DOCÊNCIAS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA: (CO) CONSTRUÇÃO DE PROCESSO FORMATIVO COM PROFESSORES DOS ANOS FINAIS DA REDE PÚBLICA

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Resumo
DOCÊNCIAS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA: (CO) CONSTRUÇÃO DE PROCESSO FORMATIVO COM PROFESSORES DOS ANOS FINAIS DA REDE PÚBLICA Resumo A Inteligência Artificial Generativa (IAG) é, segundo Santaella e Kaufman (2024), um fenômeno de abrangência mundial na contemporaneidade voltado para o desenvolvimento de modelos que produzem conteúdo original a partir de grandes bases de dados, ou seja, tais tecnologias usam dados para gerar mais dados. Sem dúvidas, as IAG tem impulsionado debates em todas as áreas, sobretudo na sua integração no campo educacional. A cultura digital e o desenvolvimento das mais variadas tecnologias, com as recentes IAG, têm reconfigurado a necessidade da formação docente uma vez que suscitam questões como autorias, produções em múltiplas linguagens, criatividade e automação. Conforme Autora 2 (2021), em acordo com Nóvoa (2017) e Lévy (1999), os processos formativos são fulcrais para a construção da profissionalidade docente, que no mundo hodierno compreende o professor não mais como difusor de conhecimentos, mas parceiro e construtor, já que hoje o apoio de outros dispositivos se fazem presentes e de forma transformadora. A Autora 2 (2021) ressalta ainda que as docências, em suas múltiplas dimensões, não se restringem a processos aprendidos e praticados, mas construídos nas singularidades e pluralidades das experiências. A presente pesquisa, em andamento, tem como objetivo desenvolver e analisar processos formativos cocriados com professores dos anos finais do ensino fundamental de um Ginásio Educacional Tecnológico (GET) da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro. A partir de uma abordagem qualitativa de inspiração multirreferencial (Ardoino, 1998), utilizando o método cartográfico (Kastrup, 2008) e a pesquisa-formação (Josso, 2004), a pesquisa busca compreender como os docentes percebem e podem integrar as IAG em suas práticas pedagógicas, além de propor caminhos que promovam sua incorporação crítica e ética. Por meio de encontros presenciais e online, a cartografia, que é também interventora, amplia o debate sobre o papel das tecnologias digitais no contexto educacional, e nesta investigação estima que os resultados contribuam para uma formação docente alinhada às demandas contemporâneas, com potencial de replicação/inspiração em outras unidades escolares no Rio de Janeiro e também em outros contextos. Os instrumentos para análise, além do acompanhamento de aulas e de um curso de formação docente, incluem questionários online, conversas dialógicas, observação participante e diários de campo. O curso de formação, ofertado no formato híbrido, computa três encontros presenciais e nove online ao longo de três meses, de modo a proporcionar um ambiente colaborativo de experimentação e reflexão sobre as possibilidades de integração das IAG na prática docente. Um curso sobre IAG e educação, considerado piloto, foi realizado em formato de disciplina com estudantes da pós-graduação (stricto sensu) na UNIRIO, e sob a responsabilidade da orientadora desta investigação e coautora do presente texto, de modo a produzir pistas para a realização da formação docente para os participantes desta pesquisa. Temas como ética, autorias, produção de materiais, análises críticas de plataformas de IAG, avaliação, currículo e colonialismo digital foram alguns dos pontos debatidos/explorados com os participantes e diversos destes assuntos se integrarão ao curso para a pesquisa-formação. Compreende-se o potencial insurgente que os encontros com docentes voltados para o mapeamento e exploração de diferentes recursos digitais gratuitos disponíveis de inteligência artificial generativa podem oferecer e, nesse processo, as discussões pertinentes abordadas como ética, uso crítico e reflexivo desses recursos digitais, participação dos professores no processo de ensino e aprendizagem, visando a integração crítica dessas tecnologias na prática docente. Os resultados esperados a partir dessa pesquisa visam contribuir para a construção de um modelo formativo inovador, que valorize a experiência docente e promova uma reflexão crítica sobre a integração das IAG na educação básica; e que os professores desenvolvam, colaborativamente, percursos pedagógicos alinhados às necessidades contemporâneas. A formação docente para uso da IAG é um desafio urgente na contemporaneidade e, nesta direção, a pesquisa busca não apenas compreender como os professores percebem e utilizam essas tecnologias, mas também proporcionar um ambiente formativo colaborativo que possibilite uma apropriação crítica e ética dessas tecnologias. A proposta de formação desenvolvida pode contribuir significativamente para a qualificação da prática docente na cultura digital, reforçando a importância da formação continuada como estratégia para o desenvolvimento profissional dos professores. Referências ARDOINO, Jacques. Abordagem multirreferencial (plural) das situações educativas e formativas. In: BARBOSA, Joaquim Gonçalves. (coord.) Multirreferencialidade nas ciências e na educação. Revisão da tradução: Sidney Barbosa. São Carlos: EdUFSCAR, 1998. AUTORA 2. Formação de Professores na Cultura Digital: Aprendizagens do adulto, educação aberta, emoções e docências. Salvador: EDUFBA, 2021. 188 p. KASTRUP, Virgínia. O método cartográfico e os quatro níveis da pesquisa-intervenção. Em: CASTRO, L.R.; BESSET, V. (orgs). Pesquisa-intervenção na infância e adolescência. Rio de Janeiro: Nau editora, 2008. JOSSO, Marie-Christine. Experiências de vida e formação. Tradução: José Claudino e Júlia Ferreira. São Paulo: Cortez, 2004. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução Carlos Irineu da Costa. 3 ed. São Paulo: Editora 34, 1999. 272 p. NÓVOA, António. Firmar a posição como professor. Afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 47, n. 166, p. 1106-1133, out./dez. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/v47n166/1980-5314-cp-47-166-1106. pdf. Acesso em: 10 mar. 2018. SANTAELLA, Lucia; KAUFMAN, Dora. A inteligência artificial generativa como quarta ferida narcísica do humano. MATRIZes, v. 18, n. 1, p. 37-53, 2024.

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Programação
Eixo Temático
  • Teacher Education and Professional Development Research
Palavras-chave
formação de professores, cultura digital, inteligência artificial generativa