INTRODUÇÃO
O Estágio Curricular (EC) aproxima o estudante-estagiário (EE) de seu futuro campo de atuação, viabilizando a reinterpretação das experiências e vivências pessoais, com os saberes técnico-científicos ensinados no processo formativo.
A socialização de saberes e experiências do EE com seus professores orientadores (PO) e supervisores (PS) possibilita uma reflexão e análise acerca das representações histórias e sociais da profissão, além de seus valores, atitudes, conhecimentos e comportamentos (PIMENTA; LIMA, 2012; BATISTA; GRAÇA; QUEIRÓS, 2014).
Para que isso ocorra o processo de orientação e acompanhamento precisa estimular a negociação e interação do EE com seus pares, compartilhando anseios e experiências em prol da situação posta e desenvolvimento de iniciativa conjunta na aplicação da ação (TRUDEL; CULVER; WERTHNER , 2013).
Frente a isso, o presente trabalho teve por objetivo analisar como os EE avaliam o processo de orientação e acompanhamento no EC no que se refere ao resgate e mediação de experiências prévias.
METODOLOGIA
O estudo adotou a metodologia qualitativa do tipo descritiva. A coleta de dados foi por meio de um grupo focal (GATTI, 2012), norteado por questões referentes ao processo de orientação e acompanhamento do ECP.
Participaram da pesquisa, 10 EE de uma instituição de ensino superior particular de Maringá-PR, selecionados de acordo com seu interesse e sua disponibilidade. Os relatos apresentados foram gravados, transcritos e analisados de forma descritiva a partir do procedimento técnico da análise de conteúdo (MINAYO, 1999). Ressalta-se que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n. 1.246.824.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
As discussões estabelecidas indicam que a maioria EE percebe que o processo de orientação e acompanhamento no campo de estágio é importante, mas necessita ser reestruturado para se configurar de forma menos burocrática e mais direcionada a princípios, valores e atitudes da profissão, favorecendo o resgate e aplicação de suas experiências prévias.
Para que o processo se estabeleça de forma significativa, os EE apontam que seria interessante que os PO atuassem como tutores e os PS como facilitadores. Segundo Batista, Graça e Queirós (2014) isso se refere aos PO estimularem a troca de ideias, auxiliando nas ações de planejamento e reflexão sobre a prática desenvolvida e; os PS desenvolverem ações que estimulem a participação, os questionamentos e reflexões.
Ao serem questionados sobre o resgate e reinterpretação das experiências prévias nas vivências do EC, os EE reconhecem que esse processo pode os auxiliar a compreender as demandas do campo profissional e articular as tarefas vivenciadas com os conhecimentos proporcionados ao longo da formação, mas que essas são pouco utilizadas por parte deles e por parte do PO e PS, que precisam adotar ações que os encorajem a refletir e a aprender, facilitando o desenvolvimento pessoal e profissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se ao longo das ações de EC e do processo de orientação e acompanhamento que ainda há carência de ações que potencializem a autonomia do EE, de modo a levá-lo a refletir sobre as situações postas e traçar estratégias a partir da ressignificação de suas experiências prévias articuladas aos conhecimentos técnico-cientificos provenientes da formação inicial.