BYUNG-CHUL HAN E O CAMPO DA SAÚDE: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES

Vol. 2, 2023 - 180833
Relato de Pesquisa
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Resumo

Apresentação/Introdução Uma das matérias mais lidas da história do jornal/site El País na América Latina, foi publicada em 2018 e fala sobre o filósofo sul-coreano (atualmente vivendo na Alemanha) Byung-Chul Han. A matéria em questão aponta Han como um “filósofo que se tornou viral”, devido à sua popularidade impressionante, que extrapola os ambientes acadêmicos. No Brasil, especificamente, essa viralidade é notória: de 2015 até hoje, foram mais de 20 livros publicados em português; artigos científicos das mais variadas áreas do conhecimento que lançam mão do pensamento do filósofo; além da produção de conteúdo, através de redes sociais, que buscam divulgar livros e ideias de Byung-Chul Han. Tendo em vista que a filosofia de Han se debruça sobre o quanto os imperativos de desempenho e produtividade neoliberais, dentro e fora do ambiente de trabalho, afetam a saúde física e mental dos indivíduos e produz uma certa paisagem de sofrimento, este trabalho parte do seguinte questionamento: como o trabalho de Han vem reverberando (e pode reverberar) no campo da Saúde Coletiva? Objetivos O objetivo geral da pesquisa a ser apresentada consistiu em analisar as apropriações da obra de Byung-Chul Han pelo campo da Saúde no Brasil, com ênfase no campo da Saúde Coletiva. Trata-se de uma investigação de discussões científicas e acadêmicas sobre temas relevantes para a Saúde Coletiva que envolvem o pensamento do filósofo sul-coreano, publicadas nos últimos anos. Busca-se identificar em quais temas em saúde os conceitos e os livros de Han são utilizados e de que maneira isso é feito. A partir disso, propomos entradas e leituras possíveis da obra de Han para o campo de estudos de trabalho e saúde. Metodologia A partir de um levantamento bibliográfico feito na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Periódicos Capes, SciELO e Google Acadêmico, com o auxílio das palavras-chaves “Byung-Chul Han”, “Morte”, “Desempenho”, “Violência”, “Depressão”, “Psicopolítica”, “Sociedade do Cansaço”, “Saúde” e “Sofrimento”, selecionamos 35 artigos científicos que citam o filósofo, com temas relevantes para o campo da Saúde Coletiva e que foram analisados na pesquisa. Resultados e discussão A partir dos artigos selecionados no levantamento bibliográfico, nota-se que a filosofia de Han dialoga com um amplo arsenal de temas que permeiam o campo da Saúde Coletiva. O autor foi acionado em discussões que: problematizam o discurso psiquiátrico e psicológico acerca do sofrimento; avaliam os impactos sociais dos dispositivos em Saúde Mental; analisam a medicalização da vida e a epidemia de drogas psiquiátricas; evidenciam as novas formas de violências produzidas pelo ideário neoliberal; e que relacionam a paisagem contemporânea de sofrimento, sobretudo mental, com o modelo de produção econômico-capitalista atual. Grande parte é composta por artigos recentes, sendo 71% do levantamento bibliográfico é constituído por artigos que debatem temas variados a respeito da pandemia de Covid-19, contextos de trabalho, saúde do trabalhador e processos de subjetivação. Entretanto, apesar de a pesquisa indicar que o filósofo sul-coreano tem sido utilizado em artigos com temáticas pertinentes à Saúde Coletiva, apenas 1 dos 35 artigos que compõem o levantamento bibliográfico foi publicado em uma revista específica do campo. A maior parte (18%) dos artigos foram encontrados em periódicos de Ciências Sociais. Conclusões/Considerações finais Os conceitos e obra de Byung-Chul Han permitem diálogos com várias áreas, inclusive a Saúde Coletiva. No entanto, a pesquisa revela que, apesar do suposto caráter “viral” do autor e do volume das suas publicações em português desde 2015, parece haver pouca receptividade no campo à sua obra, se levarmos em conta o levantamento bibliográfico realizado. Este trabalho mostra que há muito a ser explorado na relação entre o filósofo sul-coreano e o campo da Saúde Coletiva, levando em conta temas, referenciais teóricos e perspectivas do autor. Isso vale especialmente para a interface entre saúde, trabalho e modos de subjetivação, para a qual o autor tem uma especial atenção e contribuição. Contextualização O Projeto Café com Bordado é uma iniciativa da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Prefeitura de Patos de Minas e Diocese de Patos de Minas. O Projeto surgiu em 2018 como uma como uma estratégia de mobilização comunitária e educação ambiental durante a implantação de ações de recuperação, preservação e proteção de nascentes de um afluente do rio São Francisco em Pindaíbas, comunidade rural de Patos de Minas no Estado de Minas Gerais. A mobilização comunitária por meio do bordado tem gerado resultados positivos em diferentes países, como as Arpilleras no Chile, que serviam de estratégia para denunciar as violações de direitos humanos durante a ditadura naquele país. No Brasil os bordados das mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) denunciam a violação de direitos humanos e degradação ambiental na construção de barragens. Tais experiências fundamentaram o planejamento e desenvolvimento do Café com Bordado. Descrição O Projeto Café com Bordado é um grande Círculo de Cultura em praça pública, onde foi construído um espaço com rodas de conversas ao redor de uma grande mesa. Essa mesa era coberta com tecido de algodão e havia dispostos novelos de linha, agulhas, tesouras e lápis. Sobre a mesa foi partilhado o lanche ofertado pela comunidade. Cada Círculo era mediado por texto, música, jogos cênicos ou atividade cultural da comunidade para mobilizar a discussão sobre um tema relacionado à problemática ambiental e promoção da saúde. A pandemia impediu a realização das atividades presenciais, mas não interrompeu as ações, uma vez que a comunidade já havia se apropriado do Projeto. Foram distribuídos kits individuais para os participantes bordarem em suas casas, os quais eram compostos por: pedaço de tecido de algodão branco com dimensão de 35 x 35 cm, agulha, linhas de cores variadas, máscara, texto explicativo e caderno para estimular a escrita reflexiva sobre a participação no Projeto. Após a entrega dos kits, foi criado um grupo no WhatsApp para facilitar a comunicação, oferecer suporte, incentivo, esclarecer dúvidas e impulsionar a interação e a troca de saberes entre os participantes.

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Eixo Temático
  • CT 33 - Trabalho contemporâneo, saúde e ambiente: diálogos, confrontações e resistência