Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Apresentação/Introdução As questões relacionadas à saúde da população em situação de rua têm se tornado mais explícitas com o aumento significativo deste contingente nos últimos anos, principalmente após a pandemia de Covid-19. Apesar disso, há uma trajetória de violações na construção sócio-histórica no Brasil que carregam consigo particularidades que se refletem até hoje na formação deste grupo e também nas formas de atenção às suas demandas. Compondo uma menor parte dele, as mulheres em situação de rua vivenciam experiências atravessadas tanto pela utilização do espaço público para reprodução da vida dita privada, quanto pelas estruturas de poder que as expõem às mais diversas formas de violências. O que ocorre também por parte de agentes que deveriam promover o cuidado. A relação criada entre mulheres em situação de rua e profissionais da saúde é, por muitas vezes, permeada pela tensão pois, ao promoverem a assistência às gestantes, esta se dá pensando somente no bem-estar do bebê, deixando de lado questões fundamentais para um cuidado integral. Objetivos Discutir as contradições na coexistência da visibilidade da mulher gestante em situação de rua por sua condição, ao tempo que é também invisibilizada pelo cuidado se centrar no bebê e na saúde física, em detrimento da integralidade e bem de ambos. Metodologia Pesquisa qualitativa cujo método consistiu em pesquisa bibliográfica nas bases de dados de produções no campo da saúde (BVS), além de outras produções que versam sobre o tema. Foi realizada também pesquisa documental sobre as normativas referentes aos direitos à saúde de gestantes. Resultados e discussão O desgaste na relação de assistência à saúde das mulheres em situação de rua faz com que, no período da gestação, estas acabem por se afastarem dos serviços de saúde. Há uma resistência pela atenção ao pré-natal vir acompanhada também por julgamentos e exposição de sua situação, assim, a aproximação de profissionais pode ser vista como uma possível violação de direitos futuramente, ao adentrarem na maternidade. Isso explicita como ainda há um distanciamento sobre pensar um cuidado integral que envolva mãe e bebê e fortaleça os vínculos entre gestantes em situação de rua e os profissionais que as assistem. Conclusões/Considerações finais Mulheres gestantes em situação de rua transitam entre o visível e o invisível. A gestação traz sobre elas uma atenção e um maior cuidado, ao mesmo tempo que é motivo de tensão, pois é nessa relação que também são criminalizadas por sua condição, sem que esta seja vista como mais um motivo de cuidado em outros aspectos. Além disso, é fundamental que o pré-natal envolva a rede de políticas públicas, aumentando as chances de preservar ou melhorar as condições de saúde das mulheres gestantes em situação de rua. Apresentação/Introdução A discussão sobre saúde mental entre povos indígenas funda a antropologia médica e é parte da história da antropologia. Nos estudos de William Rivers, as enfermidades e queixas que não apresentassem causalidade conhecida no sistema médico europeu passaram a ser interpretadas como produtos de sistemas lógicos, mas de caráter religioso. Como consequência, a racionalidade dos povos não-europeus passou a ser definida a partir de categorias como religião e, posteriormente, como cultura. A estratégia epistemológica de incorporar elementos incompreensíveis à causalidade biomédica a partir da gramática da cultura tornou-se um padrão, inclusive com a inserção das ‘Síndromes ligadas à cultura’ no DSM IV, em 1994. Observa-se, nesse movimento das ideias, a reiteração de um pensamento racional e científico ocidental frente a outro exótico e cultural do não-ocidente. No contexto latino-americano, queixas como susto e doenças dos nervos passaram a ser tratadas como doenças culturais e de pouca intervenção de assistência à saúde, para além das medidas farmacológicas para a contenção de crises. Como contraponto, as teorias decoloniais e a discussão das epistemologias do sul passaram a defender a categoria do bem-viver como uma teoria que reitera o caráter de luta coletiva e uma epistemologia que indissocia o indivíduo, o coletivo e o meio ambiente entre povos indígenas andinos. Entretanto, quando essa teoria é trazida para as terras baixas amazônicas e passa a ser utilizada por diferentes atores não-indígenas, como pelos serviços de saúde, acaba retirando o contexto pragmático de mobilização social e luta indígena de onde surgem, e passa por um processo de deslize epistemológico e o bem-viver passa a reificar uma ideia homogeneizadora e ocidental de comunidade, coletividade, reciprocidade e solidariedade. E é nesse contexto que analisamos queixas e perturbações de saúde de indígenas que moram em aldeias localizadas nos Rios Trombetas e Mapuera (RTM). Objetivos Discutir a categoria bem-viver a partir da pesquisa etnográfica e documental. Analisar o itinerário terapêutico de indígenas com queixas caracterizadas como problemas de ordem mental.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo