O presente texto versa a respeito de um processo de criação, denominado "Detetives em Ação” realizada com 08 crianças, entre 07 e 10 anos de idade, do “Espaço Corpo Criativo”, no 1º semestre de 2023, a partir dos eixos das materialidades e da imaginação. Ao indagar sobre quais elementos cênicos poderiam compor a cena e como tais materiais poderiam ser propositores do movimento dançante, investimos na Prática como Pesquisa – PaR com registro em caderno de campo, fotos e filmagens. Frente a possibilidade de desenhar o percurso no decorrer da pesquisa, notamos, ao longo da investigação dos elementos cênicos que comporiam a coreografia que, além das materialidades convocarem diferentes corporalidades, elas recrutavam, instigavam e potencializavam os imaginários infantis e os processos transmutadores, subversivos e não literais da lógica adulta sobre a funcionalidade dos objetos. Ao retomar o processo de criação identificamos que elas não se sentiram mais donas da criação, passando atribuir à professora. Isso nos fez refletir sobre como estão acostumadas a cederem suas ideias aos adultos, sendo desapropriadas de sua autoria; sem mencionar os desejos e curiosidades silenciados. Fica a inquietação sobre o que fazemos e como validamos o que e como as crianças produzem, concluem, perguntam, se relacionam e compreendem o entorno. São linguagens insurgentes, pouco (ou nada) legitimadas no ambiente acadêmico, em casa e quiçá nas instituições dedicadas às infâncias.