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O desafio contingente à educação física se refere ao desenvolvimento do projeto de formação humana comprometido com uma preparação que assegure aos futuros docentes o domínio de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários à compreensão da realidade social, tendo em vista a sua transformação e avançando na interlocução da área com a problemática da educação inclusiva. As práticas inclusivas no ambiente escolar têm sido tratadas pelos docentes como um recurso didático ad hoc para lidar com discentes que possuem algum nível/tipo de deficiência ou característica limitadora, mas essa práxis não está inserida em uma estrutura voltada à preparação de todos os discentes para compreender que as distintas barreiras que os corpos com deficiência enfrentam no cotidiano são construídas socialmente, aprofundando, assim, a condição de deficiência dessas pessoas e afetando a sua participação na vida em sociedade. Cabe à formação docente enfrentar a questão e abordar transversalmente o tema da deficiência física, intelectual e sensorial – e das pessoas que possuem limitações situacionais (corpos gordos, lesionados, de mulheres, com menor alfabetização corporal, menos habilidosos etc. –, estruturando o processo de ensino-aprendizagem dentro da perspectiva inclusiva de sensibilização das pessoas ditas sem deficiências para um universo de limitações impostas pelo ambiente construído sociohistoricamente. Este trabalho é resultante de uma pesquisa de doutorado já concluída, focada no estudo de corporeidades de mulheres com deficiência jogadoras de voleibol sentado, bem como de artigos subsequentes já publicados, ao passo que o presente estudo tem como objetivo compreender a inclusão reversa como forma de problematizar práticas pedagógicas em um contexto que se caracteriza pelo tensionamento resultante da relação entre as categorias inclusão/exclusão e o tema da diversidade na formação de professores de educação física. Diante da situação, perguntamos o que será possível realizar de mais imediato para que as atitudes sejam modificadas na direção de uma sociedade inclusiva? A pesquisa está lastreada nos estudos de Le Breton (2012, 2013a, 2013b), Sassaki (2003), Miron (2011), Silva (2021), Chicon (2008) e Mauss (2017). A metodologia empregada no estudo original seguiu abordagem qualitativa, orientada por uma pesquisa de campo, tendo como técnicas a observação participante, a entrevista, o questionário e o relato de vida. Para tanto, a inclusão reversa – originalmente pensada como uma experiência pedagógica de realização de práticas corporais inicialmente voltadas às pessoas com deficiência (esportes adaptados como o voleibol sentado, por exemplo), mas executadas por pessoas ditas sem deficiência – é aqui pensada como uma forma de condução do processo educacional a ser inserida na formação de professores de educação física, pautada na promoção da diversidade humana e incorporada na práxis docente, caracterizada como um efetivo projeto de imersão de pessoas ditas “sem deficiência” em um universo repleto de limitações estruturais, metodológicas, comunicacionais, programáticas (políticas públicas, normas e regulamentos) e circunstanciais que culminam em um processo de estigmatização de um grupo como de “pessoas com deficiência”, afetadas no exercício pleno da cidadania, permitindo que se garanta equidade de oportunidades de aprendizagem a todos os discentes no mesmo contexto espaço-temporal.
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