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O termo qualidade de vida (QV) inicialmente era utilizado para determinar uma população com comportamentos de consumo de bens materiais. Posteriormente, essa caracterização sofreu alterações e passou a abarcar, além do bem-estar econômico, o acesso à saúde e à educação (Gomes et al., 2017). Atualmente, a análise de QV considera variáveis históricas, sociais, culturais e de interpretação individual, não busca de uma caracterização dos níveis de vida apenas sobre dados objetivos; relaciona-os com fatores subjetivos e emocionais, expectativas e possibilidades dos indivíduos ou grupos em relação às suas realizações, e a percepção que as pessoas têm de suas próprias vidas, considerando, inclusive, questões imensuráveis como prazer, felicidade, angústia e tristeza (Almeida; Gutierrez; Marques, 2012). É necessário enfatizar que QV é uma expressão de difícil conceituação, tendo em vista o seu caráter subjetivo, complexo e multidimensional. Ter QV depende, pois, de fatores intrínsecos e extrínsecos (Rocha et al., 2004). Diante do exposto, observa-se que o conceito de QV transita num campo semântico polissêmico e, nesse interim, adotamos nesta pesquisa o conceito de QV apresentado pela OMS (1998), que define QV como a visão do indivíduo sobre a sua situação de vida, no que diz respeito ao modo de vida e aos sistemas de valor em que vive, de acordo com os seus objetivos, pressupostos, normas e preocupações. Considerando o exposto, este estudo teve como objetivo compreender as características e fatores relacionados à qualidade de vida de docentes universitários itinerantes. Convém salientar que o termo “itinerante” nesta pesquisa é concebido como uma situação em que os indivíduos residem em um lugar e se deslocam para outro com a finalidade de trabalhar, caracterizado pela ida e volta frequente, sem mudança definita de domicílio, o qual é denominado pela Geografia como “migração pendular”, e se refere ao deslocamento entre local de residência, seja município ou estado, e outras localidades com objetivo de estudar e trabalhar (Jardim, 2011). Trata-se de um estudo descritivo, exploratório com abordagem quantitativa, cuja amostra foi composta por 16 docentes da Universidade do Estado da Bahia - Campus XVII Bom Jesus da Lapa – BA de um universo de 17 docentes itinerantes. Para a coleta de dados, utilizou-se de dois instrumentos: Questionário de Valorização Docente (QVD) (Moreira; Mussi; Cardoso, 2022) com as adaptações necessárias para identificar o perfil sociodemográfico, a formação e características profissionais, carreira, condições de trabalho e saúde; Whoqol–bref, questionário que avalia QV nos domínios físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Utilizou-se o Microsoft Excel para os cálculos dos escores e estatística descritiva do Questionário (Q-DV) e pacotes do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), software para análises estatísticas dos dados obtidos por meio do Whoqol-bref. Dos docentes que constituíram a amostra deste estudo, 68% eram do sexo feminino e 32% do sexo masculino, com média de idade de 38 anos. Em relação ao estado civil, 37% casados, 25% solteiros e 19% separados; 56% possuem regime de trabalho de 40 horas semanais; 62% utilizam o ônibus como meio de transporte e 31% gastam entre 5 e 6 horas no deslocamento casa/trabalho. Os resultados obtidos proporcionam uma visão do que é enfrentado por esses profissionais, abrindo caminhos para discussões mais profundas e ações concretas no campo da educação e da valorização docente. Além disso, a pesquisa revelou uma precarização do trabalho desses docentes, relacionados aos vínculos empregatícios com longo tempo de contrato sem estabilidade profissional, 83% estão vinculados à instituição por meio de contratos temporários, somados à dependência exclusiva do salário advindo da docência, o que destaca a complexidade financeira enfrentada por muitos profissionais. A avaliação dos domínios da QV evidenciou como menor domínio o ambiental, com média de 50,4 (±14,4), esse domínio explora a qualidade do ambiente onde o indivíduo está inserido, incluindo segurança física, recursos financeiros, saúde e serviços de cuidados de saúde, acesso à informação e lazer; seguido pelo domínio físico 57,4 (±20,0); psicológico 64,6 (±20,2); e o social 66,1 (±16,5) destaca-se como o de pontuação mais alta entre os quatro domínios. Isso indica que, apesar dos desafios ambientais, físicos e psicológicos, os participantes relatam níveis relativamente satisfatórios de QV nas relações sociais. Nessa pesquisa também foi possível constatar que os professores consideram sua QV boa, porém, passível de melhoras nos aspectos de trabalho e deslocamento, e realizações pessoais. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Marco Antonio Bettine de; GUTIERREZ, Luis Gustavo; MARQUES, Renato. Qualidade de vida: Definição, conceitos e interfaces com outras áreas de pesquisa. Escola de Artes, Ciências e Humanidades – EACH/2012. GOMES, K. K. et al. Quality of life and quality of working life of health science professors at a higher education institution/Qualidade de vida e qualidade de vida no trabalho em docentes da saude de uma instituicao de ensino superior. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 15, n. 1, p. 18-29, 2017. JARDIM, A. P. Reflexões sobre a mobilidade pendular. In: OLIVEIRA, L. A. P.; OLIVEIRA, A. T. R. Reflexões sobre os deslocamentos populacionais no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. MOREIRA, D. M. S.; MUSSI, R. F. F.; CARDOSO, B. L. C. Questionário sobre valorização docente (Q-VD): elaboração e validação de um instrumento. Revista Tempos e Espaços em Educação, v.15, n.34, p.e17489, 2022. DOI: 10.20952/revtee.v15i34.17489. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/revtee/article/view/17489. http://dx.doi.org/10.20952/revtee.v15i34.17489 OMS. Promoción de la salud: glosario. Genebra: OMS, 1998. ROCHA, S. S. L.; FELLI, V. E. A. Qualidade de vida no trabalho docente em enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem, v. 12, n. 1, 28-35 jan.fev., 2004.
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