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Apresentação/Introdução A rua possui uma importante função de mediação semiótica para os adolescentes e configura-se como espaço de produção de diferentes signos e construções diversas de significados provenientes das culturas pessoal e coletiva. Frequentemente o contexto da rua é analisado, definido e tipificado como essencialmente negativo e produtor de inúmeras vulnerabilidades, desconsiderando as representações idiográficas e intrasubjetivas que caracterizam as vivências neste contexto social. Investigações contextuais, culturais e semióticas no contexto da rua tem sido promissoras para uma ampliação da compreensão teórica e científica do intertrejogo risco e proteção nestes territórios historicamente tipificados como essencialmente vulneráveis. Objetivos Neste trabalho, buscou-se analisar a importância das construções semióticas no trabalho com adolescentes em situação em contextos tipificados como vulneráveis. Metodologia Do ponto de vista metodológico esta pesquisa tem o recorte qualitativo, do tipo interpretativa, realizada com 5 adolescentes em situação de rua, com dados coletados através do questionário sociodemográfico, da entrevista semiestruturada e do diário de campo. A análise foi realizada tendo como marco teórico a Psicologia Semiótico Cultural e através de processos de categorização e subcategorização das informações. Resultados e discussão As pessoas, nos mais diversos contextos e a partir de suas experiências interpessoais e intrapsicológicas, identificam os riscos e desenvolvem formas de proteção e resistência em função de seus repertórios culturais, semióticos e relacionais onde a construção de signos e o processo de significação assumem uma importante função na direção dos pensamentos, orientação das ações e promoção de habilidades relacionadas a proteção frente a violência. Na perspectiva de alguns adolescentes entrevistados a rua representa um refúgio contra a violência intrafamiliar, um contexto de maior liberdade, ludicidade e brincadeira. Destaca-se que a Cultura pessoal, sendo o modo como as pessoas, por meio de suas idiossincrasias e significações intrasubjetivas, constroem suas próprias culturas e atribuem significado ao mundo, às suas ações e a si mesmo e a Cultura coletiva, enquanto conjunto de recursos simbólicos e significados socioculturais provenientes das relações sociais são duas direcionadoras dos processos relacionais e de enfrentamento dos riscos e vulnerabilidades. O interjogo risco e proteção é expresso como aspecto inseparável que atravessa vivências ao longo do tempo por meio de diferentes significações, refletindo mais os valores religiosos e/ou espirituais da vida do que a proteção familiar, do estado e sociedade. Conclusões/Considerações finais As ferramentas semióticas promovem o desenvolvimento constante de estratégias de sobrevivência pessoal e coletiva e o conhecimento sobre os riscos e proteção por parte dos entrevistados é elemento importante na apropriação do território, sentimento de pertencimento cultural e superação das dificuldades cotidianas enfrentadas. Contextualização O presente trabalho objetiva apresentar reflexões sobre a formação em psicologia a partir da experiência na ação coletiva “Ocupa Praça – ocupa , cuida e brinca”, parte do projeto de extensão “Crianças e adolescentes em situação de rua e acolhimento institucional: construindo estratégias de territorialização afetiva”. Ao refletirmos sobre a função social da universidade e o novo horizonte de formação universitária oferecido pela regulamentação das atividades de extensão desde a Resolução nº 7 MEC/CNE/CES, destacamos a importância do diálogo e das trocas afetivas com a população em situação de rua (PSR) na formação do profissional de psicologia, bem como da atuação do psicólogo nas lutas populares pelo direito à cidade, entendendo-as como reivindicações próprias ao campo da saúde coletiva. Descrição Com o objetivo de oferecer cuidados em saúde, numa perspectiva de saúde ampliada, interdisciplinar, para bebês, crianças e adolescentes vulnerabilizados e suas famílias, com foco nos que vivem e/ou circulam pelas ruas. O “Ocupa Praça”, utilizando-se da ludicidade, é uma estratégia intersetorial realizada nas praças públicas. Por meio de oficinas de contação de histórias, música, capoeira, teatro do oprimido, slackline, silk screen - entre outros caminhos.
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