TRABALHO-EDUCAÇÃO, AUTOGESTÃO E PROCESSOS FORMATIVOS DE TRABALHADORES/AS NA AMAZÔNIA Resumo: Trata-se de produção que mantém relação com o objeto de pesquisa tese em andamento, discute, a relação entre trabalho-educação, autogestão, formação de trabalhadores(as), considerando os processos formativos experienciados no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, na microrregião do Baixo Tocantins-Pará. Busca-se compreender a formação para além de contextos escolares, na perspectiva da educação humana, propondo-se contribuir para a emancipação da classe trabalhadora, na contradição capital-trabalho. Acoleta de dados ocorre com base nas singularidades das práticas formativas em levantamento documental (produzidos no interior da entidade) sobre a atuação e deliberações do sindicato, bem como revisão bibliográficas, entrevistas e rodas de conversas, analisada, entre os anos 1990 a 2024, orientada no materialismo histórico-dialético. Apresenta-se resultados parciais, entendendo a formação como um processo sócio-histórico, em que os trabalhadores/as se tornam sujeitos de resistências, enquanto tipos humanos em mediações as práticas sociais no contexto da Amazônia paraense. Palavras-chave: Trabalho-Educação; Autogestão; Formação de Trabalhadores/as. INTRODUÇÃO O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais[1] - STTR, como entidade constituída, não existe fora da realidade social. Por sua vez, existe dentro de uma conjuntura maior de fortalecimento e de enfraquecimento, que denominamos de movimento imerso na universalidade, baseado em (Lukács, 2003). A universalidade em que o sindicato se encontra, são as relações hegemônicas do modo de produção capitalista, mas por outro lado, também, existe no interior as contra hegemonias. Enquanto o capital do ponto de vista universal, coloca no sujeito as soluções dos seus problemas, atribuído ao empreendedorismo e cooperativismo. Em contradição, as contra hegemonias defendem a produção coletiva, através do trabalho associado em que os trabalhadores(as) sejam donos dos meios, dos instrumentos e dos resultados da produção, experienciado nas práticas da autogestão. Em termos históricos cartográficos, o Município de Cametá, situado no nordeste paraense, pertencente a mesorregião do Baixo Tocantins, na Microrregião de Cametá, apresenta-se como um espaço heterogêneo sociocultural urbano e rural, conhecido na região como (terra firme e ribeirinha), permeado por produções humanas, composto por povos e comunidades tradicionais. São denominados pequenos agricultores e agricultoras rurais que desenvolvem a agricultura familiar e preservam conjunto de saberes e valores, sócio-culturais, políticos, econômicos, frutos da relação do trabalho, seres humanos e natureza. Teoricamente, consideramos a categoria trabalho em Marx (2008), como elemento essencial para a produção/manutenção da vida de mulheres e homens, condição fundante para a existência social, como dimensão ontológica, criadora e humanizadora. O humano se constrói através do trabalho, como criador de valores de uso, como trabalho útil, como condição de sua existência. Definimos os processos formativos de trabalhadores/as rurais como espaços em construção de práticas educativas, atividades produtivas e modo de vida, conforme Trein e Ciavatta (2004), que buscam desenvolver o papel da emancipação humana, atravessados por contradições de primeira e de segunda ordem do capital (Mészáros, 2008), mas também com oposições a esssas últimas. Em suma, discutimos a relação trabalho-educação, modos de (re)produção da existência, experienciadas pelos trabalhadores/as rurais, como prática educativas, atravessados no contexto histórico da Amazônia em contradição ao capital, entre riqueza e degradação, com suas implicações, desafios e tensões na construção de uma base social produtiva, educativa, humana e integral que possam contribuir para uma sociedade democrática, livre e crítica, mediado pelo trabalho. Objetivo Geral: Analisar processos formativos experienciados por Trabalhadores/as Rurais, no território do Baixo Tocantins/Amazônia paraense, como possíveis práticas formativas fomentadoras de consciência de classe em oposição ao projeto hegemônico do capital. Objetivos Específicos: Caracterizar as metamorfoses do mundo do trabalho e seus impactos no modo de vida, formação e organização dos sujeitos no interior do STTR; Explicitar o contexto histórico-político, sociocultural e econômico do STTR na região; Depreender os saberes sociais, quer de consciência de classe e/ou de natureza pragmática, dos trabalhadores/as no interior do STTR; O Problema da pesquisa Como questão central, indagamos, como processos formativos experienciados no Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais, podem ou não se materializar como práticas formativas de tipos humanos, voltadas para a construção de projetos societários de uma consciência de classe em oposição a formações pragmáticas, que visam os