Ominare além de outras duas casas, o Ilê Maroketu Asé Osun (ambas em São Paulo, SP) e Ilê Iaomim Axé Iamassê – Terreiro de Gantois (Salvador, BA). 2. Entrevista Etnografica com as Iyawos iniciadas em cultos de candomblé Ketu e que incorporam as orixás femininas, Iyabás. Resultados e discussão Falar da população que teve sua história fundamentada na colonialidade, assim como as violências que afetaram e ainda afetam toda organização social e cultural de um povo, nos faz também compreender as construções de premissas decoloniais afrodiaspóricas, que nos possibilita traçar uma linha de memória que relembra o passado e que propõe um futuro de conexão diretamente ligado à ancestralidade, em uma perspectiva de retomar aquilo que se perdeu e propor novas experiências de conhecimento por meio da arte, da religiosidade e da sutileza, que tornou a mulher negra (principalmente) criadora de sua própria dinâmica cultural. As tradições da população negra foram demarcadas pelo apagamento, no qual as línguas de origem foram proibidas e os povos e nações misturados para que não pudessem se organizar e se comunicar, a não ser que mediado por um padrão eurocentrado, como a catequização e o aprendizado da língua local (do colonizador) e a escrita. Contudo, dentro do processo de colonização se deu outras formas de estabelecer a comunicação, a organização e a produção de uma dinâmica cultural afro-brasileira, no qual os conhecimentos poderiam tornar mais eficaz a aproximação da ancestralidade, origem e cultura afro-diaspórico. Portanto, por meio das expressões corporais se dá uma das formas de comunicação e atualização da memória ancestral, principalmente quando as representações são demarcadas em corpos negros e femininos. Conclusões/Considerações finais São por meio dos conhecimentos ancestrais que se tem o conhecimento sobre o cuidado do corpo e com o Orí. São os rituais de folhas, os ebós e as expressões corporais e de incorporação que preservou as tradições da população tradicional de terreiro até aqui e por meio da linha de memória que se propõe uma trança entre o passado e presente o futuro. O cuidado ancestral por meio da corporeidade comunica a história dos antepassados em uma concepção decolonial, sugere caminhos para as resoluções de conflitos cotidianos, proporciona ritos de cura e mesmo dentro dos marcadores sociais da diferença, estabelece uma ação antagônica a lógica colonial. Apresentação/Introdução A doença falciforme (DF) é uma das doenças genéticas e hereditárias mais comuns no mundo. Afeta principalmente a população negra e é de uma condição crônica que ocasiona direta ou indiretamente manifestações clínicas em diversos graus de intensidade, complexidade e risco de letalidade, nas formas agudas e crônicas. Suas complicações afetam dimensões corporais, sociais e culturais e as pessoas com DF enfrentam ainda as questões políticas e de saúde e são expostas a situações de grande desigualdade e constrangimento, impostas pelo racismo. Especificamente na fase da adolescência e juventude é preciso lidar com mudanças no acompanhamento dos serviços prestados, a transição da atenção pediátrica em saúde para a atenção adulta, que costuma ocorrer de forma abrupta, sem um preparo prévio das pessoas e suas famílias, dificulta a manutenção do tratamento, o que, com o tempo, acarreta em adversidades em várias áreas de suas vidas. Para esta apresentação, realizamos um recorte pontual em entrevistas que foram realizadas no âmbito da pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política (ProMuSPP), da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH | USP). Objetivos O objetivo central da pesquisa é conhecer e analisar as percepções de adolescentes e jovens que vivem com doença falciforme, considerando suas vivências em relação à própria doença, a rede de atenção à saúde e escolar, considerando os marcadores sociais da diferença. O objetivo desta apresentação é problematizar experiências relatadas por elas e eles em relação à corporiedade e cuidado em saúde.

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Eixo Temático
  • CT 05 - Corporeidade, práticas de cuidado em saúde, identidades e os marcadores sociais da diferença