Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Apresentação/Introdução A violência atinge crianças e adolescentes de formas cada vez mais refinadas e exige para seu enfrentamento a ampliação de conceitos, concepções e formas de intervenção. O que requer especial abordagem, quando entendidas como fenômenos sociais fortemente marcados por questões morais, que não raro produzem preconceitos ou reforçam mitos e tabus. Assim, é de se supor que determinações sociais como de raça, classe e gênero também componham este fenômeno. Na cidade São Paulo/SP, esta questão tem sido um dos desafios da Equipe Especializada no Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência (EVV). Esta equipe oferece cuidado especializado e multiprofissional a casos graves acompanhados pelos Núcleos de Prevenção à Violência da Região do M’Boi Mirim. Este trabalho tem como objetivo analisar e compreender as determinações sociais no contexto das crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Objetivos 1) Analisar como determinações sociais de gênero, classe e raça interseccionam-se na vulnerabilidade de crianças e adolescentes à violências sexuais; 2) Verificar a prevalência ou não de diferenças significativas de determinados perfis sociais, econômicos e familiares entre meninas negras e não-negras vítimas de violências sexuais; Metodologia Está Pesquisa propôs uma análise epidemiológica da Região de M’Boi Mirim, na periferia da Zona Sul da Cidade da São Paulo, tendo como amostra os dados de 210 pacientes atendidos entre abril de 2019 a novembro de 2021 na EEV. Foram verificadas as prevalências de meninas negra e não negras, segundo a idade, renda familiar, tipo de violência, e grau de parentesco com o suposto autor da violência. Foi adotado o nível de significância α 5%. Considerando a categoria raça/cor, com as variações branco, indígena, amarelo, preta ou parda. Sendo as pretas ou pardas, entendidas como raça negra. Esta pesquisa aprovada pelo CEP/SMS do Município de São Paulo, N° 5.4555.694. Resultados e discussão A razão de prevalência (RP) entre os pacientes vítimas de violência sexual é maior entre meninas (RP = 1,6; IC95% de 1,2501 a 2,1358), que entre meninos. Quanto aos supostos autores de violência, a RP de pais ou padrastos é maior (RP = 1,2; IC95% de 1,0161 a 1,4617) que de outros supostos autores. Entre as adolescentes (maiores de 10 anos) negras vítimas de violência sexual, a RP é 2 vezes maior (RP = 1,9; IC95% de 1,1222 a 3,1969) que entre as não negras. O mesmo ocorre entre as meninas negras vivendo em famílias com renda abaixo de um salário mínimo, em que a RP também, é 2 vezes maior (RP=2,6; IC95% de 1,0134 a 6,5766) que entre as não negras. Conclusões/Considerações finais A pesquisa revela que a adolescência negra, pobre e periférica é atravessada pelas marcas do colonialismo e patriarcado. A intersecção de determinações sociais de gênero, classe e raça, indicam componentes de um racismo estrutural e de alta vulnerabilidade na infância negra, especialmente das adolescentes. Impactando de forma significativa em sua identidade e subjetividade enquanto sujeito em desenvolvimento. Compreender os desafios do princípio de equidade do Sistema Único de Saúde, seja enquanto sujeito, profissional, estudante/ pesquisador, no contexto de atenção a vítimas de violência marcadas por este racismo, e suas desigualdades, implica em reconhecer a importância de políticas públicas antirascistas, no enfrentamento a violência sexual contra crianças e adolescentes. Apresentação/Introdução A adolescência e suas travessias exigem do sujeito uma série de elaborações (ALBERTI, 2004) e particularmente durante esse momento da vida os vereditos identitários do Outro são particularmente agudos (SOLER, 2014). Constata-se nos últimos anos o aumento nos atos de escarificação entre adolescentes. No cenário médico, as autolesões passam a ser compreendidas como "Transtorno de Autolesão Não Suicida" (DSM-5, 2014). O DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), manual diagnóstico predominante, considera a Autolesão Não Suicida uma dimensão diagnóstica independente e a inclui na categoria dos transtornos que necessitam de mais pesquisas e revisão dos seus critérios diagnósticos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui a autolesão no contexto da violência autoinfligida, fazendo série com tentativas de suicídio, suicídio, autoflagelação, autopunição. A demarcação da utilização de instrumentos pontiagudos é importante ao se conceber a especificidade da escarificação como um corte na pele que se distingue das demais modalidades de autolesões. Segundo a OMS (2017) a autolesão é a terceira maior causa de morte para a faixa etária de 10 até 19 anos sendo a quinta maior causa de morte para adolescentes do sexo masculino e segunda para o sexo feminino no ano de 2015. Objetivos O objetivo do presente estudo foi verificar as concepções e vertentes terapêuticas dominantes no campo médico e a sua incidência nos serviços de saúde no que se refere ao acolhimento das autolesões e escarificações realizadas por adolescentes.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo