CONCEPÇÕES DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA E PEDAGÓGICAS NA PERSPECTIVA HISTÓRICA: REFLEXOS PARA A FORMAÇÃO EM SAÚDE

Vol. 2, 2023 - 181060
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução A qualificação da atenção à saúde vem sendo pautada pelo Movimento da Reforma Sanitária Brasileira (MRSB) em crítica à fragmentação do cuidado em saúde. A concepção ampliada de saúde é apontada enquanto novo paradigma com vistas a superar o modelo biomédico reproduzido no País e a formação em saúde é considerada um importante pilar neste processo de mudança. Como fruto deste movimento, o atendimento integral torna-se diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS). Articulada a esta diretriz, a ordenação de recursos humanos por este sistema de saúde e a integração ensino-serviço são apontadas como forma de promover, através da formação, a constituição de um perfil consoante ao cuidado integral. Porém, a mudança de prática e de formação em saúde tem demonstrado resistências que esbarram no modo de organização social de produção, cuja estrutura se expressa reprodutora do modelo hegemônico. Tendo em vista as resistências histórico-sociais para recuperar um cuidado fragmentado, ressalta-se a importância de estudos acerca das concepções do processo saúde-doença e pedagógica à luz do cuidado integral. Objetivos Desenvolver um constructo teórico a respeito do processo saúde-doença e da formação em saúde na perspectiva do cuidado integral. Metodologia Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e analítico, através de uma revisão não sistemática da literatura sobre o processo saúde-doença, com foco na sua reconstituição histórica e conceitual, tendo as categorias “trabalho” e “educação”, e o referencial hermenêutico-dialético. Considera-se a integralidade enquanto fenômeno e processo que se articula à concepção ampliada de saúde e a saúde enquanto direito social, bem como entende-se que a mesma compreende a relação entre a prática de saúde no plano particular, e a intersetorialidade e a organização social enquanto objetos de transformação no plano geral. Quanto à articulação com a educação, compreende-se que a concepção pedagógica histórico-crítica desenvolvida por Demerval Saviani articula-se à perspectiva de integralidade considerada. Resultados e discussão Mediante a industrialização e urbanização no século XIX, nota-se uma perspectiva normatizadora da saúde que incorpora a dimensão social em práticas higienizadoras. Em crítica a esta concepção, o movimento anticontagionista compreendia as relações socioeconômicas enquanto produtoras de saúde e de doença. No século XX, com a expansão das tecnologias produtivas, destaca-se a concepção biomédica e inflexão do social. No contexto mundial de crise econômica e de movimentos populares a partir dos anos 1960, resgata-se a dimensão social da saúde nos limites do funcionalismo, mencionando-se os determinantes sociais. A concepção ampliada de saúde se apresenta na crítica ao limite funcionalista, e destaca-se a determinação social da saúde. No aspecto educacional, observa-se que no século XIX a ênfase da pedagogia tradicional, relacionada à estruturação produtiva. No século XX, ao lado do desenvolvimento e da expansão produtiva, destacam-se a pedagogia nova e o tecnicismo. Na saúde, identifica-se o modelo de formação pautado na medicina científica. No final deste século, no cenário de crise econômica, enfatiza-se a pedagogia das competências em favor da reestruturação produtiva. Em crítica, a pedagogia da libertação e a pedagogia histórico-crítica. Na formação em saúde, no Brasil, destacam-se processos formativos inseridos na política de reorientação da formação profissional em saúde. Conclusões/Considerações finais Notam-se diversas concepções do processo saúde-doença e pedagógica durante o processo histórico, e que concepções funcionalistas tem tomado um lugar de destaque nas práticas de saúde e pedagógicas, o que tem apontado limites para um cuidado integral. Mesmo hegemônicas, concepções não críticas não estão dadas, nem são praticadas de maneira uniforme. A coesão de grupos em torno de concepções críticas indica a resistência ao modo de funcionamento das referidas práticas e a promoção de algumas mudanças de acordo com a sua particularidade histórica e espacial. Mas, ainda há a necessidade de vislumbrar mudanças no plano geral em direção ao referencial da integralidade para o cuidado na formação em saúde. Em consonância com este aspecto e enquanto movimento contrahegemônico, parece pertinente acolher enquanto etapa educativa as possibilidades de organização social que permita acessar espaços sociais articulados ao processo de determinação social da saúde. Apresentação/Introdução As comunidades remanescentes quilombolas tem sua origem na história marcada pela fuga de escravos resistentes ao processo de escravidão. Essas comunidades ainda lutam contra as iniquidades sociais promovidas por seus determinantes sociais em saúde (DSS) que segundo a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) entende DSS como fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população. Atualmente, as comunidades de África e Laranjituba enfrentam a falta de assistência à saúde, tornando mais vulnerável aos agravos à saúde. Portanto, frente a esse cenário torna-se relevante conhecer a condição de saúde da comunidade. Objetivos Identificar as condições de saúde periodontal e como impactam os determinantes sociais de saúde na população adulta pertencente a comunidade quilombola de África e Laranjituba e preparar um projeto de cuidados e educação em saúde periodontal.

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Eixo Temático
  • CT 25 - Políticas de emancipação e saúde: epistemologias e práticas para integralidade do cuidado