PERCEPÇÃO DE JOVENS COM SÍNDROME DE DOWN ACERCA DA INCLUSÃO NA ESCOLA REGULAR
Não há mais como negar a inclusão escolar. Hoje ela é uma realidade (ou deveria ser). Nesse sentido, muitos alunos, sujeitos desse processo, passam a ser, como argumenta Carvalho (2007, p. 110), meros “figurantes”, ou seja, estão ali, mas na realidade não fazem parte. Este estudo objetiva investigar as percepções de escolares com síndrome de Down sobre as interações vivenciadas tanto na sala de aula quanto as delas derivadas, como trabalhos em grupo extraclasse, eventos sociais, no intuito de identificar processos de visibilidade ou invisibilidade. Os sujeitos são cinco jovens com SD, duas moças e três rapazes do Ensino Fundamental, Médio e Superior, do município de Pelotas. Os dados advêm de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas posteriormente. A análise de dados é baseada no processo de categorização do estabelecimento de relações de Moraes (2003). Os resultados mostram que na maioria das vezes é o professor quem escolhe os grupos de trabalho, não possibilitando as interações autônomas. Há, ainda, grupos determinados no começo e serão sempre os mesmos, inviabilizando a socialização com os demais colegas. Dos cinco sujeitos, apenas um alega ser convidado para eventos sociais pelos colegas. Este trabalho possibilitou depreender duas categorias de respostas: reconhecimento e invisibilidade, com destaque para essa última. Assim, constata-se que mesmo com toda a legislação inclusiva, o aluno se percebe ainda como não fazendo parte desse ambiente totalmente.