COMPREENDENDO AS EXPERIÊNCIAS DE MULHERES SOBRE OS PROCESSOS DE MASTECTOMIA PARA TRATAMENTO E PREVENÇÃO DE CÂNCER

Vol. 2, 2023 - 181292
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução A mastectomia, cirurgia de retirada da mama, pode ser indicada para várias situações e objetivos. Normalmente se apresenta como um procedimento para tratamento, mas em alguns casos é utilizada para prevenção do câncer de mama. Ao se tratar de um diagnóstico já fechado de câncer de mama, a mastectomia pode ser uma escolha terapêutica cirúrgica para retirada parcial ou total da mama visando tratar o câncer de mama e evitar recidivas. Em virtude dos altos índices de câncer de mama existentes atualmente a maior parte das mastectomias realizadas no Brasil e no mundo, objetiva o controle do câncer. Essa cirurgia se relaciona à diversas dimensões da experiência da mulher com câncer de mama, indo além de um método terapêutico para um possível marco e percussor de uma nova história pois possui uma enorme sobrecarga social para as mulheres que a realizam, tratando-se de uma cirurgia envolta em simbolismos permeados por estigmas e lutas como a padronização e erotização do corpo feminino. Ao falarmos sobre mastectomias, devemos lembrar que os seios têm um simbolismo social, evidenciados pela estigmatização, que colocam a mama como um órgão sexual, erótico e de prazer. A padronização do corpo ideal imposta pela sociedade determina inclusive formas, formatos e tamanho dos seios. Essa relação da mastectomia com o gênero e seus impactos levanta questões sobre os papeis sociais de traços e raízes históricas e culturais condicionados as mulheres e principalmente ao corpo feminino caracterizando-as a protagonizar a sexualidade, erotismo, maternidade, nutrição e o cuidado, papeis que podem sofrer impacto decorrentes das limitações físicas geradas. Compreendemos a mastectomia como um procedimento impactante em diversos cenários, sendo importante o diálogo acerca de suas experiências sob os olhares das Ciências Sociais e Humanas. Objetivos O objetivo dessa pesquisa é compreender os processos de mastectomia a partir das experiências de mulheres submetidas ao procedimento, especificamente: 1) Compreender as experiências a partir das narrativas de mulheres que tenham sido submetidas à mastectomia como tratamento do câncer de mama; 2) Refletir acerca dos sentidos da retirada da mama segundo os marcadores sociais de gênero, raça / cor e classe emergentes das entrevistas narrativas. Metodologia Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, baseada no método de entrevistas narrativas de Schütze (1977) e Good (1994) tendo como participantes mulheres que foram submetidas ao procedimento da mastectomia visando tratar o câncer de mama. O contato com as participantes foi realizado através de redes de relações e de um chamamento público nas redes sociais. Foram entrevistadas sete mulheres de forma remota. Tais mulheres ainda não obtiveram alta médica do acompanhamento multiprofissional pós-operatório Resultados e discussão As histórias narradas pelas mulheres entrevistadas sobre a experiência do câncer de mama e da mastectomia foram analisadas a partir de três categorias temáticas: A primeira ‘Câncer, sociedade e medo: A experiência do adoecimento e do diagnóstico’, apresenta o processo de diagnostico do câncer para as mulheres, assim como o processo de aceitação do adoecimento e adaptação durante o inicio terapêutico. A segunda categoria ‘O corpo social em debate do adoecimento: Autoestima e reencontros da mulher mastectomizada’, aborda a experiência vivenciada pelas participantes com seu corpo após a mastectomia, incluindo suas perspectivas das limitações e reabilitação corporal. E a terceira categoria ‘Laços, emoções e esperança: A mulher mastectomizada em suas relações e recomeços’ traz à cena os dramas familiares e afetivos vivenciados pelas mulheres submetidas a mastectomia, assim como as expectativas e esperanças para o término dos tratamentos. Conclusões/Considerações finais O corpo da mulher submetida a mastectomia carrega marcas além do processo mutilador, sendo um corpo modelado pela experiência do adoecimento e de um tratamento doloroso para uma doença de inúmeros enquadres sociais que impactam a saúde mental feminina. Deste modo, entendemos que vivenciar a mastectomia pode gerar uma reorganização da vida da mulher em sua completude, podendo influenciar sua autoestima, relações, rendas e aceitações sociais. Contextualização Como processo social, o envelhecimento está interligado às relações sociais, aos papéis desempenhados pelos idosos na comunidade e às percepções e atitudes da sociedade em relação aos mais velhos. Ele pode ser influenciado por fatores como estereótipos negativos, discriminação, exclusão social, desigualdades econômicas e acesso limitado a recursos e serviços adequados. Descrição Foram realizadas inspeções sanitárias em seis instituições de longa permanência para idosos, localizadas em uma capital do nordeste brasileiro, pela vigilância sanitária municipal, composta por uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde tais como nutricionista, sanitarista, enfermeira. Essas inspeções permitiram observar de perto as condições de vida, a saúde, o bem-estar e as relações sociais presentes nessas instituições, tendo a Resolução da Diretoria Colegiada 502/2021 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como base de referência para identificar as não conformidades encontradas no atendimento a esta população. No entanto, essa experiência trouxe a compreensão do envelhecimento como um processo social complexo, além da RDC, influenciada por fatores interseccionais e questões de decolonialidade em contextos de iniquidade.

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Eixo Temático
  • CT 16 - Gênero, interseccionalidades e saúde coletiva