COLONIALISMO DIGITAL: O AVANÇO DAS BIG TECHS SOBRE A CLASSE TRABALHADORA

Vol. 2, 2023 - 181389
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução Estamos vivendo uma era marcada pela disseminação de desinformação e pelo aumento constante da precarização do trabalho. Essa realidade enfrentada pela esmagadora maioria da classe trabalhadora, coloca em xeque as promessas vendidas pelo mercado da tecnologia, de que viveríamos uma era de informação e prosperidade compartilhada. O capital, progressivamente, vem sendo capturado e acumulado por uma minúscula parcela da classe dominante que consegue se blindar dos riscos produzidos por este modelo de sociedade e, ao mesmo tempo, desfrutar de uma vida de luxos. Em contrapartida, aqueles que dependem do trabalho para viver enfrentam salários baixos ou estagnados, aumento do custo de vida, perda de direitos e proteção social, sofrimento e adoecimento pelo trabalho, além do alto desemprego. A ideologia neoliberal tem se tornado cada vez mais destrutiva, impulsionando a competitividade até limites implacáveis levando as empresas a se adaptarem e promoverem métodos prejudiciais à classe trabalhadora. Nesse contexto altamente competitivo, são demitidos aqueles que não possuem as habilidades necessárias para se destacar e adaptar. Os considerados aptos, enfrentam demandas cada vez mais rigorosas em termos de produtividade, disponibilidade e disciplina. O medo de ser excluído e lançado para o crescente exército de reserva é amplificado gradualmente com o avanço das tecnologias de automação. O desenvolvimento da automação tem como objetivo principal a substituição total do trabalho humano por máquinas e, quando isso não é possível, a identificação de espaços de tempo “não produtivos”, a fim de intensificar a produção. Não há vestígios dessa prosperidade compartilhada e pesquisadores alertam para a falta de garantia legal que certifique que todos os trabalhadores, ou mesmo a maioria deles, sejam beneficiados pelos avanços tecnológicos. Esse cenário de ausência de regulamentação é um solo fértil para que grandes empresas possam maximizar seus lucros e assumir ou erradicar possíveis concorrentes, resultando na formação de monopólios. Objetivos Analisar os impactos promovidos pelas Big Techs e correlacioná-los com o aumento da vulnerabilidade socioeconômica que amplia o sofrimento experienciado pela classe trabalhadora. Metodologia O presente texto se trata de um ensaio com base em revisão narrativa, visto que busca explorar e analisar, de forma crítica, os processos históricos do avanço do mercado da tecnologia e seus impactos sobre a classe trabalhadora. A abordagem narrativa permite uma compreensão mais aprofundada e contextualizada dos eventos ao longo do tempo, destacando as mudanças e as relações entre os diferentes elementos envolvidos. Resultados e discussão As Big Techs têm uma presença global significativa e exercem controle sobre dados e infraestrutura digital. Elas coletam uma quantidade massiva de informações pessoais e comportamentais dos usuários e utilizam esses dados para lucrar e obter vantagens competitivas. Parte da mão de obra braçal dos países do sul global é explorada para fornecer insumos essenciais para as tecnologias digitais. Além disso, muitas dessas empresas terceirizam seus serviços de desenvolvimento e suporte para países subdesenvolvidos, aproveitando-se de mão de obra mais barata e menos regulamentada. Esse impacto desigual e exploratório das Big Techs e dos países desenvolvidos sobre as nações em desenvolvimento e suas populações, é o que vem sido definido como “colonialismo digital”. Assim como o colonialismo tradicional envolveu a exploração de recursos naturais e a dominação política de territórios, o colonialismo digital também envolve a exploração de dados, conhecimento e mão de obra. A constante lógica do empreendedorismo por meio da plataformização e da pejotização, constitui um dos grandes riscos de precarização do trabalho e da destruição de direitos que foram conquistados pela classe trabalhadora. O crescimento do desemprego junto do avanço das tecnologias de automação, aumenta, consideravelmente, as populações vulnerabilizadas. As Big Techs criam e administram uma lógica de governança da vida dos trabalhadores e da sociedade com o objetivo de cultivar e acumular formas de capital, humano e de dados. Esse sistema produz e agrava constantemente adversidades, injustiças e desigualdades. Conclusões/Considerações finais Os impactos nas diferentes sociedades produzem e agravam, progressivamente, adversidades, injustiças e desigualdades. Diante disso, apostamos que as clínicas do trabalho, em especial a Ergologia e a Psicodinâmica do Trabalho, se apresentem como abordagens relevantes para nos ajudar a compreender os complexos fenômenos de sofrimento e prazer que surgem no contexto de trabalho atual. Também se torna imprescindível mobilizar esforços e políticas que busquem regular essas megacorporações e prover a todos os indivíduos acesso a direitos trabalhistas e sociais, sem exceção, para que assim possamos mitigar os riscos e danos de um mundo totalmente automatizado. Apresentação/Introdução Durante a pandemia da Covid-19, os povos indígenas enfrentaram desafios adicionais devido à vulnerabilidade de suas comunidades e problemas da atenção à saúde preexistentes, mas acentuados fortemente, como a falta de infraestrutura adequada, a carência de profissionais, dificuldade de acesso a serviços especializados e falta de articulação entre diversos órgãos/instituições responsáveis pela saúde indígena. Apesar disso, eles demonstraram forte atuação na proteção de suas comunidades e na busca por soluções diante da crise sanitária, com destaque para sua mobilização a fim de garantir o acesso a serviços de saúde. Esse protagonismo, demonstrou a importância de se considerar a inclusão de suas vozes nas políticas públicas, na definição, implementação e avaliação das ações, a fim de garantir o pleno acesso ao SUS, respeitando seus direitos e diversidade cultural. Em uma pesquisa avaliativa sobre a integração do SASI-SUS com os demais pontos da rede de atenção do SUS, adotou-se um dispositivo - Comitê Gestor de Pesquisa (CGP), a fim de garantir participação de distintos interessados na pesquisa. Objetivos O objetivo deste trabalho é relatar o funcionamento e reflexões produzidas por um CGP em saúde indígena, sobre problemas e dificuldades da integração do SASI-SUS.

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Eixo Temático
  • CT 33 - Trabalho contemporâneo, saúde e ambiente: diálogos, confrontações e resistência