Este trabalho objetiva apresentar reflexões disparadas por uma análise inicial do modo como se expressam conhecimentos de Dança no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), avaliação externa de larga escala, mais especificamente nas provas aplicadas entre 2005 e 2020. Para tanto, traz o resultado quantitativo de um primeiro levantamento de produções bibliográficas, o que revelou escassez de trabalhos acerca do tema. Além disso, valendo-se de análise de conteúdo, examina os conhecimentos de Dança exigidos nas questões dessas provas. Esses achados, discutidos em
interlocução com autores reconhecidos nos campos da avaliação escolar e do ensino de Dança na escola, revelam a baixíssima incidência de conhecimentos de Dança nesse exame. Ainda, destacam a exigência, em algumas questões, apenas da contextualização, uma das três esferas essenciais para o efetivo ensino de Dança segundo abordagem metodológica proeminente no campo do ensino de Arte. Embora correspondam a uma pesquisa em estágio inicial, as reflexões decorrentes da análise
explicitada podem contribuir não só para o debate ainda pouco explorado sobre a avaliação em Dança, como também para a defesa do fortalecimento e da continuidade da Dança no currículo da educação básica, a fim de que as avaliações, sobretudo as externas, não sejam colocadas como as principais condutoras da construção curricular das redes de ensino.
Palavras-chave: Conhecimento escolar; Currículo; Educação básica; Dança; Enem.