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O processo de internacionalização possibilita uma contribuição ímpar na trajetória de docentes e discentes, na medida em que oportuniza, para quem o vivencia, o aprendizado através de uma nova perspectiva. A internacionalização permite analisar o mundo de um outro ponto de vista; conhecer distintas opiniões; testemunhar eventos culturais e melhorar a capacidade linguística – importante diferencial no potencial do conhecimento obtido. São oportunidades únicas, que devem ser legitimadas e valorizadas, pois são representações educacionais relevantes (Stallivieri, 2017). Neste estudo, foram investigados Programas de Pós-graduação (PPG) em Educação Física sob as lentes dos seus governos eletrônicos (e-gov). De acordo com Oliveira e Leiro (2016, p. 541), “[...] podemos considerar os e-gov como documentos dinâmicos e plataformas eletrônicas potenciais de difusão formal dos deveres do Estado, direitos sociais e controle democrático”. Buscou-se, por meio da análise dos e-gov, investigar ações, elementos e relações que esses PPG implementam em suas plataformas informativas no contexto da internacionalização. Esta escrita é um recorte de pesquisa de doutorado em desenvolvimento, que busca analisar os efeitos da internacionalização nos PPG em Educação Física no Brasil. Com esse propósito, sob as lentes dos e-gov, delineou-se como objetivo analisar como os Programas de Pós-graduação em Educação Física buscam desenvolver suas ações de internacionalização. Para o estudo, foi realizada uma análise documental do conjunto de documentos institucionais presentes nos e-gov dos PPG investigados. A análise considerou os seguintes aspectos de língua estrangeira nos e-gov: versão das informações; oferta de disciplinas; presença de professores visitantes e exigência de proficiência para ingresso ou permanência no Programa. Também considerou a participação dos programas em iniciativas de mobilidade, como intercâmbio e doutorado sanduíche. Adotou-se como critério de inclusão: PPG pertencente à Área 21 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que abrange os cursos de Educação Física, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia; ser públicos, acadêmico e ativo. Os critérios de exclusão foram: programas de outras áreas, profissional, desativado e privado. No mapeamento dos PPG em Educação Física, foram identificados 33 programas, distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, nas seguintes instituições: UTFPR, UFRN, UFPEL, UnB, USP, UFV, UFSC, UEL, UPE, USP-Ribeirão Preto, UFMA, UFTM, UESB, Ufes, UFRJ, Univasf, UFPR, UFPE e UFG (19); em Educação Física e Esporte: UFTM e Unicamp (2); em Ciências do Movimento: Unesp-Rio Claro, UFAL, UFMS, UFPI e UFS (5); em Ciências do Movimento e Reabilitação: UFSM e Unifesp (2); em Ciências do Movimento Humano: Ufam, UFRGS, UENP, UFPA e Udesc (5). Dos 33 e-gov analisados, 21 PPG em Educação Física disponibilizam a versão do site em outros idiomas, 14 programas oferecem disciplinas em língua estrangeira e apenas um conta com um professor visitante internacional. Além disso, 19 programas apresentam, em seus e-gov, documentos e/ou divulgações relacionadas à internacionalização. Quanto à exigência de proficiência em língua estrangeira, 26 programas solicitam, no momento da inscrição ou até 50% do curso, a apresentação de certificado de língua estrangeira, sendo o de proficiência em língua inglesa o mais recorrente. Por fim, nove programas divulgam convênios de intercâmbio ou doutorado sanduíche em seus e-gov. Observa-se que a maioria dos PPG encontrados adotou a versão em língua estrangeira em seu e-gov, o que facilita o acesso dos estudantes às informações e os incentiva a considerar a possibilidade de estudar nesse contexto. Essa ação contribui para o aumento do número de disciplinas voltadas para a internacionalização, atraindo novos estudantes e despertando o interesse dos alunos da instituição por temáticas internacionais. A exigência de proficiência em língua estrangeira tem se consolidado como uma prática comum nos PPG pesquisados, oportunizando, aos pós-graduandos, a interação com diferentes idiomas ao longo de sua trajetória acadêmica. A divulgação das ações de internacionalização nos e-gov, embora evidente e explícita, pode ser mais divulgada e explorada por alguns PPG, a fim de fortalecer a política de incentivo à internacionalização no contexto da educação superior. Assim, torna-se importante compreender os desafios relacionados à ampliação da presença de professores visitantes, analisando obstáculos presentes na vinda de docentes estrangeiros e barreiras existentes, para que os professores brasileiros atuem como visitantes em instituições internacionais. Estabelecer parcerias e firmar acordos para melhorar as ações de internacionalização na educação superior é um passo essencial para o fortalecimento e alcances significativos no âmbito da internacionalização da Pós-graduação no Brasil. REFERÊNCIAS STALLIVIERI, Luciane. Compreendendo a internacionalização da educação superior. Revista de Educação do COGEIME, Rio de Janeiro, v. 26, n. 50, p. 15-36, 2017. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/319020412_Compreendendo_a_inte…. Acesso em: 20 jan. 2025. OLIVEIRA, Hosana Larissa Guimarães; LEIRO, Augusto Cesar Rios. Políticas públicas de esporte no Mercosul: governo eletrônico e cidadania. Movimento, [S. l.], v. 22, n. 2, p. 539-553, 2016. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/54562. Acesso em: 20 jun. 2024.
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