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Resumo A qualidade de vida é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 1998) como o ato de o indivíduo perceber sua própria existência em função de um conjunto de aspectos culturais e de valores estabelecidos diante da sua relação com seus objetivos, suas expectativas, preocupações e padrões sociais. A OMS também define saúde como um completo bem-estar físico, mental e social e não meramente ausência de doença (WHOQOL Group, 1994), sendo, portanto, conceitos que se complementam, envolvendo aspectos físicos e mentais e que devem ser preferencialmente analisados na percepção individual de cada um (Gill; Feinstein, 1994). Discutir qualidade de vida, exige um olhar para os mais diversos conceitos e concepções. O senso comum se apropriou do termo para se referir às melhorias de ordem econômica, social ou emocional na vida das pessoas ou mesmo um alto padrão de bem-estar. Percebe-se que a falta de consenso conceitual é marcante, entretanto, deve- se levar em conta além dos aspectos objetivos, aspectos subjetivos, que não podem ser separados, pois existem condições na vida das pessoas que irão influenciar sua percepção ou subjetividade acerca da qualidade de vida. O momento histórico atual, marcado pelo avanço do neoconservadorismo que atinge não só os países desenvolvidos, mas também os periféricos, reflete no crescimento direto do neoliberalismo (Frigotto, 2017), e traz consigo uma crise estrutural do sistema capitalista, em que a exploração do trabalho assume níveis desumanos, interferindo na saúde e qualidade de vida da classe trabalhadora, em especial, como trataremos nesse estudo, do profissional docente. A profissão docente, é marcada por extensas cargas de trabalho, cobranças por relatórios e resultados e mudanças nas formas de trabalho, que se intensificaram com a pandemia e com as reformas educacionais. Além desses fatores, ao longo da carreira, o profissional precisa encarar a falta de reconhecimento, a desvalorização e a perda de significado social da sua profissão, sobretudo, para quem se prepara para o final da carreira em função da aposentadoria. Devido a fatores como os citados, é cada vez maior o número de docentes que enfrentam problemas de saúde, consequentemente, a perda da qualidade de vida e a motivação para estar na escola. O foco dessa investigação tem como objetivo central analisar a qualidade de vida e saúde desses profissionais que se encontram no final da carreira, cumpriram todos os requisitos, possuindo a idade mínima e o tempo necessário, que deram entrada no processo de aposentadoria e aguardaram por meses ou anos pela publicação no Diário Oficial, e/ou aqueles que foi concedido tal direito durante a pandemia. A presente pesquisa possui aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado da Bahia com o parecer número 4.410.612. Trata-se de um estudo realizado com 37 professores da rede pública estadual da Bahia, sendo 34 do sexo feminino. A coleta de dados ocorreu através de questionários para verificação de dados sociodemográficos e laborais, o WHO Quality of Life-Bref Questionnaire (WHOQOL_Bref), o SF-36 (The Medical Outcomes Study 36-ítem Short-Form Health Survey) e entrevista semiestruturada. As discussões foram inspiradas pelo materialismo histórico e dialético, considerando a configuração do trabalho docente. Os achados apontaram que as mudanças na forma de trabalho ocorridas em função da pandemia de Covid-19 impuseram o profissional a se adequar às ferramentas digitais sem nenhum tipo de formação, um fato que causou angústia e mal-estar em muitos profissionais. Ao correlacionar saúde e qualidade de vida, os dados expressaram a relação existente entre elas e demonstraram que, quanto mais satisfeito com a saúde, melhor será a qualidade de vida do profissional que atua nessas condições. O questionário SF-36 permite a avaliação da saúde em um período de um ano, esse fator nos permitiu avaliar as mudanças ocorridas na vida de profissionais que ainda se encontravam em processo de aposentadoria e se aposentaram. Os dados revelaram que a aposentadoria traz consigo a sensação de dever cumprido e da melhoria da saúde e qualidade de vida, pois podemos inferir que 43,2% apresentaram melhora em sua saúde e, consequentemente, na sua qualidade de vida. A principal contribuição desse estudo é dar visibilidade a questão enfrentada da duração dos processos de aposentadoria existente na Secretaria de Educação do Estado da Bahia, estabelecer esse debate pela categoria e estimular a criação de políticas públicas de promoção e recuperação da qualidade de vida dos profissionais que já cumpriram todos os requisitos e são obrigados a continuar trabalhando por conta de questões burocráticas existentes na Secretaria da Educação. REFERÊNCIAS BARROS, Claudia Cristiane Andrade. Qualidade de vida do docente em processo de aposentadoria e/ou aposentado durante a pandemia: um recorte das escolas públicas estaduais de Vitória da Conquista – Bahia. 2022. 155. F. Dissertação (Mestrado em Educação) Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, Vitória da Conquista – Ba, 2022. FRIGOTTO, Gaudêncio. Escola ‘sem’ partido esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de janeiro: LPP, Uerj, 2017. GILL, T. M.; FEISTEIN, A. R. A critical appraisal of the quality of quality-of-life measurements. Journal of the American Medical Association, Chicago, v. 272, n. 8, p. 619-626, 1994. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE: Manual do usuário WHOQOL: Programa de Saúde Mental. Genebra. Genebra: Organização Mundial da Saúde;1998. WHOQOL GROUP. The development of the world Health Organization quality, of life assessment instrument (the WHOQOL). In: ORLEY, J. KUYKEN, W. (Eds.) Quality of life assessment international perspectives. Heidelberg: Springer, 1994. P. 41-60.
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