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A partir do roadmap traçado pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), a participação do biodiesel na cadeia energética brasileira se tornará cada vez mais importante, chegando à uma adição de 20% ao diesel fóssil até 2030. Esse cenário, acoplado ao fomento de uso de óleo e gorduras vegetais da agricultura familiar e à valorização dos frutos do Cerrado via a “Lei do Pequi” (Lei nº 15.089/2025), jogam holofotes na utilização do óleo de macaúba (Acrocomia aculeata) como possível fonte de produção desse biocombustível. As características físico-químicas desse óleo, como sua alta acidez (acima de 70 mgNaOH/g), no entanto, exigem o uso de vias de reação que não a alcalina, tipicamente usada na produção industrial de biodiesel de soja, para impedir a formação de sabões. Nesse sentido, o presente trabalho descreve a produção do biodiesel etílico do óleo de macaúba a por via enzimática com a lipase EversaⓇ Transform 2.0 (relação molar etanol:óleo, 4,48:1, cargas mássicas de enzima e água, 2,43% e 3,41%, respectivamente, 40ºC e 36 horas de reação) com uma etapa intermediária de desacidificação com resina de troca iônica. A vantagem desse processo está na possibilidade da enzima promover a esterificação dos ácidos graxos livres concomitantemente à transesterificação, fornecendo biodiesel com alta conversão (acima de 90%) sem a formação de acilgliceróis. Também estão descritas as propriedades termofísicas (densidade, viscosidade, índice de refração, índice de acidez, % de acilgliceróis, % de água) do óleo bruto e do biodiesel, que ainda não atingiram todos os índices mínimos exigidos na legislação (Resolução ANP nº 920/2023) sob as condições investigadas experimentalmente.
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