Este simpósio reúne experiências de pesquisadores/as que atuam na fronteira dos campos da formação de professores indígenas, dos conhecimentos ancestrais da educação própria e da educação escolar indígena no Brasil. Acolhe trajetórias das instituições públicas de educação e no diálogo com coletivos indígenas, da Amazônia e do Centro-Oeste. Na primeira pesquisa, “Dos nomes, das palhas e das penas: construindo uma noção de educação indígena com os professores Pycohp Catiji (MA), Cardenes apresenta a noção do povo Gavião sobre a própria educação. A formação de professores relaciona-se ao reconhecimento da “educação indígena”, uma noção generalista que indica a educação própria de cada povo, as especificidades de suas formas de organização social, de representação política, das suas práticas culturais, crenças e tradições. Esta noção é utilizada em contraste ou aporia à categoria “educação escolar indígena” – o processo de escolarização com os objetivos e competências da educação básica brasileira. Baseia-se nas orientações de estágio supervisionado do curso de licenciatura em educação intercultural - Núcleo Takinahaky (UFG). Questões como: o que significa a categoria educação indígena ou a educação própria do povo Gavião, foram foco de diálogos coletivos e individuais, na terra indígena Governador (MA) e na Universidade. Identificamos palavras próprias da língua Pycohp Catiji que podem atribuir significados específicos à ideia generalista de educação indígena. Na segunda pesquisa, "Escolarização indígena no Vale do Javari (AM): Saberes ancestrais e projeções interculturais e bilíngues", Souza apresenta algumas trilhas da escolarização indígena na TI Vale do Javari (AM), a partir da instalação de uma política educativa intercultural e diferenciada. A metodologia propõe um intercruzamento das interlocuções junto aos/as professores(as) indígenas e dos dados trazidos pelo MEC/INEP, nesse emaranhado e movida pela noção de vida precária e precariedade (Butler, 2018), expõem as condições de atuação que vão desde instalações prediais inadequadas à atuação de professores(as) não indígenas nas escolas indígenas. As tentativas de normatizar as escolas indígenas do Javari, a partir de projeções interculturais e bilíngues, esbarram nas diferentes traduções vivenciadas pelos professores(as) desses múltiplos enquadramentos normativos (Butler, 2017), possibilitando a esses professores (as) assumir posições por meio de negociações. Na terceira pesquisa, "Movimentos ontoepistemometodológicos em Educação e Sociodiversidade no Amazonas Pós-BNCC", Silva dedica se a compreender como ontologias e epistemologias indígenas vêm sendo ressignificadas na educação escolar indígena no Amazonas, após a legislação atual, que juntamente com a LDB 9.394/1996, regula uma base nacional curricular comum para a educação básica dos povos indígenas. Trata-se de uma pesquisa que se insere nas discussões e problematizações Pós-BNCC, nos múltiplos espaço-tempos de implementação. Tem por foco as recentes políticas curriculares no Brasil, mantendo a preocupação nas ressignificações no campo da Educação e Sociodiversidade no Amazonas, especificamente no que se refere a formação de professores(as), práticas educativas, saberes e culturas. Para tanto, toma o caráter instituinte do currículo como enunciação no terceiro espaço da cultura, reverberando a crítica a concepções técnicas e burocráticas de currículo. Na quarta pesquisa, "Ação Saberes Indígenas na Escola: histórias e práticas culturais na escola indígena", Bettiol apresenta a pesquisa desenvolvida no programa “Ação Saberes Indígenas na Escola” (MEC/SECADI), que envolve a atuação em rede de diversas Universidades brasileiras, entre as quais a autora destaca a Rede Amazonas, no Núcleo da Universidade do Estado do Amazonas. O objetivo da pesquisa foi mapear as principais metodologias usadas nos processos de alfabetização e letramento em língua indígena e na língua portuguesa como segunda língua. A metodologia utiliza as narrativas dos professores alfabetizadores dos municípios Beruri, Careiro Castanho, Careiro da Várzea e Manaquiri que compõem o Núcleo UEA. As discussões identificaram o uso de textos elaborados a partir das narrativas dos mais velhos sobre conhecimentos ancestrais que abrangem suas culturas, suas histórias, suas línguas e modos próprios de aprendizagem. As metodologias revelam a presença de Saberes indígenas nas atividades de alfabetização e letramento que envolvem desde a contação de histórias às práticas culturais de seus povos. Na quinta pesquisa, "Métodos de pesquisa em educação e escritas de autores das sociedades originárias da Amazônia", Costa constrói a seguinte questão: quais metodologias subjazem as produções de pesquisas acadêmicas em Educação e as escritas de autoras e autores das sociedades originárias da Amazônia? A metodologia inclui o estudo bibliográfico, por meio do levantamento do estado de conhecimento, de dissertações e teses, transformadas em livros ou não, de autores indígenas amazônidas. Em relação à ciência, resultados parciais atestam que, a partir dos anos 1980 em diante, ocorreram mudanças na participação de indígenas na realização de pesquisas, passando da condição de "narradores" e "informantes" de pesquisadores para a de pesquisadores e autores indígenas no âmbito da sociedade brasileira.