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Apresentação/Introdução A pandemia do COVID-19 mudou o cenário da saúde no mundo instaurando o distanciamento social, a necessidade de reorganização dos serviços de saúde e acentuou as desigualdades sociais. Essa conjuntura impacta diretamente na assistência prestada às pessoas acometidas pela Hanseníase, uma vez que se têm relação da doença com baixas condições socioeconômicas e com a organização dos serviços de saúde (SOUZA, MAGALHÃES, LUNA; 2020). Lopes et al (2022) afirmam que pessoas do gênero masculino, a população negra e pessoas com menor grau de escolaridade representam o maior quantitativo de casos de hanseníase, bem como são os mais propensos ao contágio pelo COVID-19 e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Objetivos Avaliar as ações do Programa de Controle da Hanseníase (PCH) de Recife-PE na pandemia da COVID-19 diante da perspectiva dos profissionais de saúde. Metodologia Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa pautado no referencial teórico-metodológico de Avaliação de Processo para seu desenvolvimento realizado como parte das ações do Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Cuidado, Práticas Sociais e Direito à Saúde da Universidade de Pernambuco (GRUPEV-UPE). O estudo foi realizado no ano de 2022 com profissionais de saúde de duas Unidades de Saúde da Família (USF) e uma Policlínica, participantes do PCH em Recife-PE. Foram incluídos os profissionais com período de atuação mínimo a partir do ano de 2019 (prévia à pandemia) e excluídos àqueles que possuíssem qualquer condição cognitiva aguda ou crônica que pudesse limitar a capacidade de participação do estudo, assim como os profissionais afastados do serviço no período da pesquisa. Para coleta de dados foram realizadas entrevistas gravadas, semiestruturadas, individuais e conduzidas por um roteiro, abordando as adaptações e desafios dos serviços de saúde durante a pandemia COVID-19 na assistência aos usuários acerca do diagnóstico da hanseníase precoce, identificação de contatos domiciliares, orientações quanto ao tratamento, reações hansênicas, prevenção de incapacidades, estigma e vulnerabilidades. Os dados obtidos foram submetidos à análise textual e lexical no software Interface de R pour lês Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ). Trata-se de uma ferramenta de rigor estatístico que viabiliza diferentes tipos de análises textuais em estudos qualitativos. O presente estudo está vinculado ao projeto “A hanseníase e a pandemia do coronavírus: impacto na vida das pessoas afetadas, na organização dos serviços e ações estratégias”, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Complexo Hospitalar HUOC/PROCAPE por meio do parecer N°5.197.512. Resultados e discussão Foram realizadas entrevistas com 7 profissionais de saúde e, posteriormente, realizadas as transcrições, as quais foram inseridas na ferramenta IRAMUTEQ. A partir da análise textual resultou-se em 5 classes na Classificação Hierárquica Descendente (CHD). O corpus das entrevistas foi estruturado e organizado de acordo com grau de semelhança relacionado a um determinado assunto, resultando em agrupamentos por classes chamados de dendograma do CHD que consiste na representação estatística e lexical das classes. Em relação a análise lexical, as classes foram categorizadas e representadas por eixos temáticos: Classe 1 - Mudanças na continuidade da assistência na pandemia; Classe 2 - implicações nas demandas nos serviços de saúde; Classe 3 - Consequências da pandemia na atenção da saúde da Hanseníase; Classe 4 - Reações e sequelas gerados pela pandemia; Classe 5 - Busca ativa, tratamento e abandono. A pandemia COVID-19 provocou barreiras de acesso na atenção à saúde de pessoas acometidas pela Hanseníase devido a reestruturação dos serviços para atender prioritariamente o COVID-19, além do desabastecimento de medicamentos destinados à Hanseníase e de materiais para curativos. Houve também a diminuição na quantidade de consultas e de ações de educação em saúde voltados para a hanseníase e a dificuldade de busca ativa, avaliação e diagnósticos. Atrelado a isso, verifica-se também que o medo da COVID-19 implicou no abandono do tratamento da hanseníase, assim como percebe-se um diagnóstico tardio, o que repercutiu no maior desenvolvimento de sequelas e incapacidades. Conclusões/Considerações finais Verifica-se que o cenário pandêmico agravou os desafios enfrentados pelos usuários afetados pela Hanseníase, pelos profissionais de saúde e pela gestão. Frente a isso, se constitui uma endemia hansênica, sendo a carga da doença disseminada no país com redução das ações de prevenção, diagnóstico e tratamento afetando, principalmente, as populações socialmente vulneráveis. Ademais, é necessário construir estratégias para viabilizar o acesso aos usuários afetados pela hanseníase pelo Programa de Controle da Hanseníase a fim de garantir os cuidados necessários no diagnóstico, tratamento e prevenção de incapacidades. Contextualização O presente trabalho tem o objetivo de compartilhar a experiência de ensino em Saúde Coletiva no internato rotatório em obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Reconhecendo a Saúde Coletiva como campo de conhecimentos e atuação multiprofissional com papel estratégico nas discussões de questões do processo saúde e doença, na própria organização da assistência e nas necessidades sociais de saúde, o internato de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da UFRJ é coordenado pelo Instituto de Saúde Coletiva (IESC). Após uma reformulação em 2018 e em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina, o internato passou a abranger cinco áreas: Clínica Médica, Cirurgia, Pediatria, Medicina de Família e Comunidade e Ginecologia/Obstetrícia. Em cada uma dessas áreas, é prevista a inserção da Saúde Coletiva em carga horária de 4 horas semanais, buscando promover no interno a reflexão acerca da relevância e aplicabilidade dos conhecimentos deste campo na prática profissional. Descrição O rotatório de obstetrícia é realizado na Maternidade Escola da UFRJ e desde julho de 2022 passou a ser coordenado por integrantes da área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde do IESC. As ciências sociais e humanas são fundamentais na formação médica por ampliarem sua visão para além dos aspectos biológicos e clínicos da saúde, proporcionando uma compreensão mais ampla e abrangente dos aspectos sociais, culturais e éticos relacionados à saúde e ao cuidado médico. Dessa forma, a ênfase do internato em obstetrícia é a discussão de temas a respeito da saúde reprodutiva das mulheres, mais especificamente os que envolvem a gravidez, o parto e puerpério. Oferecendo recursos para que os internos possam questionar o ensino da medicina, buscar informações de maneira crítica e lidar com os aspectos subjetivos referentes à saúde e ao cuidado. Para tanto, optou-se por aulas e atividades com temas fixos, sempre com assuntos de grande relevância para a formação médica e, frequentemente, negligenciados nesses espaços de conhecimento. Outras aulas são temas variáveis, sempre com uma abordagem interseccional e em interface com o conceito de justiça reprodutiva. As aulas são propostas de diferentes formas, podendo ser expositivas, a partir de dinâmicas ou atividades em grupos e, com frequência, utilizam-se de recursos audiovisuais, como documentário e materiais online. São ministradas pelos autores e por professores convidados de diversas áreas como saúde pública, antropologia, fisioterapia, psicologia, enfermagem, serviço social e distintas áreas da medicina, acreditando na importância da produção de um conhecimento transdisciplinar e integrado.
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