Este simpósio aborda a saúde mental em comunidades educativas da América Latina, reunindo três experiências distintas. No Chile, são analisados os sistemas de apoio em saúde mental escolar e as barreiras estruturais que limitam sua efetivação. No Brasil, são apresentadas duas experiências: 1) intervenção em escola de nível fundamental, baseada na Teoria das Representações Sociais, com propostas educacionais decoloniais, e 2) dados de projetos de intervenção para promoção de saúde mental universitária, baseado na Logoterapia e Análise Existencial. A saúde mental em comunidades educativas é complexa, com desafios e particularidades nos contextos latino-americanos. As apresentações deste simpósio apontam para a necessidade de abordagens que considerem a singularidade de cada comunidade, suas demandas e recursos: elementos essenciais para o desenvolvimento de estratégias eficazes e sustentáveis para a promoção da saúde mental em contextos escolares e universitários. A saúde mental tem sido amplamente discutida nos espaços escolares devido ao crescente adoecimento dos estudantes, impactando o ensino-aprendizagem (ROJAS-ANDRADE; LEIVA, 2018). Esta pesquisa, intitulada “Escola Promotora de Saúde Mental: acompanhamento e implementação de um modelo prototípico chileno em uma escola básica estadual em Belo Horizonte, MG, Brasil”, propõe uma intervenção em saúde mental baseada em um modelo chileno. A primeira etapa investiga as representações sociais de estudantes e docentes sobre saúde mental, utilizando a Técnica de Associação Livre de Palavras e análise prototípica (WACHELKE; WOLTER, 2011). Foram analisadas 103 respostas de estudantes e 27 de docentes. A segunda etapa consiste na implantação da intervenção, e a terceira avalia mudanças nas representações sociais por meio do conceito de Representações Sociais em Movimento. Os primeiros resultados apontam o papel central da psicologia e a relação da violência escolar com fatores sociais e estruturais, como o racismo, fatores que influenciam a Saúde Mental. O Projeto CASA-Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico é uma iniciativa pioneira na UFRJ para acolhimento psicológico e suporte acadêmico para estudantes do Centro de Tecnologia da UFRJ. É um espaço multidisciplinar para promoção de saúde mental e bem-estar com atendimentos de psicoterapia breve baseados na Logoterapia e Análise Existencial (LAE). Para a LAE, a falta de sentido de vida gera frustração e vazio existenciais, resultando em adoecimentos psíquicos, cuja prevenção é fundamental. Todas as ações são integradas na pesquisa-intervenção “Promoção de Saúde Mental e Prevenção de Suicidio entre Universitários”, que investiga prevalência de indicadores de saúde mental (estresse, ansiedade e depressão) para conduzir ações de intervenção para prevenção de suidicio entre universitários. O CASA presta acolhimento inicial para encaminhamento às ações de psicoterapia breve individuais ou grupais com, no máximo, 10 encontros pautados nos pressupostos da LAE. Observa-se pelos relatos dos estudantes que a experiência no projeto proporciona a formação de vínculos afetivos, consigo e com o outros, e sentidos de vida adotados para enfrentar desafios, como sentimentos de isolamento e de não pertencimento ao contexto universitários. Por sua vez, a saúde mental na educação superior é discutida em diferentes áreas da academia. Entre os docentes, essa problemática assume contornos diversos com o acúmulo de demandas, a desvalorização e o sucateamento da educação, o que contribui para elevados índices de adoecimento dessa população (Neme & Limongi, 2020). Além disso, as práticas pedagógicas vigentes refletem uma visão produtivista e economicista do ensino superior, resultando em ações pedagógicas reducionistas e descontextualizadas (Lesnieski & Trevisol, 2021). Este estudo propõe a implantação de ações de sensibilização junto aos professores do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro em práticas educativas humanizadoras para a liberdade, pautadas nos pressupostos da Pedagogia Crítica e Decolonial e da Logoterapia e Análise Existencial. Tais ações pretendem estimular a reflexão entre professores, valorizando o autocuidado por meio de ferramentas que promovam um ambiente mais acolhedor e promotor de saúde mental docente, com reflexos nos seus estudantes. Estudantes com suporte adequado têm trajetórias educativas mais exitosas, e uma educação acessível e inclusiva fortalece a saúde mental. Apesar disso, a saúde mental escolar não recebe o reconhecimento necessário nas políticas educacionais, resultando em desigualdades no acesso e implementação fragmentada. A quarta apresentação deste simpósio “Garantir a Educação é Garantir a Saúde Mental” analisa o normativo chileno e internacional, que permite interpretar a saúde mental escolar como um direito a partir da proteção de outros direitos. São examinados os sistemas de apoio e as barreiras estruturais que limitam sua efetivação, como a fragmentação das políticas e a desigualdade no acesso aos serviços. Concluímos que a garantia plena do direito à educação exige a integração da saúde mental às políticas educacionais, com articulação intersetorial robusta e estratégias sustentáveis para um acesso equitativo e universal.