interesses do capital e manutenção da ordem? METODOLOGIA Trata-se de pesquisa qualitativa, busca-se compreender o processo em que “[...] as pessoas constroem significados” (Bogdan; Biklen, 1994, p.70) sobre os seus processos formativos, a partir de um Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, realizando a articulação teoria e empiria, em integração com categorias como formação, trabalho, autogestão e consciência de classe, de modo a compreender a realidade concreta (Kosik, 1976), entendendo com Thompson (1981), que o trabalho de investigação se complementa com o diálogo disciplinado entre conceito e evidência interrogada, entre teoria e a vida material, considerando o contexto societal da Amazônia paraense, experienciado pelos trabalhadores/as, em suas práticas formativas. Tomamos o materialismo histórico-dialético como método de análise, a partir de Marx (2008) em sua totalidade social e unidade do diverso. Pontuando a necessidade de entrevistas e rodas de conversas, junto a presidentes, coordenadores de área e sindicalizados(as) participantes das formações realizadas entre os anos 1990 e 2024, assim como junto a sindicalizados(as) que, embora não participantes das formações, receberam ações decorrentes das formações experienciadas por outros membros(as) do STTR, buscando captar fios de continuidades entre a formação, organizações e as práticas formativas do Sindicato, após a ditadura militar e o período de redemocratização do país. RESULTADOS PRELIMINARES A pesquisa encontra-se em andamento. Mas em termos, entendemos que os trabalhadores/as possuem potencialidade como sujeitos históricos, inseridos nos processos formativos no STTR, podem (re)construir seu ambiente material em unidade seres humanos e natureza, suas materialidades objetivas e subjetivas às transformações nas reproduções de sua existência com a natureza e os saberes do trabalho que se entrecruzam no processo de formação humana, na perspectiva de luta de classes, na defesa de direitos coletivos em oposição ao modo de produção capitalista. Embora ações do modo de produção de um processo de uberização presentes na região, como grandes projetos hidreletricos e subjetividades do capital, que define o que quer, que não precisa mais comprar terra de ninguém e só precisa dizer onde e como os trabalhadores devem produzir - acabam dando forma a suas ações. São formados de acordo com os mandos do capital. Em contradição, é necessário reconhecer que nesses territórios existem materialidades produtivas econômico-sócio-culturais, decorrente do trabalho, que podem expressar sociabilidades antagônicas, como trabalho associado - o que pode evidenciar consciência e identidade de classe, a partir de processos de organização em que coletivos lutam e reivindicam direitos, acesso a políticas, almejando um projeto emancipatório possível. CONCLUSÃO Partimos da compreensão de que os processos de formação, para além de contextos escolares, contribuem como possibilidade de materialização de outras realidades sociometabólica, com o que, em tese, estamos a advogar a partir dos processos formativos de um STTR na Amazônia. A temática possibilita na reflexão que os trabalhadores/as rurais podem ter consciência de tornar-se sujeitos em construção de sua história sociocultural, identitária, em um processo emancipatório, compreendendo como sujeitos de processos de formação e qualificação como potenciais de consciência de classe. Todavia, o contexto, instiga-nos como pesquisador, no sentido de ampliar o debate em políticas de valorização da educação/formação (campo/ribeirinha) forjada pelos sujeitos, em movimento histórico que se contrapões as ações do capital na região, que tendem a negar a vida. REFERÊNCIAS BOGDAN, Roberto C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto, Portugal: Porto Editora, 1994. LUKÁCS, G. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista/Georg Lukács; tradução Rodnei Nascimento; SP: Martins Fontes, 2003. KOSIK, K. Dialética do concreto. 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. MARX, Karl. O Capital, I, Seção I, Capítulo I Mercadoria. 2008. Disponível em: <
https://www.marxists.org/portugues/marx/1867/ocapital-v1/index.htm>. Acesso em: 20 junho. 2024. MÉSZÁROS, István. Educação para além do capital. 2ª ed. São Paulo: Boitempo, 2008. TREIN, Eunice & CIAVATTA, Maria. O percurso teórico e empírico do GT Trabalho e Educação: Uma Análise para debate. In: ANPED. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro: autores associados. Out/nov/dez. 2004. Nº 24. pp. 140 – 164. THOMPSON, E. P. A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma crítica do pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. [1] Do ponto de vista do espaço de atuação, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais possui sede na cidade de Cametá/Pará, e se faz presente em todas as localidades e comunidades do município, sendo composto por filiados/filiadas, delegados/delegadas sindicais.